segunda-feira, 4 de novembro de 2013


O Território brasileiro: do passado ao presente

Milton Santos e Maria Laura Silveira
Por -  Marcos Barros

Uma das características mais marcantes do Brasil é sua extensão territorial, que durante quatrocentos anos foi se ampliando com a conquista dos sertões, a presença na bacia amazônica e a remodelação das fronteiras, sendo o séc. XX um período de estabilização territorial. Desse modo que o Brasil hoje possui um território fisiograficamente diferenciado, com grande variedade de sistemas naturais. Durante pelo menos três séculos o povoamento acontece mediante um emprego pequeno de recursos da técnica, dado aos escassos recursos instrumentais, como as máquinas existentes na época, o que levava o homem a buscar soluções na própria natureza dado aos condicionamentos que a mesma impunha. Só com a expansão das técnicas instaladas através da atividade canavieira que um novo período se inaugura. Com a chegada do século XX a vocação industrial do país se afirma numa relação direta com a concentração das populações fazendo-se presentes em diversos estados como, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, etc. Nesse contexto que o Eixo Rio - São Paulo desponta como uma área de produção industrial permitindo uma diversificação da produção fabril beneficiando também os estados do sul. Nesse processo de industrialização é que se forma a região hoje conhecida como concentrada e que dificuldades dado o seu caráter de mobilização limitado em relação as demais regiões,  não   propiciam uma integração econômica maior com o restante do território. Dessa forma a existência de uma região concentrada pesa sobre a vida nacional agravando as diferenças nacionais. È nesse pano de fundo que vão se operar as transformações mais recentes, marcadas pela globalização mundial. A dinâmica globalizante não apaga o passado, mas modifica seu significado, agravam-se as diferenças e disparidades, devidas aos novos dinamismos e a outras formas de poder e dominação. Com a globalização são instalados nexos extravertidos na medida em que havendo a política econômica deixado de privilegiar o mercado interno a necessidade de exportar conduz a um a competitividade que só privilegia as empresas globais em detrimento dos interesses da sociedade local ou nacional. A historia europeia dos atuais países subdesenvolvidos mostra a sua participação numa divisão do trabalho comandada, de um lado pelas pressões das relações internacionais e de outro pelas facilidades oferecidas pelo território, povoamento e políticas que dão entrada esse ou aquele produto. Assim a divisão internacional do trabalho respondia por um processo de internacionalização limitada em função das relações entre os estados, onde a instância política ascende sobre a instância econômica. Mas com a globalização, a divisão internacional do trabalho ganha novos dinamismos nos países subdesenvolvidos, onde passa a vigorar a lógica das grandes empresas, o discurso do mercado global faz pensar que essa entidade dita universal atua sobre todo o mundo ou sobre todos os países. O caso do Brasil ilustra perfeitamente a ideia segundo a qual com a presente globalização, o território de um país pode tornar-se um espaço nacional da economia internacional (M.Santos,1996). A economia dos países conhece então um processo mais vasto e profundo de internacionalização tendo como base um espaço que é nacional. De modo geral e como resultado da globalização da economia o espaço nacional é organizado para servir as grandes empresas hegemônicas e paga por isso um preço, tornando-se fragmentado, incoerente e anárquico para com seu povo.