segunda-feira, 15 de dezembro de 2014




A DENDEICULTURA E A PRODUÇÃO DO ESPAÇO NO BAIXO SUL BAIANO.
Marcos Barros

1. APRESENTAÇÃO

O Presente trabalho visa fazer um estudo da formação do espaço na Sub-região do Baixo Sul Baiano com base na cultura do Dênde, apresentando para tal um levantamento histórico geográfico da área de estudo, do cultivo da espécie vegetal, sua importância econômica, cultural e social para as populações locais, procurando entender as questões de conflitos e problemáticas existentes neste espaço. Para tal o mesmo está subdividido em histórico, características físicas geográficas da sub-região e a cadeia produtiva do Dênde. Apresentamos também os objetivos específicos e gerais, a justificativa do estudo em questão, sua fundamentação teórica, a metodologia de pesquisa a ser empregada, a classificação da pesquisa, o cronograma a ser desenvolvido e nossas referências bibliográficas.

1.1. O BAIXO SUL BAIANO.
    
O Território do Baixo Sul baiano reúne condições de clima e solo favoráveis à cultura do dendê, com áreas litorâneas que se estendem desde o Recôncavo até os Tabuleiros Costeiros do Sul. Porém, com esse potencial o Estado possui uma baixa produtividade em decorrência da existência de grandes áreas de dendê nativo ou espontâneo de baixo rendimento, onde predomina o extrativismo sem mão-de-obra especializada com carência de recursos e assistência técnica, além de outras problemáticas locais. O Dênde com seu potencial alimentício e energético pode se constituir em um empreendimento de alta viabilidade econômica como no caso especifico da produção de bio-combustíveis. Cultivar dendê em sistemas agroflorestais modernos é um projeto de resultados permanentes, a dendeicultura com todo esse potencial, ainda convive com a realidade de baixa produtividade, necessitando de intervenção de programas que estruture e modernize a cadeia produtiva do dendê, auxiliando  o pequeno produtor, buscando a profissionalização do setor.  O Baixo Sul baiano é um paradoxo, possuidor de uma vasta riqueza natural, e gerador de riquezas econômicas é também uma região que apresenta altos índices de pobreza e miséria social, o que nos leva a refletir sobre as causas dessas desigualdades. É uma sub-região da Região Sul, uma das 15 Regiões Econômicas do Governo do Estado da Bahia, de acordo com uma divisão exposta pela SEPLANTEC na publicação “Perfil Regional do Sul da Bahia” (CAR, 1995) que engloba uma área com 11 municípios, sendo eles: Cairu, Camamu, Igrapiúna, Ituberá, Maraú, Nilo Peçanha, Piraí do Norte, Presidente Tancredo Neves, Taperoá, Teolândia e Valença. Também denominada Costa do Dendê situa-se ao longo da rodovia- BA001, na qual se encontra os municípios de Valença, Taperoá, Itubera, Nilo Peçanha, Cairu, Igrapiuna e Camamu. De acordo com os critérios da Coordenação de Desenvolvimento e Ação Regional/ Secretaria de Planejamento (CAR/SEPLAM). Fisicamente a baixada litorânea é um conjunto de paisagens de extraordinária beleza, incluindo remanescentes de Mata Atlântica - Floresta Ombrofila-, restingas, mangues além de áreas com vegetação herbácea de transição. A Mata Atlântica caracteriza-se pela grande porcentagem de espécies na biodiversidade mundial e altas taxas de endemismos. O clima predominante no Baixo Sul apresenta-se como clima tropical, com elevadas temperaturas e precipitações, situada na zona litorânea a leste do Oceano Atlântico. Os maiores índices pluviométricos verificam-se ao longo do litoral caracterizando tipos climáticos distintos como: úmido, úmido a sub-úmido e seco a sub-úmido. A presença de estuários e manguezais caracteriza o Baixo Sul como uma microrregião extremamente fértil e fundamental na produção das cadeias tróficas da fauna marinha associada, por oferecer abrigo para reprodução, criação e alimentação de espécies. Os mangues apresentam ainda grande importância econômica para a manutenção das comunidades pesqueiras do seu entorno, (vêr mapa 1). Os relevos de Mares de Morros e Tabuleiros estendem-se desde Valença até Maraú, dentre os municípios de Valença, Taperoá, Nilo Peçanha e Ituberá, com a forte presença da Floresta Ombrófila Densa, restringindo os remanescentes florestais da localidade. Com presença de Morrarias voltadas para o Interior e de Serras e Planaltos.  Devido ao processo de ocupação e uso dos recursos naturais na subregião em meados do século XVI, no intuito de abastecer o mercado consumidor da cidade de Salvador-BA, provocando um acelerado processo de desmatamento dentre os seguintes fatores: exploração madeireira, extrativismo, ampliação da área cultivada, crise da cacauicultura e incorporação de novas culturas agrícolas. Mesmo com este elevado nível de desmatamento, ao analisar a Mata Atlântica no Baixo Sul observamos que ainda apresenta importantes remanescentes florestais em diferentes estágios de regeneração.



1.2 O DÊNDE

O dendezeiro (Elaeais guineensis Jaquim) é uma palmeira originária da costa ocidental da África (Golfo da Guiné), sendo encontrada em povoamentos subespontâneos desde o Senegal até Angola. O fruto do dendê produz dois tipos de óleo: o óleo de dendê ou de palma (palm oil, como é conhecido no mercado internacional), extraído da parte externa do fruto, o mesocarpo; e o óleo de palmiste (palm kernel oil), extraído da semente, similar ao óleo de coco e de babaçu. O óleo originário desta palmeira, o azeite de dendê, consumido há mais de 5.000 anos, foi introduzido no Brasil, a partir do século XVII, através do tráfico de escravos, e adaptou-se bem ao clima tropical úmido do litoral baiano. O óleo de dendê ou palma ocupa hoje o 2° lugar em produção mundial de óleos e ácidos graxos,representando 18,49% do consumo mundial. Graças ao seu baixo custo de produção, boa qualidade e ampla utilização, o óleo de dendê é um dos mais requeridos como matéria-prima para diferentes segmentos nas indústrias oleoquímicas, farmacêuticas, de sabões e cosméticos. Seu uso principal é na alimentação humana, portanto, é possível afirmarmos que a cultura do dendê é hoje, uma das mais importantes atividades agro-industriais das regiões tropicais úmidas, e poderá, no futuro,desempenhar papel ainda mais importante, por ser uma excelente fonte geradora de empregos no meio rural. Ao mesmo tempo, é considerada uma cultura com forte apelo ecológico, por apresentar baixos níveis de agressão ambiental, adaptar-se a solos pobres, protegendo-o contra a lixiviação e erosão e "imitar" a floresta tropical. A dendeicultura tem ainda, a capacidade de ajudar na restauração do balanço hídrico e climatológico, contribuindo de forma expressiva na reciclagem e "seqüestro de carbono" e na liberação de O2, contribuindo assim no combate da elevação excessiva das temperaturas médias do Planeta. (ver imagem 1)



1.2  DÊNDE E BIODIESEL

Atualmente, o Brasil possui uma nova oportunidade tecnológica e estratégica na utilização de biomassa: a produção de biodiesel. O biodiesel é um biocombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão ou, conforme regulamento, para geração de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil (MCT – Ministério de Ciência eTecnologia). O Baixo Sul da Bahia que possui uma diversidade edafo-climática excepcional para o cultivo do dendezeiro, com disponibilidade de áreas litorâneas que se estendem desde o Recôncavo Baiano até os Tabuleiros Costeiros do Sul da Bahia, poderá atender uma demanda insatisfeita da ordem de 200 mil toneladas de óleo de dendê afim de atender essa nova demanda de mercado para a produção de biodiesel. Além dos aspectos ambiental e ecológico, possibilitando a recomposição do espaço florestal em processo adiantado de degradação, por “florestas de cultivo”; econômico-social, proporcionando aumento da renda regional e criação de novos empregos, e finalmente estratégico, buscando através da agricultura integrada a caminho do desenvolvimento harmônico dos recursos da terra com os valores humanos. A existência de grande disponibilidade de áreas para plantio do dendezeiro permitirá atingir com facilidade uma meta de substituição de 5% do consumo de óleo diesel, face aos atuais 45.000 ha que seriam acrescidos de 307.667 ha, representando um aumento percentual de 683,7% da área cultivada.

 1.4 JUSTIFICATIVA E PROBLEMATIZAÇÃO DA PESQUISA.


A Bahia possui uma diversidade edafo-climática excepcional para o cultivo do dendezeiro, com uma disponibilidade de área da ordem de 854.000 hectares, em áreas litorâneas que se estendem desde o Recôncavo Baiano até os tabuleiros do Sul da Bahia, porém apenas 41.486 hectares estão sendo cultivados segundo dados da SEAGRI/BA (2006). Esta disponibilidade, aliada à existência no país de uma demanda insatisfeita de óleo de dendê, além do aspecto ambiental, possibilita a recomposição do espaço social, proporcionando aumento da renda regional e a criação de novos empregos, buscando através da agricultura integrada o caminho do desenvolvimento. Porém, com todo esse potencial o Estado da Bahia possui uma baixa produtividade em decorrência da existência de grandes áreas de dendê nativo ou espontâneo de baixo rendimento, onde predomina o extrativismo sem mão-de-obra especializada com carência de recursos e assistência técnica. Assim o Baixo Sul se caracteriza como um “paradoxo”: Ser tão rico e ao mesmo tempo, tão pobre e miserável.

Nesse contexto nos questionamos como se dá a relação da população local com a cultura do Dendê e porque essa relação não se reproduz em benefícios sociais e econômicos para essas populações?

Qual a relação direta entre o uso, a posse da terra, os conflitos daí resultantes e a cultura do Dendê haja visto sua exploração centenária na sub-região?

Respostas a essas inquietações e busca a soluções para essas problemáticas é que norteiam nossa pesquisa, afim de que possamos com os estudos da sub-região do Baixo Sul e da cultura do Dênde, contribuir de forma concreta, e que venha em efetivo fornecer subsídios para a elaboração de políticas e ações de desenvolvimento local.

2.      OBJETIVOS GERAIS

Fazer uma análise das lógicas formadoras do espaço na sub-região do Baixo Sul Baiano tendo como influência a cultura do Dênde nos processos de ocupação do território e seu desenvolvimento sócio econômico.

2.1 OBJETIVOS ESPECIFICOS

Traçar um mapa das condições sócio-econômicas da sub-região a partir da exploração da renda da terra com base na Dendeicultura.
Fazer um levantamento das possibilidades econômicas dos pequenos produtores que tem na Dendeicultura uma das formas de sua sobrevivência e como os programas governamentais de auxilio social ou desenvolvimento da agricultura familiar tem ou não contribuído para a melhoria das condições de vida das populações locais.
Produzir um relatório a partir de estudos sobre os mecanismos que regem a cadeia produtiva do Dendê desde o plantio, beneficiamento até a comercialização e os conflitos existentes pelo uso e posse da terra.

 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


As populações que no decorrer da sua história interagem com a natureza e com os costumes repassados de geração em geração, como os indígenas, quilombolas, ribeirinhos, entre outras, procuram dar continuidade as tradições adquiridas dos antepassados, principalmente por meio da oralidade, dado as dificuldades de acesso às tecnologias da informação ou mesmo a educação formal. O território, nesse processo, se constitui em um importante elo de continuidade e de identidade do grupo. Porém, não como um elemento fixo que marca a permanência dos laços no espaço. O território, no mesmo sentido que a tradição, longe de ser um elemento estático e imutável, percebese como um espaço que muda as suas características e suas dimensões, com relações tanto internas como externas que sofrem de um reordenamento diante dos novos desafios.
                                                   
                                                     "O espaço é um verdadeiro campo de forças cuja formação é desigual. Eis a razão pela qual a evolução espacial não se apresenta de igual forma em todos os lugares”. (Santos,1978 p.122).


O espaço contém o território modelado, configurado; o território corresponde aos complexos naturais e às construções/obras feitas pelo homem: estradas, plantações, fábricas, casas, cidades. O território é construído historicamente, cada vez mais, como negação da natureza natural. A materialidade do território é, assim, definida por objetos que têm uma gênese técnica e social, juntamente com um conteúdo técnico e social.

No estudo da dimensão econômica do território, ou do espaço geográfico para Santos, é importante ressaltar o papel das técnicas, com destaque para o conceito de meio técnico-científico-informacional, terceiro grande período técnico na caracterização elaborada por Santos, que o classifica como “a cara geográfica da globalização.” Esse novo meio incide frontalmente no território, introduzindo novos processos, como o aumento brutal da fluidez e da instrumentalização, ainda que flagrantemente seletiva.

A sub-região do Baixo Sul Baiano, dada a suas características históricas, sua construção sócio cultural tem na Dendeicultura um marco de resistência econômica e social das populações que ali habitam. Os programas desenvolvidos pelos organismos governamentais junto aos interesses e necessidades das populações locais de determinado território e seus objetivos desenvolvimentistas, atende muito mais as proposições de mercado e os agentes globalizantes da economia, o que provoca a exclusão do homem dos meios de produção e do compartilhamento das riquezas produzidas. Segundo Milton Santos:

                                         “O espaço por suas características e por seu funcionamento, pelo que ele oferece a alguns e recusa a outros, pela seleção de localização feita entre as atividades e entre os homens, é o resultado de uma práxis coletiva que reproduz as relações sociais, (...) o espaço evolui pelo da sociedade total. (SANTOS, 1978, p. 171).

No Baixo Sul Baiano a Dendeicultura apresenta dois segmentos econômicos fortemente diferenciados que se desenvolveram a partir dos processos de formação do espaço local. O primeiro, constituído pelos chamados "roldões", representando a grande maioria das unidades processadoras do óleo, que são responsáveis por parcela considerável da renda local. São unidades centenárias, só existentes na Bahia e tradicionais fornecedoras de azeite de dendê para as "baianas de acarajé" e pequenos restaurantes espalhados por todo território baiano, especialmente Salvador, Costa do Dendê e Costa do Descobrimento. O segundo segmento está concentrado em quatro empresas de médio e grande porte, que juntas processam a maior parte da matéria prima produzida no Estado e normalmente controlam os preços pagos ao produtor. Em ambos os casos independente da proporção em que atuem há ai a caracterização da sujeição da Renda da Terra (Marx 2008) aos interesses do capital investidor e ou especulativo, bem como o controle dos preços pagos ao produtor pelas empresas capitalistas também vai caracterizar a extração da mais valia a partir da apropriação do trabalho excedente pelo capital, (Martins,1981).

Ainda sobre território, e seu controle ou uso pelo modo de produção e seus agentes hegemônicos, Santos (2008a, p. 231) diz que:
                                                 
                                                  “O território como um todo se torna um dado dessa harmonia forçada entre lugares e agentes neles instalados, em função de uma inteligência maior, situada nos centros motores da informação.”

Nossos estudos se norteiam pelo entendimento a partir dessas construções teóricas de Santos e outros autores, fazendo um paralelo a realidade sócio espacial e econômica da sub-região do Baixo Sul Baiano, na busca de respostas a nossas inquietudes no que se refere aos agentes e processos que influenciaram e influenciam na formação desse espaço.



4. METODOLOGIA

O presente tópico descreve a metodologia científica a ser adotada neste trabalho, de forma a sistematizar a revisão bibliográfica para analisar a cadeia produtiva do Dênde no Baixo Sul Baiano e suas relativizações com a formação do espaço nesta sub-região.


4.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA

                                               Pesquisar significa realizar empreendimentos para descobrir, para conhecer algo, a pesquisa constitui um ato dinâmico de questionamento, indagação e aprofundamento. (Barros e Lehfeld, 2007)

                             
Para Santos a pesquisa cientifica pode ser caracterizada como atividade intelectual intencional que visa responder as necessidades humanas (2007). Na busca de uma melhor metodologia para desenvolvimento da pesquisa que correspondesse ao alcance dos objetivos traçados encontramos então no Método Dialético uma possibilidade de caminho na construção do saber científico, procurando uma linha trajetória a ser percorrida na busca de conhecer e perceber-se na construção desse conhecimento do objeto (fenômeno/fato investigado) que se constrói e (des) constrói nas interações entre o sujeito e o objeto. Nesse modo de conhecer, o homem se constrói enquanto homem na produção de sua vida material. No decorrer da pesquisa e após ela o pensamento é descrever a realidade para poder desenvolver uma reflexão a partir dai de como a mesma se constrói.

Para levantamento dos dados e sua posterior analise e reflexão, executaremos ações a seguir nas seguintes perspectivas:

Perspectiva baseada em uma visão acadêmica, onde se busca identificar e analisar os conceitos teóricos ligados ao tema, com base na literatura disponível e selecionada.

Perspectiva baseada em uma visão Geográfica das questões Agrária / Econômica / Social, onde se busca identificar e analisar os conceitos práticos ligados ao tema, através de dados primários obtidos por entrevistas com especialistas e pessoas ligadas à área do tema em questão, e por observação direta (in loco) das vivências locais e das problemáticas expostas.

Perspectiva baseada no contato direto com membros das populações locais através de entrevistas com conteúdo espontâneo e programado a fim de levantar fatos e informações complementares.


Perspectiva baseada na coleta de dados e imagens através de fotos, vídeos, utilizando-se  de recursos técnicos modernos.
Sinopse do Pré-projeto apresentado à Comissão de Seleção do Curso de Mestrado em Geografia da UFBA para candidatura à vaga na turma de 2015.1. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

A CIÊNCIA FÍSICA

INTRODUÇÃO



É natural que uma ciência capaz de influir de modo tão significativo na vida do ser humano tenha extraordinária influência também na sua maneira de pensar e na sua concepção de vida. Várias pessoas acreditam que a Física pode explicar tudo, e alguns físicos garantem que esta ciência é capaz de provar desde a “existência” de extraterrestres até a vida após a morte. De certa forma, podemos dizer que a Física não explica, mas descreve os fatos ocorridos na natureza.
O que é Física?
Definir Física não é uma tarefa muito fácil e talvez essa dificuldade venha desde os tempos antigos. Física é um termo que tem origem da palavra grega physis, que significa natureza. A Física, ou melhor, a physis de estudiosos como Platão, Aristóteles e também de outros filósofos, tinha como foco principal de estudo a natureza. Porém, hoje temos o pleno conhecimento de que a natureza já não é mais um objeto exclusivo de estudo da Física, pois também se preocupam com esse estudo a Química, a Biologia, a Geologia, etc.
Com o passar do tempo, a Física dedicou-se ao estudo de uma série de fenômenos, enquanto abandonava outros, que passaram a fazer parte do estudo de outras ciências. Assim, é possível que o termo Física tenha se tornado amplo demais para revelar suas atribuições, que, embora sejam importantíssimas, não englobam mais tudo o que se conhece sobre a natureza. Na antiga Grécia, por exemplo, até a Medicina fazia parte dos estudos físicos.
Física, definida genéricamente  é o ramo das ciências que estuda os fenômenos que não alteram a natureza da matéria, enquanto os fenômenos químicos a alterariam. Ou seja  é a ciência que estuda a natureza em seus aspectos mais gerais.  Atualmente, é dificílimo definir qual o campo de atuação da física, pois ela aparece em diferentes campos do conhecimento que, à primeira vista, parecem completamente descorrelacionados.
Como ciência, faz uso do método científico. Baseia-se essencialmente na matemática e na lógica quando da formulação de seus conceitos.

Divisões

Como outras ciências, a Física é dividida de acordo com diversos critérios. Em primeiro lugar há uma divisão fundamental entre física teórica, física experimental e física aplicada. (Os dois primeiros ramos se reúnem sob a denominação pesquisa básica.)

* A física teórica procura definir novas teorias que condensem o conhecimento advindo das experiências; também vai procurar formular as perguntas e os experimentos que permitam expandir o conhecimento.
* A física experimental conduz experimentos capazes de validar ou não teorias científicas, ou mesmo corrigir aspectos defeituosos destas teorias.
* A física aplicada trata do uso das teorias físicas na vida cotidiana.
Uma outra divisão pode ser feita pela magnitude do objeto em análise. A física quântica trata do universo do muito pequeno, dos átomos e das partículas que compõem os átomos; a física clássica trata dos objetos que encontramos no nosso dia-a-dia; e a física relativística trata de situações que envolvem grandes quantidades de matéria e energia.

Mas a divisão mais tradicional é aquela feita de acordo com as propriedades mais estudadas nos fenômenos. Daí temos a Mecânica, quando se estudam objetos a partir de seu movimento ou ausência de movimento, e também as condições que provocam esse movimento; a Termodinâmica, quando se estudam o (calor), o trabalho, as propriedades das substâncias, os processos que as envolvem e as transformações de uma forma de energia em outra; o Electromagnetismo quando se analisam as propriedades elétricas, aquelas que existem em função do fluxo de elétrons nos corpos; a Ondulatória, que estuda a propagação de energia pelo espaço; a Óptica, que estuda os objetos a partir de suas impressões visuais; a Acústica, que estuda os objetos a partir das impressões sonoras; e mais algumas outras divisões menores.

Áreas da Física
em ordem alfabética:
* Acústica
* Astrofísica
* Biofísica
* Ciência planetária
* Cosmologia
* Dinâmica dos fluidos
* Econofísica
* Electromagnetismo
* Eletrônica
* Física atmosférica
* Física atômica
* Física biomédica
* Física computacional
* Física da computação
* Física da matéria condensada
* Física de materiais
* Física de partículas
* Física de Plasmas
* Física matemática
* Física médica
* Física molecular
* Física Nuclear
* Física oceânica
* Física química
* Geofísica
* Mecânica clássica
* Mecânica estatística
* Mecânica quântica
* Óptica
* Relatividade geral
* Relatividade restrita
* Teoria clássica de campos
* Teoria quântica de campos
* Termodinâmica
* Termologia

Filosofia da física
Muito sobre a filosofia que envolve a física pode ser encontrado em Filosofia, Metafísica,Ciência e método científico. Entretanto, existem filosofias peculiares à Física que serão mencionadas aqui.

Uma delas é o Determinismo Científico. Assumido que tudo não passa de partículas e que seu movimento é determinado para todo o tempo quando determina-se a posição e a velocidade da partícula no momento atual, pode-se dizer que todo o futuro já está determinado. O Demônio de Laplace nasce assim, apesar de ter sido arranhado pela Mecânica Quântica quanto a sua definição e pelo Caos quanto a sua implementação.
Extensões desse pensamento centrado no Determinismo Científico adequadamente adaptadas às dificuldades teóricas têm conseqüências filosóficas profundas, por exemplo: se aceitamos que o cérebro comanda todas as ações humanas e se o cérebro é feito apenas de átomos (governados apenas por leis da Física), é preciso perguntar se realmente a pessoa tem livre-arbítrio para controlar seu comportamento. No entanto, há um debate se cabe à Física ou à Metafísica responder a estas questões filosóficas.

Outra é a busca e a crença em uma teoria geral, única, consistente que descreva todos os processos do universo. Tal teoria deveria contemplar a Mecânica Quântica e a Teoria da Relatividade como casos especiais, bem como todas as outras teorias existentes. Também deveria ser baseada apenas em argumentos matemáticos, ou seja, sem nenhuma constante fundamental. Várias teorias já foram consideradas esta teoria fundamental, por exemplo, a Supersimetria. Entretanto, esta é uma questão aberta, e talvez sempre seja. 

Fonte:
http://www.pedagogia.com/pedagopedia/index.php/F%C3%ADsica

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Nas Terras do Bem-Virá

VALE A PENA ASSISTIR, EXCELENTE DOCUMENTÁRIO

NAS TERRAS DO BEM VIRÁ -  DOCUMENTÁRIO

 p/Marcos Barros


O documentário traz uma denúncia das atrocidades e o desrespeito aos Direitos Humanos ocorridos no campo no Brasil em especial no estado do Pará. Uma situação que o nosso país convive por muitos anos. Assassinatos, perseguições, escravização de trabalhadores que lutam pelo direito de um pedaço de terra e também por trabalho digno. Um sonho cada vez mais distante devido ao descaso dos governantes e a truculência dos latifundiários que impõe sobre os mais pobres, através de ameaças, que é alimentado pela impunidade devido o descaso da legislação e de interesses terceiros de quem deveria zelar pelo cumprimento dela.
Em 2003, foi criada a Comissão Nacional Para a Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE), órgão vinculado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, que tem a função de monitorar a execução do Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo. Lançado em março de 2003, o Plano contém 76 ações, cuja responsabilidade de execução é compartilhada por órgãos do Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, entidades da sociedade civil e organismos internacionais, mas que mesmo assim não consegue acabar ou sequer reduzir a ocorrência dos conflitos geradores de tanta violência.
Os trabalhadores são enganados pela falsa promessa de um trabalho digno por fazendeiros inescrupulosos que objetivam o lucro a qualquer custo, desrespeitando assim os Direitos Humanos, achando-se que estão acima da lei ou de qualquer outra forma de responsabilidade civil ou criminal.
Essa abordagem feita pelo documentário, é apenas uma das inúmeras formas de trabalho escravo que temos no Brasil. Trabalhadores bolivianos, colombianos, negros, índios, mulheres, crianças e outros imigrantes são também iludidos com a ideia de trabalho e dinheiro fácil, mas há uma falta de empenho do governo para acabar com esse tipo de trabalho vergonhoso que é constantemente encontrado tanto nas grandes cidades como nos campos.
O documentário faz também um resgate histórico que se remete aos tempos da ditadura militar, a campanha por uma Amazônia desenvolvida e a defesa do meio ambiente e do trabalhador mais pobre, que sucedeu no fracasso da transamazônica e na atual condição das relações no campo. Entre as muitas ocorrências de violência o documentário destaca o Massacre de Eldorado dos Carajás, que ocorreu em 1966, como também o caso da missionária Dorothy Stang, assassinada em 2004, a mando de latifundiários.
O documentário é ponto de partida para uma profunda reflexão sobre as relações que se travam no campo, a questão da Reforma Agrária o respeito  a dignidade humana e a necessidade urgente de medidas que possam vir a cumprir a justiça, acabando com a impunidade e colocando lei numa Terra que mais parece viver uma época de barbárie sem lei.


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Conceitos Básicos da Geografia



A CIÊNCIA GEOGRÁFICA

A Geografia é uma ciência que tem como objeto principal de 
estudo o espaço geográfico que corresponde ao palco das realizações humanas. O homem sempre teve uma curiosidade aguçada a respeito dos lugares onde desenvolvem as relações humanas e as do homem com a natureza, principalmente com o intuito de alcançar seus interesses.

O conhecimento da terra e de todas as dinâmicas existentes configura como um objetivo intrínseco da ciência geográfica. Essa tem seu início paralelo ao surgimento do homem, no entanto, sua condição de ciência ocorreu somente com o nascimento da civilização grega, na qual existiam pensadores que nessa época englobavam diversos conhecimentos de distintos temas, dentre eles Pitágoras e Aristóteles que já tinham convicção acerca da forma esférica do planeta.

A Geografia recebe diversos significados: de uma forma genérica dizemos que geo significa Terra e grafia, descrição, ou seja, descrição da Terra. Essa descreve todos os elementos contidos na superfície do planeta como atmosfera, hidrosfera e litosfera que compõe a biosfera ou esfera da vida (onde desenvolve-se a vida), além da interação desses elementos com os seres vivos.

O estudo da Geografia em sua fase inicial focaliza somente os elementos naturais, mais tarde, pesquisas unindo aspectos físicos com sociais foram estabelecidas, referentes à ação antrópica sobre o espaço natural. A partir desse momento teve início também o estudo sistemático das sociedades, tais como a forma de organização econômica e social, a distribuição da população no mundo e nos países, as culturas, os problemas ambientais decorrentes da produção humana, além de conhecer os recursos dispostos na natureza que são úteis para as atividades produtivas (indústria e agropecuária). Assim, o estudo geográfico conduz ao levantamento de dados sobre os elementos naturais que atingem diretamente a vida humana como clima, relevo, vegetação, hidrografia entre outros.

A Geografia moderna tem como precursor Humbold, que baseava no empirismo; posteriormente surgiram diversos outros pensadores que agregaram conhecimentos e conceitos distintos que serviram para o enriquecimento da ciência.


Conceitos chaves da Geografia

Para entendermos uma ciência precisamos trabalhar com alguns conceitos que são essenciais, estes adquirem significado específicos para cada ciência. A Geografia não foge à regra. Alguns termos que são popularmente usados nas conversas informais e até em outras áreas científicas adquirem, na abordagem geográfica, um sentido especial.
Enteder bem esses conceitos é indispensável para prosseguir em análises mais requintadas e profundas.
É dessa forma que espaço, paisagem, lugar e território têm um significado especial para ciência geográfica.

Vamos aos conceitos:


Espaço.

Para Geografia o espaço deve ser chamado de espaço geográfico para o diferenciar do espaço cartesiano. O espaço geográfico é o objeto da geografiaele é produzido pelo homem que usa o substrato natural para tecer suas redes. Na definição usada por Milton Santos o espaço é todo conjunto do trabalho social cidades, ruas, prédios, produção agrícola, relações empregatícias, relações de exploração, segregação, cultura, etc. Veja o que fala Ruy Moreira sobre o espaço geográfico:


"O caráter social do espaço geográfico decorre do fato simples de que os homens têm fome, sede e frio, necessidades de ordem física decorrentes de pertencer ao reino animal, ponte de sua dimensão cósmica. No entanto, à diferença do animal, o homem consegue os bens de que necessita intervindo na 'primeira natureza' (...)" (MOREIRA, RUY. 2007 p. 65.)


Paisagem.
Esse conceito é muito importante e por várias vezes confundido na Geografia.
A paisagem por ser o aranjo espacial o qual avistamos tem, necessariamente, um caráter social, para sua produção o homem faz uso do espaço geográfico, ela é percebida por nós pelos nossos orgão de sentido e contém o passado e o presente, nela também lemos o que se passa no espaço. Segundo Ruy Moreira a paisagem assim analisada coloca a Geográfia numa categoria entre a arte e a ciência.



Lugar.
O lugar é uma unidade sensível. É onde criamos identidades, é a parte do espaço que nos causa afeto, detêm o movimento da vida, do passado e do presente; também pode conter relações de conflito.



Território.
É um área regida por relações de poder, onde há um governo, onde há relação de política e demais agentes sociais. O território é onde um país atua, onde suas instituições se fazem presentes.

Algumas especialidades da ciência Geográfica:

Geografia Física: focaliza-se no estudo das características naturais, como clima, vegetação, hidrografia, relevo e os impactos decorrentes da exploração.

Geografia Humana: tem como objetivo o estudo da dinâmica populacional e suas particularidades.

Geografia Econômica: estudo de todas as relações econômicas realizadas no mundo e seus fluxos.

Geografia Cultural: focaliza a atenção para a identidade cultural das pessoas e dos lugares.

Geografia Política: estudo das relações do poder político e seus resultados.

Geografia Médica: realiza mapeamento de focos de doenças e sua distribuição no espaço geográfico.
Bibliografia:
SANTOS, Milton; SILVEIRA, María Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. 7ed. Rio de Janeiro, 2005.
MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço geográfico. São Paulo: Contexto, 2007.