Em 1608, um fabricante de óculos holandês desenvolveu uma espécie de “óculos de alcance”, que trazia os objetos oito vezes mais perto. O matemático italiano Galileu Galilei soube da novidade e não demorou a construir seu próprio instrumento, com melhorias que permitiam um aumento de 20 vezes. A genialidade de Galileu não se deu apenas no aperfeiçoamento dos tais óculos, mas principalmente na sua utilização. Em vez de ficar bisbilhotando a vizinhança, ou observando navios distantes, Galileu apontou sua invenção para os céus e fez mais descobertas que mudaram o mundo do que qualquer outro já tinha feito antes.

Esse foi o marco inicial de uma ciência chamada Astronomia. Desde então, outras invenções revolucionárias ampliaram enormemente nossa percepção do universo. São telescópios localizados no alto de montanhas em desertos inóspitos ou a 300 mil quilômetros de distância no espaço, detectores de radiação enterrados no gelo do pólo sul e aceleradores de partículas tão grandes que atravessam países. Por isso, hoje sabemos que a Via Láctea é apenas uma entre bilhões de galáxias, compostas por dezenas de bilhões de estrelas cada uma. Podemos descrever o surgimento da matéria, a formação das galáxias, o nascimento das estrelas e de seus subprodutos, os planetas. Nos arriscamos até em prever quando e como se dará o fim do sistema solar.
Nestes 400 anos nosso acúmulo de conhecimento foi de tal magnitude que, recentemente, descobriu-se que 95% do universo é formado por algo completamente desconhecido. A maior parte do universo não é feito do mesmo material que nós somos feitos, de átomos. Parece que estamos vivendo um novo período pré-galileano. Então, o que está por vir pode ser ainda mais fascinante e revolucionário.

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