segunda-feira, 28 de novembro de 2011

UM POUCO DA CULTURA NORDESTINA - uma perola.

Você conhece o "Nordestês"???
NO NORDESTE, FALAMOS ASSIM

 











Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente.
Tem um jeito diferente.
Que a outro não se igualá
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala
Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
Coisa inferior é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro
 Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caixa Prego
Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Botão de rádio é Pitoco
E confusão é Arenga
Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado
O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado
E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto
Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala
Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bombom é Confeito
Rir de alguém é Mangar
Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Enxerir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira
Longe é o Fim do Mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela
E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar
Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado
Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente da casa é Terreiro
Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala
Aqui, valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada
O pão-duro é Amarrado
Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado
Tocar de leve é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar
Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada
Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada
Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
Sandália é Alpercata
A correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote
E o folgado é Folote
É assim que a gente fala
Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda
Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda
Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso
Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha
Não concordo, é Pois Sim
Estou às ordens, Pois Não
Beco do lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!
Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala
A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau
Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega
Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado
Estilingue é Balieira
Prostituta se diz Quenga
Cabra medroso é Molenga
O baba-ovo é Chaleira
Opinar é Dar Pitaco
Axila é Suvaco
Se o cabra for mau, é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala
Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó
Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar
A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
Tic nervoso é Munganga
Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Lombo se diz Espinhaço
Matar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Engembrado
É assim que a gente fala
O afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Quer saber como, diz Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Sujeito leso é pamonha
Manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco
E coisa pouca é Tiquim
Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra é de Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Azar se chama Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha
Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
O cara medroso é Frouxo
E comprimido é Cachete
Olho sujo tem Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala
Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Fica de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Se estiver desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego
Coisa fácil é Fichinha
Dose de cana é Lapada
Empurrar é Dar Peitada
E o banheiro é Casinha
Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina,
É assim que a gente fala.”

terça-feira, 15 de novembro de 2011

GRUPO DE ESTUDANTES DA UFBA FAZEM VIAGEM DE CAMPO PARA ESTUDOS DE GEOMORFOLOGIA




Nos dias 04,05,06,07.11.2011, a turma de Geomorfologia 2011.2 do curso de Licenciatura em Geografia da Ufba - Universidade Federal da Bahia, realizou uma viagem de estudos de campo, aos municípios de Itatin e Milagres, afim de desenvolverem na prática os conhecimentos obtidos em sala de aula. Sob a coordenação do Prof. Dr. Marcelo Lima, a viagem foi um sucesso tanto do ponto de vista do ganho da sociabilização do grupo, como dos conhecimentos técnicos absorvidos. Região de relevo rico pela sua formação geológica apresentando dezenas de Inselbergs o que torna a beleza natural um fenômeno de grande esplendor para quem visita. Com vistas maravilhosas de seus morros de onde podem ser observado parte da região com serras e imensidões de áreas de aplainamento e uma vegetação tipica do semi-árido: a caatinga. Estudos como formação geológica, teorias de aplainamento da região, vegetação, hidrografia, clima, e o fator humano da geografia local foram exaustivamente debatidos, estudados e com certeza enriqueceu o conteúdo didático da disciplina de todos os participantes.
Fazendo Geografia na prática, conhecendo o espaço para entender o homem.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Contrastes e soluços


PLANTAÇÃO DE SOJA NO PARANÁ

Rui Daher
De São Paulo


Entre as tantas frases feitas da língua portuguesa, a de que o Brasil é um país de contrastes é das mais famosas. E verdadeiras.

Claro que extensão e formação étnica ajudam nisso. Não mais, porém, do que o processo de inserção social secularmente deformado por um desenvolvimento subordinado aos interesses políticos e econômicos da elite.

Raras vezes, o Brasil teve oportunidade de ao mesmo tempo fazer conviver crescimento e justa distribuição de riqueza. Na conhecida acepção do termo, "dividir o bolo" sempre excluiu do banquete a grande maioria da população.

Assim, pelo menos nos últimos 60 anos, evoluímos em meio a contrastes e soluços.

Se, entre 1950 e 1954, com Getúlio Vargas (1882¿1954), o País avançou em importantes questões sociais e trabalhistas, isto ocorreu sob economia exclusivamente exportadora de matérias-primas. As elites conservadoras rurais eram privilegiadas em oposição ao crescimento baseado em tecnologia e industrialização dos países do norte.

Para romper com essa sina foi necessário, dez anos depois, passar pelas agruras de um golpe militar patrocinado por essa mesma elite, então, amedrontada com o caos político e um comunismo de fancaria.

O acordo permitiu inaugurar uma etapa de modernização industrial e vigor econômico, embora de pouca repercussão na renda dos mais pobres. "A economia vai bem, mas o povo vai mal", costumava dizer um dos generais de plantão na época.

A redemocratização, a partir de 1985, pouco trouxe de efeitos palpáveis na economia e inclusão social. Em meio a repetidas crises externas, seus governos tiveram atuações importantes apenas na abertura à globalização e no controle da inflação.

O que não impediu o País quebrar duas vezes, recorrer ao FMI e submeter-se a planos econômicos restritivos e equivocados. Mais uma vez, o sacrifício recairia todo sobre as classes subalternas.

Teria, então, sido a última década, com os governos Lula e, agora, Dilma, redentora desse período de contrastes e soluços?

Mesmo que se reconheçam anos de crescimento mais robusto e melhoria na renda de amplos contingentes da população mais pobre, patrocinados por subvenções do Estado e aumento nos empregos formais e informais, o certo é que continuamos a viver um clima de contrastes que, não raro, nos levam aos soluços ou à indignação.

O mesmo acontece na agropecuária. Exulta-se com o nível atingido pela produção de grãos, o recorde na renda agrícola, os valores das exportações do agronegócio. Com razão.

Não a ponto, no entanto, de impedir os entraves para que esses recursos se transformem em benefícios plenos para a população.

Vocês tinham conhecimento, exíguos leitores, da existência de uma propriedade no Pará, com 4,7 milhões de hectares, o que a faz maior do que os Estados do Rio de Janeiro, Sergipe, Alagoas?

Após 15 anos protegida pela justiça daquele Estado, a Fazenda Curuá, "pertencente" a uma grande empreiteira, teve seu registro imobiliário caçado pela Justiça Federal. Calma. Cabe recurso aos herdeiros de Cecílio do Rego Almeida, morto em 2008.

Segundo o Censo Escolar do Ministério da Educação, há 23% de analfabetos no meio rural. Em dez anos, quase 38.000 escolas rurais foram fechadas.

São Desidério (BA), mereceu recentemente reportagem no "Jornal Nacional", da TV Globo. Foi, em 2010, o município brasileiro com maior valor de produção agrícola (1,1 bilhão de reais). Pois, não tem um metro de esgoto tratado.

Como sugere velho amigo, em coluna semanal na revista "Carta Capital": estamos num país que caminha para usar um Bordeaux de 800 reais para fazer sagu.

Contrastes que, por certo, aumentarão nossos soluços.