A PEDAGOGIA ANARQUISTA COMO FORMA DE MUDANÇAS SOCIAIS.
Com o objetivo primordial de formar indivíduos livres através da autonomia, responsabilidade, solidariedade, e desenvolvendo valores de ordem coletiva, a pedagogia libertária, além de estabelecer novas formas de relações interpessoais, seja um instrumento de luta para a superação das condições de exploração que sustentam o capitalismo. Partindo do pré-suposto de que as bases do capitalismo são a exploração, a desigualdade e a heterogestão. São inúmeras as perspectivas teóricas e práticas da pedagogia libertária que se pode distinguir. No geral, uma das características centrais da proposta pedagógica dos anarquistas é o seu anti-autoritarismo.
A educação anarquista tem, ao lado do anti-autoritarismo, a autogestão como um dos seus principais focos. Mas por não ser a única tendência autogestionária em educação podemos diferi-la das demais: 1 – pela tendência não diretiva, muito próxima, do ponto de vista metodológico e psicológico, da tendência escolanovista e da pedagogia institucional, sendo Marx um dos seus maiores teóricos; 2 – pelas tendências, sustentada teoricamente pelos outros grandes nomes do anarquismo, e bases das experiências clássicas de escolas libertárias.
A pedagogia libertária, ao contrário da tendência não diretiva, não entende a liberdade como um meio de emancipação, mas como um fim, e a autoridade, longe de ser considerada perniciosa e combatida é antes de tudo boa e indispensável, mesmo que seja incongruente com o anti-autoritarismo que a mesma defende. Mas para podermos entender essa incongruência é necessário uma análise das concepções de poder e autoridade e as relações existentes entre saber e poder que os anarquistas defendem em suas propostas educacionais.
Para se compreender a pedagogia libertária, faz-se necessário entendermos um dos seus conceitos chaves: a Liberdade. O conceito de liberdade com o qual nós freqüentemente temos contato é aquele que foi desenvolvido pela filosofia política que culminaria no liberalismo, definido do ponto de vista burguês. Os anarquistas tem um conceito de liberdade muito diferente do conceito dos liberais, sendo necessário explicitar as diferenças existentes entre as duas concepções para que possamos entender a real dimensão da proposta educativa libertária.
Os iluministas desenvolveram a construção teórica de sustentação de uma ordem social burguesa, pois na época, fazia-se necessário separar o homem em estado natural do civilizado. Para isso, acharam necessário estabelecer um contrato social que regesse as relações dos homens na comunidade, de forma a destituir o direito natural do homem medieval. Assim, os liberais vão tratar da liberdade como um fenômeno natural, na qual o indivíduo, ao pactuar desta sociedade, deve abrir mão de uma parcela de sua liberdade em nome da segurança e da defesa de interesses que a comunidade lhe proporcionará. Essa renúncia é feita em nome de um gerenciamento coletivo do direito de propriedade que, se dava para garantir o direito da propriedade, pois vivia-se num momento em que era necessária uma consolidação política da propriedade burguesa, em oposição à dos nobres.
Já os anarquistas desenvolveram uma linha de pensamento bastante diferente, oposta a esse conceito de liberdade: a liberdade é a resultante da oposição de duas forças: a força de afirmação, a necessidade, e a força de negação, a espontaneidade. Quanto mais simples um ser vivo qualquer seja, mais será regido pela necessidade; quanto mais complexo, mais influenciado pela espontaneidade, sendo que esta, no seu último grau é a própria liberdade. Essa diferença conceitual, na qual a liberdade é entendida como um produto da sociedade e não como uma lei natural comum a todos os homens, será fundamental para a compreensão das idéias e experiências que os anarquistas desenvolveram em educação.
Assim com esse conceito de liberdade o anarquismo pretende criar uma sociedade justa, solidária e participativa e é por isso que suas idéias pedagógicas tentam ser condizentes com essas máximas. A pedagogia libertária deve ser compreendida junto a todo um movimento social. A educação existe para reproduzir as relações sociais e culturais geradas pelo sistema capitalista. Baseando-se nos princípios da disciplina e autoridade, fazendo com que as pessoas, desde pequenas, se habituem a pensar e atuar de forma conivente ao sistema estabelecido. Os princípios, que em maior ou menor medida, segue a educação libertária são:
- Liberdade do indivíduo. Liberdade individual mas coletiva significa levar em conta aos demais desde a responsabilidade de viver em grupo.
- Contra a autoridade. Ninguém manda em ninguém, tudo se faz por compromissos assumidos e a partir da decisão coletiva, aberta e sincera.
- Autonomia do individuo, contra as dependências hierarquizadas e assumidas, cada indivíduo tem direitos e obrigações assumidas voluntariamente, responsabilidade coletiva e respeito.
- As pessoas enfrentam seus próprios problemas, criam suas convicções e suas razões.
- O jogo como acesso ao saber. Partindo do jogo é mais fácil desenvolver a solidariedade e o trabalho coletivo, a socialização e o ambiente positivo, alegre e sincero.
- Co-educação de sexos e social. A educação é igual e conjunta, sem discriminação de nenhum tipo por razões de gênero econômico ou sociais.
Marcos Barros.

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