NAS TERRAS DO BEM VIRÁ - DOCUMENTÁRIO
O documentário traz uma denúncia das
atrocidades e o desrespeito aos Direitos Humanos ocorridos no campo no Brasil
em especial no estado do Pará. Uma situação que o nosso país convive por muitos
anos. Assassinatos, perseguições, escravização de trabalhadores que lutam pelo
direito de um pedaço de terra e também por trabalho digno. Um sonho cada vez
mais distante devido ao descaso dos governantes e a truculência dos
latifundiários que impõe sobre os mais pobres, através de ameaças, que é
alimentado pela impunidade devido o descaso da legislação e de interesses
terceiros de quem deveria zelar pelo cumprimento dela.
Em 2003, foi criada a Comissão
Nacional Para a Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE), órgão vinculado à
Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, que tem a
função de monitorar a execução do Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho
Escravo. Lançado em março de 2003, o Plano contém 76 ações, cuja responsabilidade
de execução é compartilhada por órgãos do Executivo, Legislativo, Judiciário,
Ministério Público, entidades da sociedade civil e organismos internacionais,
mas que mesmo assim não consegue acabar ou sequer reduzir a ocorrência dos
conflitos geradores de tanta violência.
Os trabalhadores são enganados pela
falsa promessa de um trabalho digno por fazendeiros inescrupulosos que
objetivam o lucro a qualquer custo, desrespeitando assim os Direitos Humanos,
achando-se que estão acima da lei ou de qualquer outra forma de
responsabilidade civil ou criminal.
Essa abordagem feita pelo
documentário, é apenas uma das inúmeras formas de trabalho escravo que temos no
Brasil. Trabalhadores bolivianos, colombianos, negros, índios, mulheres, crianças
e outros imigrantes são também iludidos com a ideia de trabalho e dinheiro
fácil, mas há uma falta de empenho do governo para acabar com esse tipo de
trabalho vergonhoso que é constantemente encontrado tanto nas grandes cidades
como nos campos.
O documentário faz também um resgate
histórico que se remete aos tempos da ditadura militar, a campanha por uma
Amazônia desenvolvida e a defesa do meio ambiente e do trabalhador mais pobre,
que sucedeu no fracasso da transamazônica e na atual condição das relações no
campo. Entre as muitas ocorrências de violência o documentário destaca o
Massacre de Eldorado dos Carajás, que ocorreu em 1966, como também o caso da
missionária Dorothy Stang, assassinada em 2004, a mando de latifundiários.
O documentário é ponto de partida para uma profunda reflexão sobre as
relações que se travam no campo, a questão da Reforma Agrária o respeito a dignidade humana e a necessidade urgente de
medidas que possam vir a cumprir a justiça, acabando com a impunidade e
colocando lei numa Terra que mais parece viver uma época de barbárie sem lei.
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