segunda-feira, 30 de setembro de 2013

É A ESTE POVO POBRE E SOFRIDO DO NOSSO PAÍS QUE AS POLITICAS PÚBLICAS SOCIAIS ATENDEM E DEVEMOS LUTAR PARA PRESERVA-LAS

SEVERINAS: AS NOVAS MULHERES DO SERTÃO

Titulares do Bolsa Família, as sertanejas estão começando a transformar seus papéis na família e na sociedade do interior do Piauí e se libertando da servidão ao homem, milenar como a miséria
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“Cada um tem que saber o seu lugar: a mulher tem qualidade inferior, o homem tem qualidade superior.” É bem assim que fala, sem rodeios, um dos homens mais respeitados do município de Guaribas, no sertão do Piauí, pai de sete filhos (seis mulheres e um homem). “O homem é o gigante da mulher”, completa “Chefe”, como é conhecido Horacio Alves da Rocha na comunidade.
Para chegar a Guaribas são dez horas desde a capital, Teresina, até a cidadezinha de Caracol. Dali, 40 minutos de estrada de terra cercada de caatinga até o jovem município, fundado em 1997. Em 2003, Guaribas foi escolhida como piloto do programa Fome Zero. Tinha então o segundo pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil, 0,214 – para efeito de comparação, o país com pior IDH do mundo é Burundi, na África com índice 0,355. Hoje, Guaribas tem 4.401 habitantes, 87% deles recebendo o Bolsa Família. São 933 famílias beneficiadas, com renda média mensal de R$ 182. O IDH saltou para 0,508.
Em todo o Brasil, o Bolsa Família atende a 13,7 milhões de famílias – sendo que 93,2% dos cartões estão em nome de mulheres. São elas que recebem e distribuem a renda familiar.
“Eu vivi a escravidão”, diz Luzia Alves Rocha, 31 anos, uma das seis filhas de Chefe. Aos três meses, muito doente, ela foi dada pelo pai para os avós criarem. Quando eles morreram, uma tia assumiu a menina. “Achei que ela não ia aguentar aquela vida de roça: era vida aquilo?”, pergunta a tia Delci. Luzia trabalhou na roça, passou fome, perdeu madrugadas subindo a serra para talvez voltar com água na cabaça. “Quando tinha comida a gente comia, se não, dormia igual passarinho”, diz. Trabalhava sem salário, sem nenhum direito trabalhista, sem saber como seria a vida se a seca não passasse e a chuva não regasse o feijão e a mandioca. Era “a escravidão”.
Quando a seca piorou, Luzia pensou em migrar para São Paulo. Foi então que chegou o programa social do governo: “Com esta ajudinha já consigo levar”, diz. Luzia decidiu ficar em Guaribas. Os filhos estudam. O marido e ela cuidam da roça.
“A libertação da ‘ditadura da miséria’ e do controle masculino familiar amplo sobre seus destinos permite às mulheres um mínimo de programação da própria vida e, nesta medida, possibilita-lhes o começo da autonomização de sua vida moral. O último elemento é fundante da cidadania”, analisam os pesquisadores Walquiria Leão Rego e Alessandro Pinzani, da Universidade de Campinas e da Universidade Federal de Santa Catarinas, no livro Vozes do Bolsa Família: Autonomia, dinheiro e cidadania. Durante a pesquisa, eles ouviram beneficiários do programa observando as transformações decorrentes do Bolsa-Família – em especial na vida das mulheres. Chegaram à conclusão que a mudança é grande: “Quando você tem um patamar de igualdade mínimo, você muda a sociedade. Claro que as coisas não são automáticas. Isto não pode ser posto como salvação da nação, mas é um começo.”
Luzia conseguiu realizar o sonho de diversas das mulheres ouvidas pela socióloga Walquiria Leão. Ela juntou R$ 50 e seguiu para o hospital da cidade vizinha, de São Raimundo Nonato para fazer laqueadura das trompas: “se tivesse mais filho a vida ia ser mais pior”. Segundo Walquíria, o desejo de controlar a natalidade foi manifestado por diversas das mulheres que ela entrevistou entre 2006 e 2011 em Alagoas, Vale do Jequitinhonha, Piauí, Maranhão e Pernambuco.
Serena, uma das filhas de Luzia, tem 8 anos e está na terceira série. Ela ajuda a arrumar a casa, já sabe cozinhar, ajuda na roça. Mas não perde suas aulas. Logo depois de cantar o alfabeto e os números, diz que quer ser “advogada e médica”. Quando perguntada sobre casamento, a pequena afirma, com a mão na cintura: “eu não vou casar, vou ser sol-tei-ra…”, diz, demorando nas sílabas.
Em maio o valor do Bolsa Família de Luzia saltou de R$ 70 reais para R$ 212. A mãe comemora: “Agora já posso comprar as coisas para minha filha: a sandália dela arrebentou e pude comprar outra”. No pé da menima, o calçado que custou R$ 7,50. “Primeiro comprei para a menina, num outro mês compro pra mim”, explica Luzia, com os pés descalços.

“MINHA SINA”

Do outro lado do vale que liga o centro de Guaribas ao bairro Fazenda, Norma Alves Duarte, 44 anos, vive numa casa de dois quartos. Na sala, paredes mal rebocadas mostram as marcas da massa corrida. No canto, um pequeno móvel com uma TV. A vida toda ela ajudou a mãe doente, quase não estudou – cursou até a segunda série. Como todas as mulheres dali, as atividades de criança incluíam colher feijão, pegar lenha e buscar água no olho d’água, que fica a dois quilômetros.
Norma tem 12 irmãos, 2 filhos e vive com o segundo marido – o primeiro a abandonou depois de 20 dias. “Era pau e cachaça. Aí depois arrumei o pai destes meninos. É bom mas é doido, vaidoso o velho, bebedor… Ele é bruto demais, ignorante que só. Fazer o que né? Destino é destino: quem traz uma sina tem que cumprir.”
“Esta palavra, sina, faz parte do que nós chamamos de cultura da resignação e acho que ela foi de fato rompida com o Bolsa Familia”, diz a socióloga Walquiria Leão.
No início do programa, Norma ganhava R$ 42 com seu cartão. Agora “tira” R$ 200. “Mudou, porque eu pego meu dinheirinho, compro minhas coisas, assim mesmo ele (o marido) xingando. Eu não dou ele, ele tem o dele. Ele não me dá nenhum real, bota para comer dentro de casa mas não me dá nem um real, nem dez centavos.” Para Walquíria Leão, “a renda liberta a pessoa de relações privadas opressoras e de controles pessoais sobre sua intimidade, pois a conforma em uma função social determinada, permitindo-lhe mais movimentação e, portanto, novas experiências”.

MAIS DIVÓRCIOS

Ao saírem da miséria, “da espera resignada pela morte por fome e doenças ligadas à pobreza”, nas palavras de Walquiria, estas mulheres começam a protagonizar suas vidas.
No vilarejo de Cajueiro, a uma hora do centro de Guaribas por uma estrada de terra esburacada, a água ainda não chegou às casas. Elenilde Ribeiro, 39 anos, caminha com a sobrinha por um areial com a lata na cabeça, outra na mão. É ela quem cria a menina. “Não quero que ela sofra como eu sofri”, diz. Chegando na casa, o capricho se mostra nos paninhos embaixo de copos metálicos, na estante com fotos de família, o brasão do Palmeiras, e um gato de louça ao lado da imagem de Jesus. Do lado de fora, o banheiro – onde se usa caneca e penico –, um pátio bem varrido, uma horta suspensa, e uma pilha de lenha que Elenilde mesma coleta e quebra, apontando: “está aqui meu botijão de gás”.
Os olhos de Elenilde marejam quando conta ter sido abandonada pelo marido há treze anos, mas seu tom de voz muda ao falar do papel da renda em sua vida. “Tiro R$ 134 no meu cartão Bolsa Família mas para mim está sendo mil. Porque com este dinheirinho eu tenho o dinheiro certo para comprar (na venda) e o dono me confia. E eu sei que com isso, com ele me confiar, eu já estou comendo a mais”, explica. Elenilde também se livrou de trabalhar na roça dos outros em troca de uma diária de R$ 5. “Eu quando pego o meu dinheiro (do cartão) vou na venda, pago a conta mais velha e espero pela vontade do vindião, aí ele vai e me franqueia… E eu vou e compro de novo”. Segundo Walquíria Leão, isso tem ajudado a mulher a conquistar um novo papel na comunidade. “A experiência anterior de vida era sempre de ser desrespeitada, desconsiderada porque ela não tinha dinheiro”.
No final da mesma rua, Domingas Pereira da Lima, 28 anos, não se arrepende de ter abandonado o marido. “Ele ficava namorando com uma e com outra e eu num resisti, vim embora”. Prendendo o choro, ela continua: “Deixava eu com as crianças e se tacava no meio do mundo. A vida não é fácil mas vou levando a vida devagarzinho aqui.” Desde então, Domingas cuida dos quatro filhos com o apoio das irmãs e da mãe.
Em 2003, quando chegou o Fome Zero, foram solicitados 993 divórcios no Piauí. Em 2011 o número saltou para 1.689 casos. Dos casos não consensuais, 134 foram requeridos por mulheres em 2003; em 2011 esse número saltou para 413 – um aumento de 308%.
Ainda assim, na pequena Guaribas, a mulher ficar presa em casa em dias de festa, o alcoolismo e a infidelidade masculina são histórias contadas com naturalidade. “Vixi, aqui se conta nos dedos as mulheres que não apanham do marido”, é comum as mulheres dizerem.
Na delegacia da cidadezinha, o delegado explica que por ali o clima é sempre “muito tranquilo, sem nenhuma ocorrência. Só umas brigas de casal, coisa que a gente aconselha e eles voltam” diz.
Mirele Aline Alves da Rocha é uma das que se conta nos dedos. Aos 18 anos, a bonita jovem explica: “Apesar da minha idade já ser avançada para os daqui, eu não estou nem aí para o que eles falam. Eu quero é estudar”. A maioria das amigas se casaram aos 13 anos. Já Mirele, soteira, cursa o terceiro ano do Ensino Médio na escola estadual de Guaribas, onde vive com a tia – os pais moram no município de Cajueiro. O cartão do Bolsa Família está no nome da mãe, que recebe R$ 102 por Mirele e pelo caçula de nove anos. Ambos estudam. “Eu vejo a realidade da minha mãe e não quero seguir pelo mesmo caminho. Eu quero estudar para ter um futuro, para ser independente, para não ficar dependendo de um homem”, decreta a jovem.
No primeiro bimestre de 2013, em Guaribas, a frequência escolar atingiu o percentual de 96,23%, para crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos – o equivalente a 869 alunos – e 82,29% para os jovens entre 16 e 17 anos, de um total de 175.
Mirele vai fazer o Enem e “ver o que dá”. Para cursar faculdade ela terá que sair de Guaribas mas planeja se graduar e voltar: “Gosto mesmo é daqui”.
“Nunca é demais lembrar que nossa pobreza não é um fato contingente, mas deita raízes profundas na nossa história e na forma de conduzir politicamente as decisões estatais”, avalia Walquiria. “O Bolsa Família deveria se transformar em política publica, não mais política de um governo”. “É um processo, um avanço que mal começou. E ainda é muito insuficiente. Mas quem narra uma história tem que ser capaz de narrar todos os passos desta história”, finaliza.

domingo, 25 de agosto de 2013

CAPITALISMO / ACUMULAÇÃO = INJUSTIÇA SOCIAL, POBREZA E MISÉRIA


A incrível pirâmide da desigualdade global


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Milionários são apenas 0,6% da população, mas abocanham doze vezes mais riqueza que 69,3% dos habitantes da Terra. Concentração e consumismo podem tornar civilização insustentável
Por José Eustáquio Diniz Alves, no EcoDeabte
O relatório sobre a riqueza global, em 2012, do banco Credit Suisse (The Credit Suisse Global Wealth Report 2012) traz um quadro bastante amplo e esclarecedor da distribuição da riqueza (patrimônio) das pessoas adultas do mundo. A riqueza global foi estimada em US$ 223 trilhões em 2012 (meados do ano). Como havia 4,59 bilhões de pessoas adultas no mundo, a riqueza per capita por adulto foi de US$ 49 mil.
Mas, evidentemente, existe uma distribuição desigual desta riqueza. Na base da pirâmide estão as pessoas com a riqueza menor do que 10 mil dólares. Nesta imensa base havia 3,184 bilhões de adultos, em 2012, o que representava 69,3% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a “riqueza” deste enorme contingente foi de US$ 7,3 trilhões, o que representava somente 3,3% da riqueza global de US$ 223 trilhões. Ou seja, pouco mais de dois terços (2/3) dos adultos do mundo possuíam somente 3,3% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 2.293.
No grupo de riqueza entre US$ 10 mil e US$ 100 mil, havia 1,035 bilhão de adultos, o que representava 22,5% do total de pessoas adultas no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de US$ 32,1 trilhões, o que representava 14,4% da riqueza global. Ou seja, pouco menos de um quarto (1/4) dos adultos do mundo possuíam 14,4% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 31 mil.
No grupo de riqueza entre cem mil e 1 milhão de dólares, havia 344 milhões de adultos, o que representava 7,5% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de US$ 95,9 trilhões, o que representava 43,1% da riqueza global. Ou seja, pouco menos de um décimo (1/10) dos adultos do mundo possuíam 43,1% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 279 mil.
Os milionários, aqueles com patrimônio acima de um milhão de dólares eram somente 29 milhões de adultos, representando 0,6% do total, no mundo. Todavia, este pequeno grupo de pessoas concentrava 39,3% da riqueza mundial, um montante de US$ 87,5 trilhões, o que representava 39,3% da riqueza global. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 3,017 milhões.
O que mais chama a atenção na distribuição da riqueza é que os 29 milhões de adultos do alto da pirâmide possuíam um patrimônio superior a 12 vezes o patrimônio da base de 3,2 bilhões de pessoas. Os dados também mostram que os contingentes intermediários estão crescendo e que a riqueza global aumentou no passado e tende a aumentar nas próximas décadas. Em 2000, na virada do milênio, a riqueza global era de US$ 113,4 trilhões, uma média de US$ 30,7 mil por adulto, em um total de 3,6 bilhões de pessoas na situação de maioridade.
Contudo, todo o montante atual de US$ 223 trilhões de riqueza para 4,6 bilhões de adultos, em 2012, está sustentado em bases frágeis, pois a riqueza do ser humano (em sua forma piramidal) está alicerçada sobre bases naturais degradas pelas atividades antrópicas. A pirâmide da riqueza humana tem crescido e se ampliado sobre uma base de pauperização dos ecossistemas. Não é improvável, que em algum momento, a pirâmide possa afundar por falta de sustentação ecológica ou possa implodir por falta de justiça redistributiva em sua arquitetura social.
Enquanto o capital natural tem sido depredado, a riqueza global (e o consumo) dos seres humanos cresceu cerca de 50% no século 21, passando de uma média per capita de US$ 30,7 mil no ano 2000, para US$ 43,8 mil em 2010 e para US$ 49 mil, em 2012. Todavia, as necessidades e os sonhos humanos são ilimitados e os de baixo da pirâmide aspiram o padrão de consumo daqueles do meio e do topo do status social. Mas é impossível haver um crescimento ilimitado da riqueza material em um planeta finito e a história mostra que, em vários momentos, pirâmides que pareciam sólidas se transformam em castelos de areia.
Não é sem surpresa que os indignados do mundo estão se unindo, se mobilizando e corroendo as estruturas piramidais das sociedades árabes, espanhola, europeia, dos Estados Unidos, etc. Também não é sem surpresa que a indignação tenha chegado ao Brasil, pois existe um mal-estar geral com o modelo de desenvolvimento econômico, com o funcionamento da democracia, com a imobilidade urbana e social e com a relação humanidade/natureza. Evidentemente, este mal-estar aparece de maneira difusa e sem alternativas claras de novos rumos.
Mas o que o mundo precisa não é manter o processo de ampliação da pirâmide da riqueza e do consumo e, sim, construir relações mais horizontais, simples e justas entre as pessoas e entre as pessoas e o meio ambiente.
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José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionaise Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

segunda-feira, 17 de junho de 2013

 A MUNDIALIZAÇÃO DO CAPITALISMO E A GEOPOLITICA MUNDIAL NO FIM SÉCULO XX (Ariovaldo Umbelino de Oliveira).
Por:  Marcos Barros

Com o fim do bloco socialista na década de 80 que perdurou durante a Guerra Fria, a característica marcante do mundo passou a ser a mundialização do capital. Consolidou-se os oligopólios internacionais por meio das multinacionais, favorecidas pela necessidade de movimentos internacionais de capitais, produção capitalista internacional e ações de governos em nível internacional. Assim os fluxos internacionais de capitais privados passaram a crescer mais que os investimentos diretos feitos pelas multinacionais, fortalecendo o mercado financeiro, aliando o capital  nacional ao capital estrangeiro.

Garantindo a competitividade a produção de bens e serviços passam a ser internacional, dessa forma a força de trabalho usada pelos Oligopólios fica fora do país onde esta situada os escritórios sedes dessas empresas. Ações governamentais são observadas tanto na intervenção dos mesmos na economia como na elaboração de projetos de cooperação mutuas entre as nações. Essa união de capital financeiro e força de trabalho mundializada diminui a independência das nações e propicia a formação de instituições internacionais para administrar a dependência crescente. A internacionalização do capital promove a integração entre países de todo conhecimento técnico produzido, bem como dos recursos naturais e da produção dos bens e serviços.

Entretanto a mundialização do capitalismo é um fenômeno recente na economia, formando um conjunto de processos que dão condições para se produzir, distribuir e consumir produtos e serviços numa escala mundial. Esses processos criam novas formas para as relações entre os Estados e as empresas multinacionais permitindo que as empresas se auto administrem dentro da economia mundial, e por sua vez as empresas necessitando da legitimação dos Estados para garantir a ordem local, regulando a economia nacional e desenvolvendo políticas de cunho sociais. Nesse contexto o capitalismo não se concentra apenas nos países ricos, ele se espalha por todos os centros onde as empresas multinacionais atuem, originando uma nova ordem econômica e política mundial, junto a essa nova ordem desenvolve-se também uma nova divisão do trabalho, refletindo na divisão das nações em países altamente industrializados, parcialmente industrializados e os de economia subdesenvolvida.


Essa nova forma de capital mundial provoca também a formação de blocos econômicos entre diversas nações objetivando preservarem suas economias e fomentarem seu mercado interno, atraindo também novos mercados estrangeiros para seus produtos. Configura-se ai um mundo altamente interligado, industrializado, tecnológico e informacional mas cujo processo de mundialização apresenta-se excludente e perverso ampliando a pobreza e a fome, e aumentando em escala global a acumulação dos capitais em mãos de poucos grupos empresariais, criando uma divisão simplista entre pobre e ricos mascarando assim as próprias contradições fundamentais da sociedade capitalista.

quinta-feira, 14 de março de 2013



Região e Regionalização: A Trajetória de um Debate  –  REGIONAL GLOBAL  –  (Rogério Haesbaert)

Por: Marcos Barros


“Não pensamos que a região haja desaparecido. O que esmaeceu foi a nossa capacidade de reinterpretar e de reconhecer o espaço em suas divisões e recortes atuais, desafiando-nos a exercer plenamente aquela tarefa permanentemente dos intelectuais, isto é, a atualização dos conceitos”.    (Santos, 1994:102)                                                                                                     

O autor procura problematizar o tema Região e Regionalização sem se preocupar com as diversas conceituações dadas pelas correntes geográficas, procurando dar ênfase à produção do conhecimento e a necessidade de se fazer recortes do espaço para efeitos de estudos.  Para tal ele busca o pensamento de diversos geógrafos e pensadores da geografia, tais como La Blache, Sauer, Hartshorne procurando através da evolução do conceito de região respostas para a problemática disposta e formas de se entender e utilizar esses conceitos no paradigma atual que vivenciamos.  Ver a região não apenas como um recorte espacial, mas como algo dinâmico e de múltiplas escalas.
Para ele mesmo com a globalização e sua homogeneização existe uma reconstrução da heterogeneidade e da fragmentação, dada ás novas desigualdades e diferenças que surgem em todos os cantos do planeta, o que proporciona um retorno ás singularidades e ao especifico. Isso também pode ser evidenciado na proliferação das geografias regionais populares, bem como no discurso da mídia e na formação do senso comum.
Suas reflexões também nos traz a discussão da questão regional fora do âmbito da geografia, discussão esta feita pelas diversas ciências sociais tais como a Antropologia, História, Sociologia, passando também pelas ciências naturais onde conceitos como de Biorregião tem sido amplamente discutidos.
Num panorama em que muitos preconizam o fim da região, do território, ou mesmo da Geografia, por conta de um processo global de expansão dos mercados, mas que gera pobreza e exclusão social, criando e recriando fatos políticos, o conceito de região torna-se fundamental na análise das questões sociais e no pensar da Geografia como ciência humana. E é nesse contexto que ele reproduz Gilbert (1988) “(...) os geógrafos estão redescobrindo o estudo do especifico”.
Haesbaert, traça um longo caminho antes de chegar a novas concepções da Geografia Regional contemporânea, fazendo um estudo sobre a origem etimológica do termo região e os primórdios de formação da Geografia Regional.  É na origem do termo região que observa uma grande polissemia de entendimentos, que perpassa desde a ideia de recorte ou parte do todo que são sugeridas nas definições “esfera de domínio de algo” ou “espaço ocupado por alguma coisa”, até a relação de poder vinculada a raiz do termo “regere” comandar. É fazendo uma reflexão sobre os diferentes recortes do tempo e espaço que ele (o autor) nos diz que pensar em região, antes de tudo é pensar nos processos de regionalização seja como simples procedimento metodológico ou dinâmica vivida e produzida pelos grupos sociais.
“Região: dos primórdios ao período hegemônico”, é nessa viagem pelo tempo que Haesbaert busca o pensamento de diversos geógrafos e suas concepções de regionalização e região, citando Hartshorne e sua clássica obra “A Natureza da Geografia” como sendo pioneira nas reflexões teóricas sobre a transformação do pensamento regional, ou na própria construção da geografia moderna. Referencias também são feitas aos modelos geográficos de Estrabão e Ptolomeu que embora considerados opostos já apresentava claramente diferenciações entre a Geografia geral e regional.
Por fim ele nos coloca que considerando a trajetória ao longo da historia do pensamento geográfico, facilmente identifica-se fases de um rico processo de construção, destruição e reconstrução do conceito de região. E é nesse percurso conceitual que ele coloca a intencionalidade de seu trabalho de retomar de maneira sucinta este debate, priorizando os momentos de ruptura ou os momentos em que de alguma forma foi decretada a morte da região. Expressando então que o conceito de região e, por extensão, os processos de regionalização que o acompanham, epistemologicamente falando, são moldados dentro de um amplo continuum, desde a visão mais racionalista que percebe a região como mero constructo do nosso intelecto, instrumento que permite entender a dinâmica das partes do espaço geográfico, até abordagens mais realistas, em torno de fenômenos ocorridos provenientes das relações ali vivenciadas.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A CARTOGRAFIA SOCIAL COMO FERRAMENTA PARA PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS


Marcos Barros
Resumo do artigo apresentado
no SEMEX - Seminários de Extensão da UFBA,
Edição  no anuário SEMEX UFBA 2012.

A Cartografia Social é uma ferramenta de planificação e transformação, fundamentada na motivação, participação e desenvolvimento de ações de origens comunitárias/coletivas, visando a formação da cidadania dos indivíduos. Instrumento de exercício participativo, recurso que deve auxiliar e dar mais precisão a discussão etnográfica e antropológica, contribuindo para a compreensão do patrimônio cultural dos povos  permitindo o seu auto-conhecimento. A construção de mapas temáticos levam a reflexão e ao descobrimento por parte dos habitantes de uma região, sobre suas territorialidades no que diz respeito ao seu espaço geográfico, realidade social  econômica, histórico cultural, ambientais e de sustentabilidade. As comunidades tradicionais embora possuam uma cultura peculiar e dominem saberes populares de senso comum, apresentam um baixo nível de escolaridade formal e poder econômico, o que dificulta sua compreensão sobre  suas realidades e potencialidades e a capacidade de organização para solução de problemas individuais e coletivos. Com base nessas afirmativas que dirigimos nossos trabalhos, lançando mão da Cartografia Social, como mecanismo de união dos saberes acadêmicos e populares e no uso desses conhecimentos para a preservação do meio ambiente, bem como com a produção dos etnomapas,  contribui potencialmente para uma melhor visão do espaço geográfico  no que diz respeito a sua gestão territorial ambiental pelas comunidades. As ações desenvolvidas pelo grupo de Mapeamento Biorregional do Projeto Marsol (Maricultura Solidária) do Instituto de Biologia da UFBa, que atua a mais de um ano com comunidades marisqueiras e quilombolas na região de Santiago do Iguape, município de Cachoeira no Recôncavo Baiano e no distrito de Graciosa, município de Taperoá no Baixo Sul Baiano tem como objetivo oferecer aos membros dessas comunidades o direito de mapear seus territórios e de se transformar em protagonistas de sua própria identidade, produzindo uma cartografia social baseada nos seus conhecimentos, tendo como produto final mapas que reflitam o entendimento dos membros das comunidades sobre o seu território e a relação de sua cultura com o mesmo, instrumentalizando  os membros das comunidades  no uso de ferramentas e técnicas cartográficas,  desenvolvendo a capacidade de ler e interpretar informações contidas em mapas e cartas, bem como sua confecção e aplicações práticas no cotidiano. O conceito que norteia a busca pelo alcance dos objetivos é que relações entre culturas e saberes diversos produzem uma pluriculturalidade e uma simbiose de conhecimentos que através da cartografia social auxiliem na produção conjunta de técnicas e manejos para a preservação e gestão sustentável do meio ambiente colaborando na melhoria das condições de vida das comunidades. Como proposta metodológica são realizadas oficinas dirigidas de forma participativa e integrada, coletando histórias sobre os diversos temas levantados, fotografando, filmando e georeferenciando em campo os pontos do território a serem mapeados, com a colaboração de todos os membros possíveis da comunidade, afim de que se torne uma construção coletiva que sirva de base para elaboração de novos projetos sociais, familiarizando a comunidade com as práticas de trabalhos coletivos/comunitários, buscando uma interação social na solução de problemas comuns. Durante o segundo semestre de 2011 foram confeccionados 04 mapas temáticos pelas comunidades do Kaonge, Dendê, Kalembá, Engenho da Ponte e Engenho da Praia no município de Cachoeira-Ba, abordando diversos temas como Cultura, Historicidade, Religião, Águas, etc., Essa produção coletiva, já apresenta frutos do trabalho desenvolvido, pois as comunidades tem feito uso dos mapas em diversas ações de iniciativas próprias, base para divulgação de ações comunitárias, participando também  junto ao grupo acadêmico como multiplicadores em outras comunidades na confecção de mapas e na motivação das mesmas, tendo uma participação ativa e consolidada.

domingo, 29 de julho de 2012


MAPEAMENTO BIORREGIONAL
Técnicas de Cartografia Social
Produção : Marcos Barros

Foto: mapa produzido pela comunidade de Graciosa/ Município de Taperoà  tendo como facilitadores a turma do ACC  Mapeamento Biorregional / UFBA no 1º semestre de 2011


INTRODUÇÃO
As complexidades do mundo atual nos leva a construir estratégias e criar novos instrumentos que possam ajudar na compreensão e analise dos novos paradigmas que se configuram, dando origens as novas relações de mundo. Nessa visão territorial – global, surge a Cartografia Social como ferramenta de planificação e transformação, com uma fundamentação na motivação, participação e desenvolvimento de ações de origens comunitária/coletiva, lançando mão também de diretivos de rede e ações planejadas como nas modernas gestões empresariais visando sobre tudo a formação da cidadania dos indivíduos. Assim a Cartografia Social é um instrumento de exercício participativo, um recurso que deve auxiliar e dar mais precisão a discussão  etnográfica e  antropológica, contribuindo para a compreensão do patrimônio cultural dos povos e permitindo o auto-conhecimento de cada um, onde a construção de mapas temáticos levam a reflexão e ao descobrimento por parte dos habitantes de uma região, sobre suas territorialidades no que diz respeito a espacialidade geográfica, realidades sócio econômicas, histórico cultural, etc.

OBJETIVOS
Oferecer aos membros de comunidades tradicionais o direito de mapear seus territórios e de se transformar em  protagonistas de sua própria identidade, produzindo  uma cartografia social baseada no conhecimento das comunidades tradicionais, tendo como produto final  mapas que reflitam o entendimento dos membros das comunidades sobre o seu território e a relação de sua cultura com o mesmo.  
Desenvolver técnicas capazes de auxiliar no processo de aplicação dos conceitos de Cartografia Social, junto as comunidades tradicionais.
Criar metodologias de prática das técnicas cartográficas de forma que se tornem accessíveis aos membros das comunidades, tornando-os capazes de aplicar os conhecimentos adquiridos na solução das problemáticas sociais.
Identificação das contribuições e benefícios da utilização da Cartografia Social para com o desenvolvimento de ações e iniciativas sociais.
Instrumentalizar o aprendizado no uso de ferramentas e técnicas cartográficas modernas desenvolvendo a capacidade de ler e interpretar informações contidas em mapas e cartas diversas bem como sua confecção e aplicações práticas no cotidiano comunitário.

PROPOSTA METODOLÓGICA
O processo de confecção de Mapas Biorregionais, usando técnicas cartográficas, junto às comunidades devem ser dirigidos de forma participativa e integrada,  com a colaboração direta de todos os seus membros possíveis, afim de que se torne uma construção coletiva, que sirva de base para elaboração de novos projetos sociais, familiarizando a comunidade com as práticas de trabalhos coletivos/comunitários, buscando uma interação social na solução de problemas comuns. Assim os conhecimentos devem ser passados de forma prática, procurando fugir a métodos convencionais, e criando dinâmicas de trabalho a fim de manter o clima de satisfação e motivação dos participantes, realizando atividades de preferência ao ar livre e no campo, aproximando o desenvolvimento das ações com o cotidiano de vida de todos os envolvidos, bem como procurando facilitar o entendimento das técnicas a serem empregadas e suas utilidades no contexto do dia a dia da vida de cada cidadão.

FONTES DE PESQUISA
Os estudos aqui abordados foram desenvolvidos durante a realização do ACC Mapeamento Biorregional, nas comunidades do Kaonge, Dênde, Kalembá, Engenho da Ponte e Engenho da Praia na região da Bacia do Iguape, município de Cachoeira no Recôncavo Baiano durante o 2º semestre de 2011 e do Grupo de Mapeamento Biorregional do Projeto MARSOL nas atividades  realizadas nas comunidades de Graciosa município de Taperoá  (Baixo Sul) e Engenho da Cruz (Recôncavo) bem como literaturas diversas sobre o tema Cartografia Social.

CONCEITOS BÁSICOS
Cartografia – conjunto de técnicas, estudos e operações cientificas, para confecção e analises de mapas, modelos em relevo do globo, representando a Terra ou parte dela e ou qualquer parte do Universo.
Mapa – representação convencional gráfica de fenômenos concretos e abstratos da Terra ou de qualquer parte do Universo.
Cartografia Social – ferramenta de planificação e transformação social, utilizada como apoio nas atividades de desenvolvimento comunitário, através da participação descentralizada e democrática, onde é fundamental a atuação de todos os atores membros da comunidade.
Investigação e Ação Participativa – é uma forma de abordagem da problemática social, através da investigação participativa, procurando criar um diagnostico e dar repostas concretas na solução e mudanças das realidades sociais.
Elementos Cartográficos - As convenções cartográficas abrangem símbolos que, atendendo às exigências da técnica, do desenho e da reprodução fotográfica, representem de modo mais expressivo, os diversos acidentes do terreno e objetos topográficos em geral. Elas permitem ressaltar esses acidentes do terreno, de maneira proporcional à sua importância, principalmente sob o ponto de vista das aplicações da carta. (Fonte IBGE).

DESENVOLVIMENTO
1 – As atividades propostas a serem desenvolvidas junto às comunidades durante o processo de construção coletiva do Mapeamento Biorregional, foram divididas em oficinas onde serão apresentados aos participantes às técnicas e os elementos cartográficos constantes em mapas e cartas, sua utilização prática bem como o processo de confecção dos mesmos iniciando uma discussão sobre escolha dos temas a serem mapeados, produção de textos, fotos e vídeos, levantamento histórico, cultural, etnológico e da diversidade biogeográfica territorial.


ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS    

ORIENTAÇÃO:
Rosa dos Ventos, Pontos Cardeais, Colaterais, Sub Colaterais.
Norte Geográfico, Norte Magnético,
Materiais: Bússola, Mapas, Projetor de Imagens.




ESCALAS
Escala Numérica e Cartográfica
Noção de proporção entre o Território real e a representação no mapa, distâncias.
Materiais – Mapas, Calculadora, Projetor




COORDENADAS
Latitude, Longitude, Linha do Equador, Meridiano de Greenwich (Meridianos e Paralelos)
Materiais – Globo terrestre, Mapas, Projetor.






LOCALIZAÇÃO/PROJEÇÃO
Enquadramento do Território comunitário na Espacialidade Geográfica (Como a comunidade se vê?)
Materiais – Imagens de Satélite, Projetor de Imagens










FONTE E TITULO
Definição dos temas a que se destinam os mapas, referências sobre a obtenção e veracidade dos dados contidos nos mesmos.
Materiais – Mapas diversos temáticos.










LEGENDAS
Disposição e inserção dos conteúdos nos mapas, leitura e interpretação da linguagem cartográfica.
Materiais – Mapas, Projetor de Imagens









INSTRUMENTAÇÃO

Uso básico da Bússola e GPS, (SIGs para comunidades multiplicadoras). Coleta de pontos no campo dos conteúdos a serem mapeados.
Ida a campo em grupos para fotografar, filmar e coletar pontos com o GPS a serem mapeados.
Discussão e avaliação do campo com relatos das experiências obtidas nas vivências práticas.
Materiais – Bússola, GPS, papel, lápis, cartolina, Projetor de Imagens, computador, máquina fotográfica, filmadora.
Transposição dos pontos para os mapas bases, com uso de computador e programas de SIG.
















domingo, 15 de julho de 2012

VULCANISMO

     

Formação dos vulcões
Os vulcões são responsáveis pela liberação de magma acima da superfície da crosta. Eles funcionam como válvulas de escape do magma (rocha em estado ígneo) e dos gases que existem na camadas mais interiores da Terra.

Tais materiais encontram-se sob altíssima pressão, assim como sob elevadas temperaturas. Diz-se, ainda, que o movimento das placas tectônicas pode causar as erupções vulcânicas.

Os vulcões resultam de uma fusão parcial, sob condições específicas, dos materiais das profundas camadas do interior do Planeta, fusão que produz o magma, expelido através de uma cratera ou fenda. As zonas onde ocorre esta fusão parcial estão ligadas à dinâmica do globo, e a distribuição dos vulcões na face da Terra é explicada de modo coerente pela teoria das placas tectônicas.

Em alguns casos os vulcões ocorrem em "ponto quente" no meio das placas tectônicas, como o caso do campo vulcânico no parque nacional de Yellowstone nos Estados Unidos ou das ilhas Havaianas.

Os vulcões marcam os grandes acidentes da litosfera e sua localização é classificada em função dos movimentos gerados pelo deslocamento das placas: zonas de divergências ou de abertura, como as dorsais oceânicas ou certas bacias de afundamento, zonas de convergências ou de subducção, que dão origem aos arcos insulares (Japão, Ilha de Sonda) e às cordilheiras de limites de placas (Andes); zonas "intraplaca", delimitadas pela existência de fissuras locais na crosta terrestre.

A profundidade e a diversidade dos materiais, determinam a composição das magmas. Assim, o magma resultante de vulcanismo ligado às zonas de divergências é de natureza toleítica; o proveniente de vulcanismo ligado à subducçaõ é calco-alcalino; e o originado de vulcões intraplaca é essencialmente alcalino.

Os produtos vulcânico são classificados segundo a composição química e mineralógica ou segundo propriedades físicas. Distinguem-se assim, as lavas, as projeções e os gases.

As lavas é a parte líquida do magma; ela forma o derramamento ou a extrusão, de acordo com sua maior ou menor viscosidade. Em geral, as lavas básicas são mais fluidas que ácidas, e se solidificam rapidamente e são freqüentemente cheias de bolhas.

As projeções resultantes das fases explosivas são classificadas em função de suas dimensões em : bombas, escórias, lapíli (produtos sólidos provenientes das erupções vulcânicas, do tamanho da avelã), cinzas e poeiras. A cimentação dessas projeções forma os tufos vulcânicos (qualquer dos produtos de projeção vulcânicas que se hajam consolidado). Os gases dissolvem-se na água ou na atmosfera, interferindo sobremaneira na evolução destas.

Onde duas placas movem-se se afastando, as erupções vulcânicas não são tão explosivas, gerados apenas rios de lavas mais fluida com entre 1 e 10 metros de espessura que se espalham por vastas áreas. Neste caso formam-se vulcões com bases maiores e mais inclinados. Os vulcões no Havaí e Islândia são exemplos típicos desse tipo de vulcão.

O mesmo não acontece quando as placas colidem. Nesse caso as erupções são violentas. A lava é grossa e viscosa, e nuvens de gás, poeira e fragmentos de lava podem ser lançados na atmosfera. O magma esfria rapidamente e acumula-se em volta da fenda, formando vulcões mais altos com os lados íngremes e com o diâmetro do cone central menor. A colisão das placas na crostas oceânicas produziu arcos de ilhas, como as Antilhas e as ilhas japonesas.

A maioria dos mais altos são na verdade, uma composição dos dois tipos descritos acima. São formados por um ciclo de pequenas erupções de lava fluida, que cria uma base resistente e extensa, seguida de erupção explosiva que forma um cone central resistente.

No passado grandes explosões de lava fluida de complexos sistemas de fissuras aconteceram e formaram extensos platôs de até 130,000 Km², como é o caso do Platô Columbia nos estados de Oregon e Washington nos Estados Unidos. Erupções ainda mais volumosas, embora quietas acontecem até hoje no fundo dos oceanos, onde os pavimentos está em constante formação.

Vulcões com erupções são chamados ativos, e aqueles onde não ocorrem mais erupções são os extintos. Os vulcões apresentam, períodos de "repouso" (fase de letargia) mais ou menos longos (de100 a 10 mil anos podendo chegar a até 100 mil anos).

Os vulcões são responsáveis pela formação de rochas ígneas, também chamadas eruptivas, magmáticas ou vulcânicas. Elas nada mais são do que a lava solidificada. A lava geralmente sai do vulcão a uma temperatura de 850º a 1250º C. Normalmente a lava inclui alguns cristais flutuantes no material líquido. Se a lava esfria devagar os cristais podem ter tempo para crescer. Os vulcões também são responsáveis pela formação de montanhas.

A forma dos edifícios vulcânicos depende da dinâmica, isto é, das propriedades físicas dos produtos emitidos, assim como da profundidade (entre 5 a 20 Km) e do volume da câmara ou reservatório magmático. As erupções vulcânicas podem ser brutais. Dentre as mais mortíferas, destacam-se as erupções do Krakatoa, na Indonésia (1883); a do monte Pelée, na Martinica (1902) e a do Nevado Del Ruiz, na Colômbia (1985).

Importância do Vulcanismo
O vulcanismo é um fenômeno natural dos mais importantes que acontecem na crosta terrestre e principalmente no fundo dos oceanos, que cobrem 2/3 da superfície de nosso planeta e que são totalmente formados de lavas, onde também encontramos a mais colossal cadeia montanhosa com cerca de 7.000 Km de comprimento, 1.000 de largura e 3.000 de altura a grande dorsal suboceânica, que é formada por uma ininterrupta sucessão de vulcões.

Sua importância torna-se ainda mais visíveis quando levamos em consideração que as lavas constituem o principal componente da crosta terrestre, os movimentos das placas rígidas que esta crosta é formada e que está estreitamente relacionada aos fenômenos vulcânicos, participando tanto dos tremores de terra como do fundo oceânico, da deriva dos continentes e na participação do erguimento de montanhas.

O vulcanismo teve papel determinante nos primórdios da formação geológica de nosso globo, além disso ele também é responsável pelo aparecimento de novas terras e na subsistência de milhares de pessoas que vivem e cultivam as ricas terras de seus arredores. Sem a poeira e as cinzas vulcânicas , os solos seriam bem mais pobres e menos férteis, e sem fumarolas sulfurosas, existiriam menos jazidas metalíferas como as de cobre, zinco, magnésio, chumbo, mercúrio e outros, das quais a humanidade se aproveita.

Os vulcões provêem uma grande quantidade de riquezas dos recursos naturais. Emissão de pedra vulcânica, suprimento de gás a vapor são fontes de materiais industriais importantes e de substâncias químicas, como púmice, ácido bórico, amônia, e gás carbônico, além do enxofre. Na Islândia a maioria das casas em Reykjavik tem água aquecida proveniente dos vulcões. Estufas são aquecidas da mesma maneira e podem prover legumes frescos e frutas tropicais para esta ilha de clima báltico. Também é explorado o vapor geotermal como uma fonte de energia para a produção de eletricidade na Itália, Nova Zelândia, Estados Unidos, México, Japão e Rússia.

O estudo científico dos vulcões provê informação útil sobre os processos de mudança da Terra. Apesar do constante perigo e destrutivo do vulcões, as pessoas continuam a viver próximas aos mesmos devido à fertilidade do solo vulcânico. Elas também são atraídas pela energia geotérmica, abundante nestas regiões, além de fonte de turismo.

Lava e Magma
Fundida, quente ou liquefeita, as rochas localizadas profundamente debaixo da superfície da Terra são chamadas de magma.

Quando um vulcão estoura ou uma fenda ou rachadura acontece na Terra, o magma sobe e transborda. Quando flui para fora do vulcão ou fenda, normalmente misturado com o vapor e suprimento de gás, é chamada de lava. A lava fresca varia de 1,300º a 2,200º F (700º a 1,200º C) em temperatura e brilhos vermelho a branco quando flui. Quantidades enormes de lava, bastante para inundar a zona rural inteira, podem ser produzidas pela erupção de um vulcão principal. Durante a erupção do vulcão Mauna Loa no Havaí em 1887, aproximadamente 2,3 milhões de toneladas métricas de lava por hora foi despejada por mais de seis dias.

Algumas lavas são bastante líquidas para fluir em declivo a 55 quilômetros por hora. Outros movem-se à taxa de só poucas polegadas por dia. A velocidade do fluxo depende da temperatura e composição do material da lava. Todas as lavas contém uma alta porcentagem de sílica, uma combinação composta de elemento químico, silicone e oxigênio. Dependendo da quantidade de sílica existente na lava, ela pode ser classificada de seguinte forma:

• Lavas que contem de 65 a 75% de sílica são chamadas rhyolites. As lava rhyolites derretem a mais baixas temperaturas e estão mais leves em peso e cor que as formadas de balsatos. Lavas de Rhyolites são bastante viscosas, ou espessas, e contém grandes quantidades de gás. O gás ferve frequentemente e é lançado para fora com a força explosiva e expele quantias grandes de cinzas;

• As lavas com 50 a 65% de sílica são andesites;
• As lavas com menos de 50% de sílica são basaltos.

Porém, às vezes quando a lava é lançada mais lentamente surgem bolhas em sua superfície ou até mesmo quando a lava endurece. Quando estas bolhas são minúsculas e acumuladas muito próximas, formam-se um tipo de rocha mais leve chamada púmice, conhecida por nós como pedra pomes. Qualquer tipo de lava pode se transforma em púmice, mas a maioria delas desenvolve-se em rhyolites.
A púmice é comercialmente usada para limpar e polir madeira, metal, e outras superfícies. Mais recentemente ela é usada em argamassa para a construção, revestimento de concreto, isolante, forração para paredes acústicas e gesso.


Partes de um vulcão:

                          
                          

Durante as erupções são expelidos materiais gasosos, líquidos e sólidos. Muitas vezes o material gasoso é expelido junto com partículas sólidas(cinzas), que podem atingir quilômetros de altura. Outras vezes, podem formar fumarolas, nuvens densas e opacas que deslizam pelos lados do vulcão, formando as nuvens ardentes, cuja temperatura pode atingir 1000ºC, queimando tudo que encontram.

Entre os gases expelidos em maior quantidade acham-se os gases sulfurosos, com forte cheiro de enxofre, hidrogênio e grande quantidade de vapor d’água(80 a 95% do total). A parte líquida é constituída pelas lavas, material magmático, em estado de fusão, devido às altas temperaturas, superior a 1000ºC, que se deslocam pelos lados do cone vulcânico. Muitas vezes, ao solidificar, as lavas formam colunas prismáticas, cujo exemplo mais significativo é a denominada "Calçada dos gigantes", na Irlanda.

A matéria sólida ou piroclástico, constitui-se de pedaços das paredes das chaminés, da base do vulcão, ou mesmo pedaços de lava resfriada que são lançadas para o alto através da atmosfera, conhecidas como pedras pomes.

A cinza é a mais comum dos materiais sólidos. Juntamente com os fragmentos, as cinzas podem causar grandes catástrofes, soterrando cidades, quando se depositam em camadas de grande espessura, como aconteceu no ano de 79 d.C, quando inesperadamente o monte Vesúvio entrou em erupção e suas cinzas soterraram as cidades de Pompéia e Herculano do antigo Império Romano.

Sob a crosta terrestre, a uma profundidade de 30 a 70 Km, existe uma camada de rochas, composta de silício e magnésio, e por isso chama-se Sima. A uma temperatura de mais ou menos 1330ºC e sob enormes pressões, essa camada de rocha mantém-se constantemente em estado pastoso (magma). As enormes pressões ainda provocam fendas na crosta, pelas quais o magma pode aflorar à superfície da Terra. Não se sabe ao certo o que impele o magma para cima. Supõe-se que seja a pressão dos gases ou o peso da crosta.

No próprio depósito de magma, origina-se a chaminé, uma das partes que compões o edifício  vulcânico. É uma espécie de funil por onde passa os materiais de erupção. Estes vão até a cratera  afunilada que se forma nas primeiras explosões do vulcão. Fica geralmente no topo da montanha vulcânica, parte externa do vulcão, em formato de cone. Nem todos os vulcões tem cone. Na ausência deste, a lava e os materiais de erupção são expelidos através de uma fenda solo.

Mas também existem alguns vulcões que apresentam duas ou mais crateras que são chamadas de crateras secundárias e outros apresentam, além da cratera principal, fissuras ou rachaduras no solo por onde saem fumarolas e lava.

As maiores erupções vulcânicas e mais explosivas lançam dezenas a centenas de quilômetros cúbicos de magma sobre a superfície da Terra. Quando um grande volume de magma é removido de baixo de um vulcão, o solo abaixa ou se desmorona no espaço esvaziado, forma uma depressão enorme chamada caldeira. Algumas caldeiras estão a vários quilômetros de profundidade medindo mais de 25 quilômetros de diâmetro. A caldeira agora preenchida pelo Lago da Cratera – Crater Lake, no estado americano do Oregon foi produzido por uma erupção que destruiu um vulcão do tamanho do Monte Sta. Helens e sua cinza vulcânica enviada ao leste distante como Nebraska.

Processos de erupções vulcânicas
Um vulcão quando inicia sua fase de atividade começa com a liberação de gás de enxofre(altamente tóxico), seguido de explosões que lançam lavas. A lava é composta basicamente de ferro e silicato de alumínio em estado pastoso. A composição química do magma ou lava e a quantidade de gás que contém determina a natureza da erupção vulcânica. Basaltos carregados de gás produzem cones de lava. Erupções mais violentas ocorrem quando grandes nuvens de lava entram em contato com a água, produzindo cinza finamente granulada. Quando andesitas, um tipo de mineral, estão carregadas com gás, elas explodem violentamente. Nuvens incandescentes são extremamente destrutivas. Elas são produzidas pelo magma que rompe de forma explosiva na superfície, expelindo gases e derramando lavas derretida pelas encostas das montanhas, a grande velocidade.

Nem todas as erupções são iguais, distingue-se oito tipos de atividade vulcânica:

• Erupção inicial;
• Atividades explosivas;
• Expulsão rítmica de cinza;
• Lagos de lavas;
• Efusão lenta;
• Formação de nuvens ardentes;
• Erupção linear;
• Erupção submarina.

A erupção inicial, caso muito raro, ocorre em lugares onde nunca existiram vulcões, ou onde os vulcões existentes há muito tempo não entram em erupção. Este é o caso do Paricutin no México em 1945. O qual foi estudado de perto e detalhadamente. Primeiro houve fortes tremores de terra. Depois, formou-se repentinamente uma fenda no chão, com meio metro de largura. Desta fenda iniciou-se, logo em seguida, a expulsão de gases e cinzas. Dois dias mais tarde, começou o derramamento de lava. A expansão de gases no interior do vulcão provoca explosões, projetando fragmentos de lava, que muitas vezes se solidificam no ar. Assumem, então, a forma de bombas, isto é, blocos de material sólido ou parcialmente pastoso, que apresentam o aspecto de fuso retorcido, e ou de rapilhos, pedrinhas ou cinzas, se os fragmentos são de dimensões menores.

Expulsão ritimica de cinzas também chamada estrambolina, como do  vulcão Strombolino, na Itália, é um dos melhores exemplos deste tipo. O fenômeno se inicia com emanações de vapores, seguida de expulsão de lavas e de fragmentos de material quebrado pelas explosões que são projetadas no espaço e tornam a cair no interior da cratera. Sobrevêem cerca de uns quinze minutos de calma, após reinicia o ciclo, que dura um ou dois minutos.

Lagos de lavas ou também chamado atividade do tipo havaiano. São bem poucos os vulcões que se enquadram nesta categoria e um desses casos raros é o Kilauea, localizado no monte Mauna Loa (cerca de 4200 metros), no Havaí. Tem uma vasta cratera, e em seu interior está o lago de lavas fundida e incandescentes, com a temperatura de cerca de 1050º C na superfície.

Efusão lenta representa um estágio muito comum, e ocorre ocasionalmente no Vesúvio e no Etna (Itália). A lava sai da cratera ou dos flancos, e derrama-se lentamente pelos lados da montanha vulcânica.

As nuvens ardentes são provocadas pela grande quantidade de gases que podem ficar na lava sob forte pressão. A força expansiva dos gases, que se exerce sobre o teto, acaba por rompê-lo. Então a pressão bruscamente decresce, e ocorre a explosão, acompanhada de lava e fragmentos incandescentes e gases superaquecidos. Juntamente com os gases, essas partículas formam uma espécie de nuvem e, sob pressão gasosa, explodem no interior da própria nuvem.

A erupção linear verifica-se em algumas regiões da crosta, sujeitadas a grande tensão, podem abrir-se largas e profundas fendas. Quando estas atingem a área magmática, e são novamente abertas pela repetições de pressões, ocorrem atividades vulcânicas de natureza explosiva ou efusiva e ocorrem com maior frequência na Islândia.

As erupções submarinas, como o próprio nome está dizendo, ocorrem nas profundezas de mares e oceanos no que, não raro, faz elevar-se novas terras e surgir uma ilha do dia para a noite.

Após uma erupção, lentamente a lava se resfria, se solidifica e obstrui a chaminé. Se a obstrução for completa, diz-se que o vulcão está extinto. Se é incompleta, deixando uma abertura por onde passem as fumarolas ou gases, o vulcão está temporariamente inativo. Passando alguns anos, costuma-se suceder que reservatório de magma se enche novamente, e começa a empurrar o obstáculo formado pela lava solidificada. Quando essa pressão vence a resistência, verifica-se na erupção, precedida de tremores da terra, ruídos, fendas e fumaça.


A maioria dos vulcões compostos tem uma cratera no ápice que contém uma abertura central ou um grupo de várias aberturas. A lavas ou fluem pela abertura do muro da cratera ou sai das fissuras nos flancos do cone. A lava, solidificada dentro das fissuras, formam diques que agem como apoio e fortalecem muito o cone do vulcão. A característica essencial de um vulcão composto é um sistema de canal pelo qual o magma do fundo da crosta terrestre da Terra sobe para superfície.

O vulcão é construído pelo acúmulo de material que flui pelo canal e aumenta o vulcão em tamanho com mais lava, cinzas, e outros materiais vulcânicos, etc.., que são adicionados as suas rampas. Quando um vulcão composto fica inativo ou adormecido, a erosão começa a destruir o cone. Quando o cone é destruído, o magma endurecido que enche o canal(tampa a cratera) e as fissuras(os diques) é exposto, e também é lentamente reduzido através da erosão. Finalmente, todos os restos remanescentes voltam tapar o complexo de diques que projeta sobre a superfície da terra – uma sombra que lembra o desaparecimento do vulcão.


Caldeiras
Caldeiras são depressões normalmente grandes, cercadas com escarpas íngreme, amoldadas em forma de bacias formadas pelo colapso de uma grande área em cima e ao redor de uma mais  aberturas vulcânicas. As Caldeiras variam em forma e são classificadas segundo os tamanhos das depressões aproximadamente circulares medindo de 1 a 15 milhas de diâmetro e para as enormes depressões alongadas medindo tanto quanto 60 milhas de comprimento.