O Território brasileiro: do passado ao presente
Milton Santos e Maria Laura Silveira
Por - Marcos Barros
Uma das características mais marcantes
do Brasil é sua extensão territorial, que durante quatrocentos anos foi se
ampliando com a conquista dos sertões, a presença na bacia amazônica e a
remodelação das fronteiras, sendo o séc. XX um período de estabilização
territorial. Desse modo que o Brasil hoje possui um território fisiograficamente
diferenciado, com grande variedade de sistemas naturais. Durante pelo menos
três séculos o povoamento acontece mediante um emprego pequeno de recursos da
técnica, dado aos escassos recursos instrumentais, como as máquinas existentes
na época, o que levava o homem a buscar soluções na própria natureza dado aos
condicionamentos que a mesma impunha. Só com a expansão das técnicas instaladas
através da atividade canavieira que um novo período se inaugura. Com a chegada
do século XX a vocação industrial do país se afirma numa relação direta com a
concentração das populações fazendo-se presentes em diversos estados como,
Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, etc. Nesse contexto que o Eixo Rio - São
Paulo desponta como uma área de produção industrial permitindo uma
diversificação da produção fabril beneficiando também os estados do sul. Nesse
processo de industrialização é que se forma a região hoje conhecida como
concentrada e que dificuldades dado o seu caráter de mobilização limitado em
relação as demais regiões, não propiciam uma integração econômica maior com
o restante do território. Dessa forma a existência de uma região concentrada
pesa sobre a vida nacional agravando as diferenças nacionais. È nesse pano de
fundo que vão se operar as transformações mais recentes, marcadas pela
globalização mundial. A dinâmica globalizante não apaga o passado, mas modifica
seu significado, agravam-se as diferenças e disparidades, devidas aos novos
dinamismos e a outras formas de poder e dominação. Com a globalização são
instalados nexos extravertidos na medida em que havendo a política econômica
deixado de privilegiar o mercado interno a necessidade de exportar conduz a um
a competitividade que só privilegia as empresas globais em detrimento dos
interesses da sociedade local ou nacional. A historia europeia dos atuais
países subdesenvolvidos mostra a sua participação numa divisão do trabalho
comandada, de um lado pelas pressões das relações internacionais e de outro
pelas facilidades oferecidas pelo território, povoamento e políticas que dão
entrada esse ou aquele produto. Assim a divisão internacional do trabalho respondia
por um processo de internacionalização limitada em função das relações entre os
estados, onde a instância política ascende sobre a instância econômica. Mas com
a globalização, a divisão internacional do trabalho ganha novos dinamismos nos
países subdesenvolvidos, onde passa a vigorar a lógica das grandes empresas, o
discurso do mercado global faz pensar que essa entidade dita universal atua
sobre todo o mundo ou sobre todos os países. O caso do Brasil ilustra
perfeitamente a ideia segundo a qual com a presente globalização, o território
de um país pode tornar-se um espaço nacional da economia internacional
(M.Santos,1996). A economia dos países conhece então um processo mais vasto e
profundo de internacionalização tendo como base um espaço que é nacional. De
modo geral e como resultado da globalização da economia o espaço nacional é
organizado para servir as grandes empresas hegemônicas e paga por isso um
preço, tornando-se fragmentado, incoerente e anárquico para com seu povo.
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