sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A CARTOGRAFIA SOCIAL COMO FERRAMENTA PARA PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS


Marcos Barros
Resumo do artigo apresentado
no SEMEX - Seminários de Extensão da UFBA,
Edição  no anuário SEMEX UFBA 2012.

A Cartografia Social é uma ferramenta de planificação e transformação, fundamentada na motivação, participação e desenvolvimento de ações de origens comunitárias/coletivas, visando a formação da cidadania dos indivíduos. Instrumento de exercício participativo, recurso que deve auxiliar e dar mais precisão a discussão etnográfica e antropológica, contribuindo para a compreensão do patrimônio cultural dos povos  permitindo o seu auto-conhecimento. A construção de mapas temáticos levam a reflexão e ao descobrimento por parte dos habitantes de uma região, sobre suas territorialidades no que diz respeito ao seu espaço geográfico, realidade social  econômica, histórico cultural, ambientais e de sustentabilidade. As comunidades tradicionais embora possuam uma cultura peculiar e dominem saberes populares de senso comum, apresentam um baixo nível de escolaridade formal e poder econômico, o que dificulta sua compreensão sobre  suas realidades e potencialidades e a capacidade de organização para solução de problemas individuais e coletivos. Com base nessas afirmativas que dirigimos nossos trabalhos, lançando mão da Cartografia Social, como mecanismo de união dos saberes acadêmicos e populares e no uso desses conhecimentos para a preservação do meio ambiente, bem como com a produção dos etnomapas,  contribui potencialmente para uma melhor visão do espaço geográfico  no que diz respeito a sua gestão territorial ambiental pelas comunidades. As ações desenvolvidas pelo grupo de Mapeamento Biorregional do Projeto Marsol (Maricultura Solidária) do Instituto de Biologia da UFBa, que atua a mais de um ano com comunidades marisqueiras e quilombolas na região de Santiago do Iguape, município de Cachoeira no Recôncavo Baiano e no distrito de Graciosa, município de Taperoá no Baixo Sul Baiano tem como objetivo oferecer aos membros dessas comunidades o direito de mapear seus territórios e de se transformar em protagonistas de sua própria identidade, produzindo uma cartografia social baseada nos seus conhecimentos, tendo como produto final mapas que reflitam o entendimento dos membros das comunidades sobre o seu território e a relação de sua cultura com o mesmo, instrumentalizando  os membros das comunidades  no uso de ferramentas e técnicas cartográficas,  desenvolvendo a capacidade de ler e interpretar informações contidas em mapas e cartas, bem como sua confecção e aplicações práticas no cotidiano. O conceito que norteia a busca pelo alcance dos objetivos é que relações entre culturas e saberes diversos produzem uma pluriculturalidade e uma simbiose de conhecimentos que através da cartografia social auxiliem na produção conjunta de técnicas e manejos para a preservação e gestão sustentável do meio ambiente colaborando na melhoria das condições de vida das comunidades. Como proposta metodológica são realizadas oficinas dirigidas de forma participativa e integrada, coletando histórias sobre os diversos temas levantados, fotografando, filmando e georeferenciando em campo os pontos do território a serem mapeados, com a colaboração de todos os membros possíveis da comunidade, afim de que se torne uma construção coletiva que sirva de base para elaboração de novos projetos sociais, familiarizando a comunidade com as práticas de trabalhos coletivos/comunitários, buscando uma interação social na solução de problemas comuns. Durante o segundo semestre de 2011 foram confeccionados 04 mapas temáticos pelas comunidades do Kaonge, Dendê, Kalembá, Engenho da Ponte e Engenho da Praia no município de Cachoeira-Ba, abordando diversos temas como Cultura, Historicidade, Religião, Águas, etc., Essa produção coletiva, já apresenta frutos do trabalho desenvolvido, pois as comunidades tem feito uso dos mapas em diversas ações de iniciativas próprias, base para divulgação de ações comunitárias, participando também  junto ao grupo acadêmico como multiplicadores em outras comunidades na confecção de mapas e na motivação das mesmas, tendo uma participação ativa e consolidada.