Marcos Barros
Resumo do artigo apresentado
no SEMEX - Seminários de Extensão da UFBA,
Edição no anuário SEMEX UFBA 2012.
Resumo do artigo apresentado
no SEMEX - Seminários de Extensão da UFBA,
Edição no anuário SEMEX UFBA 2012.
A Cartografia Social é uma ferramenta de
planificação e transformação, fundamentada na motivação, participação e
desenvolvimento de ações de origens comunitárias/coletivas, visando a formação
da cidadania dos indivíduos. Instrumento de exercício participativo, recurso que deve auxiliar e dar mais
precisão a discussão etnográfica e antropológica, contribuindo para a
compreensão do patrimônio cultural dos povos permitindo o seu auto-conhecimento. A construção
de mapas temáticos levam a reflexão e ao descobrimento por parte dos habitantes
de uma região, sobre suas territorialidades no que diz respeito ao seu espaço
geográfico, realidade social econômica,
histórico cultural, ambientais e de sustentabilidade. As comunidades
tradicionais embora possuam uma cultura peculiar e dominem saberes populares de
senso comum, apresentam um baixo nível de escolaridade formal e poder
econômico, o que dificulta sua compreensão sobre suas realidades e potencialidades e a
capacidade de organização para solução de problemas individuais e coletivos. Com
base nessas afirmativas que dirigimos nossos trabalhos, lançando mão da
Cartografia Social, como mecanismo de união dos saberes acadêmicos e populares
e no uso desses conhecimentos para a preservação do meio ambiente, bem como com
a produção dos etnomapas, contribui
potencialmente para uma melhor visão do espaço geográfico no que diz respeito a sua gestão territorial
ambiental pelas comunidades. As ações desenvolvidas pelo grupo de Mapeamento
Biorregional do Projeto Marsol (Maricultura Solidária) do Instituto de Biologia
da UFBa, que atua a mais de um ano com comunidades marisqueiras e quilombolas
na região de Santiago do Iguape, município de Cachoeira no Recôncavo Baiano e
no distrito de Graciosa, município de Taperoá no Baixo Sul Baiano tem como
objetivo oferecer aos membros dessas comunidades o direito de mapear seus territórios
e de se transformar em protagonistas de sua própria identidade, produzindo uma
cartografia social baseada nos seus conhecimentos, tendo como produto final mapas
que reflitam o entendimento dos membros das comunidades sobre o seu território
e a relação de sua cultura com o mesmo, instrumentalizando os membros das comunidades no uso de ferramentas e técnicas
cartográficas, desenvolvendo a
capacidade de ler e interpretar informações contidas em mapas e cartas, bem
como sua confecção e aplicações práticas no cotidiano. O conceito que norteia a
busca pelo alcance dos objetivos é que relações entre culturas e saberes
diversos produzem uma pluriculturalidade e uma simbiose de conhecimentos que
através da cartografia social auxiliem na produção conjunta de técnicas e
manejos para a preservação e gestão sustentável do meio ambiente colaborando na
melhoria das condições de vida das comunidades. Como proposta metodológica são
realizadas oficinas dirigidas de forma participativa e integrada, coletando
histórias sobre os diversos temas levantados, fotografando, filmando e
georeferenciando em campo os pontos do território a serem mapeados, com a colaboração
de todos os membros possíveis da comunidade, afim de que se torne uma
construção coletiva que sirva de base para elaboração de novos projetos
sociais, familiarizando a comunidade com as práticas de trabalhos
coletivos/comunitários, buscando uma interação social na solução de problemas
comuns. Durante o segundo semestre de 2011 foram confeccionados 04 mapas
temáticos pelas comunidades do Kaonge, Dendê, Kalembá, Engenho da Ponte e
Engenho da Praia no município de Cachoeira-Ba, abordando diversos temas como
Cultura, Historicidade, Religião, Águas, etc., Essa produção coletiva, já
apresenta frutos do trabalho desenvolvido, pois as comunidades tem feito uso
dos mapas em diversas ações de iniciativas próprias, base para divulgação de
ações comunitárias, participando também junto
ao grupo acadêmico como multiplicadores em outras comunidades na confecção de
mapas e na motivação das mesmas, tendo uma participação ativa e consolidada.