sexta-feira, 27 de abril de 2012

SUSTENTABILIDADE



Planeta só será sustentável com controle do consumo e população 


O consumo excessivo em países ricos e o rápido crescimento populacional nos países mais pobres precisam ser controlados para que a humanidade possa viver de forma sustentável. A conclusão é de um estudo de dois anos de um grupo de especialistas coordenados pela Royal Society (associação britânica de cientistas).
Entre as recomendações dos cientistas estão dar a todas as mulheres o acesso a planejamento familiar, deixar de usar o Produto Interno Bruto (PIB) como um indicativo de saúde econômica e reduzir o desperdício de comida.
O relatório da Royal Society será um dos referenciais para as discussões da Rio+20, cúpula que acontecerá na capital fluminense em junho próximo.
"Este é um período de extrema importância para a população e para o planeta, com mudanças profundas na saúde humana e na natureza", disse John Sulston, presidente do grupo responsável pelo relatório.
"Para onde vamos depende da vontade humana - não é algo predestinado, não é um ato de qualquer coisa fora (do controle) da humanidade, está em nossas mãos".
John Sulston ganhou renome internacional ao liderar a equipe britânica que participou do Human Genome Project, projeto responsável pelo mapeamento do genoma humano. Em 2002, ele foi ganhador, junto com outro cientista, de um prêmio Nobel de Medicina, e hoje é diretor do Institute for Science Ethics and Innovation, na Manchester University, em Manchester.
Discussão retomada
Embora o tamanho da população humana da Terra fosse no passado um importante ponto de discussão em debates sobre o meio ambiente, o assunto saiu da pauta de discussões recentemente.
Em parte, isso aconteceu porque alguns cientistas chegaram à conclusão de que a Terra seria capaz de suportar mais pessoas do que o imaginado. Além disso, países em desenvolvimento passaram a considerar a questão como uma cortina de fumaça criada por nações ocidentais para mascarar o problema do excesso de consumo.
Entretanto, o tema voltou à pauta de discussões após novos estudos terem mostrado que mulheres em países mais pobres, de maneira geral, desejam ter acesso ao planejamento familiar, o que traria benefícios à suas comunidades.
Segundo a projeção "média" da ONU, a população do planeta, atualmente com 7 bilhões de pessoas, atingiria um pico de pouco mais de 10 bilhões no final do século e depois começaria a cair.
"Dos três bilhões extra de pessoas que esperamos ter, a maioria virá dos países menos desenvolvidos", disse Eliya Zulu, diretora execuriva do African Institute for Development Policy, em Nairóbi, no Quênia. "Só na África, a população deve aumentar em 2 bilhões".
"Temos de investir em planejamento familiar nesses países - (desta forma,) damos poder às mulheres, melhoramos a saúde da criança e da mãe e damos maior oportunidade aos países mais pobres de investir em educação".
O relatório recomenda que nações desenvolvidas apoiem o acesso universal ao planejamento familiar - o que, o estudo calcula, custaria US$ 6 bilhões por ano.
Se o índice de fertilidade nos países menos desenvolvidos não cair para os níveis observados no resto do mundo - alerta o documento - a população do planeta em 2100 pode chegar a 22 bilhões, dos quais 17 bilhões seriam africanos.
Ultrapassando Fronteiras
O relatório é da opinião de que a humanidade já ultrapassou as fronteiras planetárias "seguras" em termos de perda de biodiversidade, mudança climática e ciclo do nitrogênio, sob risco de sérios impactos futuros. Segundo a Royal Society, além do planejamento familiar e da educação universal, a prioridade deve ser também retirar da pobreza extrema 1,3 bilhão de pessoas.
E se isso significa um aumento no consumo de alimentos, água e outros recursos, é isso mesmo o que deve ser feito, dizem os autores do relatório. Nesse meio tempo, os mais ricos precisam diminuir a quantidade de recursos materiais que consomem, embora isso talvez não afete o padrão de vida.
Eliminar o desperdício de comida, diminuir a queima de combustíveis fósseis e substituir economias de produtos por serviços são algumas das medidas simples que os cientistas recomendam para reduzir os gastos de recursos naturais sem diminuir a prosperidade de seus cidadãos.
"Uma criança no mundo desenvolvido consome entre 30 e 50 vezes mais água do que as do mundo em desenvolvimento", disse Sulston. "A produção de gás carbônico, um indicador do uso de energia, também pode ser 50 vezes maior".
"Não podemos conceber um mundo que continue sendo tão desigual, ou que se torne ainda mais desigual". Países em desenvolvimento, assim como nações de renda média, começam a sentir o impacto do excesso de consumo observado no Ocidente. Um dos sintomas disso é a obesidade.
PIB
A Royal Society diz que é fundamental abandonar o uso do PIB como único indicador da saúde de uma economia. Em seu lugar, países precisam adotar um medidor que avalie o "capital natural", ou seja, os produtos e serviços que a natureza oferece gratuitamente.
"Temos que ir além do PIB. Ou fazemos isso voluntariamente ou pressionados por um planeta finito", diz Jules Pretty, professor de meio ambiente e sociedade na universidade de Essex.
"O meio ambiente é de certa forma a economia... e você pode discutir gerenciamentos econômicos para melhorar as vidas de pessoas que não prejudique o capital natural, mas sim o melhore", completa.
O encontro do Rio+20 em junho deve gerar um acordo com uma série de "metas de desenvolvimento sustentável", para substituir as atuais metas de desenvolvimento do milênio, que vem ajudando na redução da pobreza e melhoria da saúde e educação em países em desenvolvimento.
Não está claro se as novas metas vão pedir o compromisso de que os países ricos diminuam seus níveis de consumo. Governos podem ainda concordar durante o encontro no Rio a usar outros indicadores econômicos além do PIB.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

PEDAGOGIA LIBERTÁRIA -







A PEDAGOGIA ANARQUISTA COMO FORMA DE MUDANÇAS SOCIAIS.

Com o objetivo primordial de formar indivíduos livres através da autonomia, responsabilidade, solidariedade, e desenvolvendo valores de ordem coletiva, a pedagogia libertária, além de estabelecer novas formas de relações interpessoais, seja um instrumento de luta para a superação das condições de exploração que sustentam o capitalismo. Partindo do pré-suposto de que as bases do capitalismo são a exploração, a desigualdade e a heterogestão. São inúmeras as perspectivas teóricas e práticas da pedagogia libertária que se pode distinguir. No geral, uma das características centrais da proposta pedagógica dos anarquistas é o seu anti-autoritarismo.
A educação anarquista tem, ao lado do anti-autoritarismo, a autogestão como um dos seus principais focos. Mas por não ser a única tendência autogestionária em educação podemos diferi-la das demais: 1 – pela tendência não diretiva, muito próxima, do ponto de vista metodológico e psicológico, da tendência escolanovista e da pedagogia institucional, sendo Marx um dos seus maiores teóricos; 2 – pelas tendências, sustentada teoricamente pelos outros grandes nomes do anarquismo, e bases das experiências clássicas de escolas libertárias.
A pedagogia libertária, ao contrário da tendência não diretiva, não entende a liberdade como um meio de emancipação, mas como um fim, e a autoridade, longe de ser considerada perniciosa e combatida é antes de tudo boa e indispensável, mesmo que seja incongruente com o anti-autoritarismo que a mesma defende. Mas para podermos entender essa incongruência é necessário uma análise das concepções de poder e autoridade e as relações existentes entre saber e poder que os anarquistas defendem em suas propostas educacionais.
Para se compreender a pedagogia libertária, faz-se necessário entendermos um dos seus conceitos chaves: a Liberdade. O conceito de liberdade com o qual nós freqüentemente temos contato é aquele que foi desenvolvido pela filosofia política que culminaria no liberalismo, definido do ponto de vista burguês. Os anarquistas tem  um conceito de liberdade muito diferente do conceito dos liberais, sendo necessário explicitar as diferenças existentes entre as duas concepções para que possamos entender a real dimensão da proposta educativa libertária.
Os iluministas desenvolveram a construção teórica de sustentação de uma ordem social burguesa, pois na época, fazia-se necessário separar o homem em estado natural do civilizado. Para isso, acharam necessário estabelecer um contrato social que regesse as relações dos homens na comunidade, de forma a destituir  o direito natural do homem medieval. Assim, os liberais vão tratar da liberdade como um fenômeno natural, na qual o indivíduo, ao pactuar desta sociedade, deve abrir mão de uma parcela de sua liberdade em nome da segurança e da defesa de interesses que a comunidade lhe proporcionará. Essa renúncia é feita em nome de um gerenciamento coletivo do direito de propriedade que, se dava para garantir o direito da propriedade, pois vivia-se num momento em que era necessária uma consolidação política da propriedade burguesa, em oposição à dos nobres.
Já os anarquistas desenvolveram uma linha de pensamento bastante diferente, oposta a esse conceito de liberdade: a liberdade é a resultante da oposição de duas forças: a força de afirmação, a necessidade, e a força de negação, a espontaneidade. Quanto mais simples um ser vivo qualquer seja, mais será regido pela necessidade; quanto mais complexo, mais influenciado pela espontaneidade, sendo que esta, no seu último grau é a própria liberdade. Essa diferença conceitual, na qual a liberdade é entendida como um produto da sociedade e não como uma lei natural comum a todos os homens, será fundamental para a compreensão das idéias e experiências que os anarquistas desenvolveram em educação.
Assim com esse conceito de liberdade o anarquismo pretende criar uma sociedade justa, solidária e participativa e é por isso que suas idéias pedagógicas tentam ser condizentes com essas máximas. A pedagogia libertária  deve ser compreendida junto a todo um movimento social. A educação existe para reproduzir as  relações sociais e culturais geradas pelo sistema capitalista. Baseando-se nos princípios da  disciplina e autoridade, fazendo com que as pessoas, desde pequenas, se habituem a pensar e atuar  de forma conivente ao sistema estabelecido. Os princípios, que em maior ou menor medida, segue a  educação libertária são:
- Liberdade do indivíduo. Liberdade individual mas coletiva significa levar em conta aos  demais desde a responsabilidade de viver em grupo.
- Contra a autoridade. Ninguém manda em ninguém, tudo se faz por compromissos assumidos e a partir da decisão coletiva, aberta e sincera. 
- Autonomia do individuo, contra as dependências hierarquizadas e assumidas, cada indivíduo tem direitos e obrigações assumidas voluntariamente, responsabilidade coletiva e respeito.
- As pessoas enfrentam seus próprios problemas, criam suas convicções e suas razões.
- O jogo como acesso ao saber. Partindo do jogo é mais fácil desenvolver a solidariedade e o trabalho coletivo, a socialização e o ambiente positivo, alegre e sincero.
- Co-educação de sexos e social. A educação é igual e conjunta, sem discriminação de nenhum tipo por razões de gênero econômico ou sociais.
Marcos Barros.

domingo, 1 de abril de 2012

Brasil é o 10º maior consumidor mundial de energia elétrica

O Brasil é o décimo maior consumidor mundial de energia elétrica, segundo dados da Agência Internacional de energia (AIE), com sede em Paris. Desde 2001, o consumo de eletricidade no país aumentou quase 38%, acima da média mundial, que foi de 30% no período.
Apesar de significativo, o crescimento do consumo de eletricidade no Brasil ficou bem abaixo das taxas registradas pela China e pela Índia entre 2001 e 2009 (último dado disponível). Nesses dois países, o aumento foi, respectivamente, de 153% e de 64%, de acordo com a AIE.
Os Estados Unidos, a China, a União Europeia e a Índia representam mais de 60% do consumo mundial de eletricidade. O crescente aumento do consumo de energia é uma grande preocupação mundial.
Hora do Planeta
O evento Hora do Planeta, iniciativa da organização ambiental WWF, que prevê que as luzes sejam desligadas em várias cidades do mundo durante uma hora para lutar contra o aquecimento global, tem o objetivo de conscientizar a população mundial em relação ao problema. Nas previsões da AIE, a demanda mundial de energia primária (que existe de forma natural na natureza) deverá aumentar em um terço entre 2010 e 2035.
Até essa data, as emissões de CO2, um dos principais gases que provocam o efeito estufa, deverão crescer 20%, afirma a AIE. Em 2010, a procura mundial por energia primária aumentou 5%, um salto "considerável" na avaliação da agência internacional, que alerta para o fato de que isso provoca novos picos de emisões de dióxido de carbono. Apenas a China e a Índia, diz a agência, deverão ser responsáveis pela metade do crescimento da demanda de energia global até 2035.
Em geral, os países emergentes deverão representar 90% do aumento previsto da demanda global de energia até 2035, segundo a AIE. No Brasil, a demanda de energia primária deverá crescer 78% nesse período. "As taxas de crescimento de consumo de energia na Índia, na Indonésia, no Brasil e no Oriente Médio aumentam a um ritmo ainda mais rápido do que na China", ressalta a AIE em um relatório divulgado no final do ano passado.
Fontes renováveis
Apesar de estar no ranking dos dez maiores consumidores de energia, a AIE ressalta que o Brasil é um dos líderes mundiais na produção de energia hidrelétrica e de biocombustíveis, fontes de energia renováveis. De acordo com a agência, 45% da energia total produzida no Brasil é originária de fontes renováveis, enquanto a média nos países ricos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é de apenas 8%.
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de energia hidrelétrica, atrás da China. As fontes de energias renováveis não hidrelétricas (como a solar e a eólica) na geração de eletricidade em nível mundial ainda representam apenas 3% em 2009.
Mas a agência prevê que essa participação deverá aumentar para 15% em 2035 graças ao aumento dos recursos para desenvolver essas outras fontes, principalmente na União Europeia e na China. Também segundo a agência internacional, 1,3 bilhão de pessoas no mundo ainda não dispõe de eletricidade.