quinta-feira, 14 de março de 2013



Região e Regionalização: A Trajetória de um Debate  –  REGIONAL GLOBAL  –  (Rogério Haesbaert)

Por: Marcos Barros


“Não pensamos que a região haja desaparecido. O que esmaeceu foi a nossa capacidade de reinterpretar e de reconhecer o espaço em suas divisões e recortes atuais, desafiando-nos a exercer plenamente aquela tarefa permanentemente dos intelectuais, isto é, a atualização dos conceitos”.    (Santos, 1994:102)                                                                                                     

O autor procura problematizar o tema Região e Regionalização sem se preocupar com as diversas conceituações dadas pelas correntes geográficas, procurando dar ênfase à produção do conhecimento e a necessidade de se fazer recortes do espaço para efeitos de estudos.  Para tal ele busca o pensamento de diversos geógrafos e pensadores da geografia, tais como La Blache, Sauer, Hartshorne procurando através da evolução do conceito de região respostas para a problemática disposta e formas de se entender e utilizar esses conceitos no paradigma atual que vivenciamos.  Ver a região não apenas como um recorte espacial, mas como algo dinâmico e de múltiplas escalas.
Para ele mesmo com a globalização e sua homogeneização existe uma reconstrução da heterogeneidade e da fragmentação, dada ás novas desigualdades e diferenças que surgem em todos os cantos do planeta, o que proporciona um retorno ás singularidades e ao especifico. Isso também pode ser evidenciado na proliferação das geografias regionais populares, bem como no discurso da mídia e na formação do senso comum.
Suas reflexões também nos traz a discussão da questão regional fora do âmbito da geografia, discussão esta feita pelas diversas ciências sociais tais como a Antropologia, História, Sociologia, passando também pelas ciências naturais onde conceitos como de Biorregião tem sido amplamente discutidos.
Num panorama em que muitos preconizam o fim da região, do território, ou mesmo da Geografia, por conta de um processo global de expansão dos mercados, mas que gera pobreza e exclusão social, criando e recriando fatos políticos, o conceito de região torna-se fundamental na análise das questões sociais e no pensar da Geografia como ciência humana. E é nesse contexto que ele reproduz Gilbert (1988) “(...) os geógrafos estão redescobrindo o estudo do especifico”.
Haesbaert, traça um longo caminho antes de chegar a novas concepções da Geografia Regional contemporânea, fazendo um estudo sobre a origem etimológica do termo região e os primórdios de formação da Geografia Regional.  É na origem do termo região que observa uma grande polissemia de entendimentos, que perpassa desde a ideia de recorte ou parte do todo que são sugeridas nas definições “esfera de domínio de algo” ou “espaço ocupado por alguma coisa”, até a relação de poder vinculada a raiz do termo “regere” comandar. É fazendo uma reflexão sobre os diferentes recortes do tempo e espaço que ele (o autor) nos diz que pensar em região, antes de tudo é pensar nos processos de regionalização seja como simples procedimento metodológico ou dinâmica vivida e produzida pelos grupos sociais.
“Região: dos primórdios ao período hegemônico”, é nessa viagem pelo tempo que Haesbaert busca o pensamento de diversos geógrafos e suas concepções de regionalização e região, citando Hartshorne e sua clássica obra “A Natureza da Geografia” como sendo pioneira nas reflexões teóricas sobre a transformação do pensamento regional, ou na própria construção da geografia moderna. Referencias também são feitas aos modelos geográficos de Estrabão e Ptolomeu que embora considerados opostos já apresentava claramente diferenciações entre a Geografia geral e regional.
Por fim ele nos coloca que considerando a trajetória ao longo da historia do pensamento geográfico, facilmente identifica-se fases de um rico processo de construção, destruição e reconstrução do conceito de região. E é nesse percurso conceitual que ele coloca a intencionalidade de seu trabalho de retomar de maneira sucinta este debate, priorizando os momentos de ruptura ou os momentos em que de alguma forma foi decretada a morte da região. Expressando então que o conceito de região e, por extensão, os processos de regionalização que o acompanham, epistemologicamente falando, são moldados dentro de um amplo continuum, desde a visão mais racionalista que percebe a região como mero constructo do nosso intelecto, instrumento que permite entender a dinâmica das partes do espaço geográfico, até abordagens mais realistas, em torno de fenômenos ocorridos provenientes das relações ali vivenciadas.