quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Nas Terras do Bem-Virá

VALE A PENA ASSISTIR, EXCELENTE DOCUMENTÁRIO

NAS TERRAS DO BEM VIRÁ -  DOCUMENTÁRIO

 p/Marcos Barros


O documentário traz uma denúncia das atrocidades e o desrespeito aos Direitos Humanos ocorridos no campo no Brasil em especial no estado do Pará. Uma situação que o nosso país convive por muitos anos. Assassinatos, perseguições, escravização de trabalhadores que lutam pelo direito de um pedaço de terra e também por trabalho digno. Um sonho cada vez mais distante devido ao descaso dos governantes e a truculência dos latifundiários que impõe sobre os mais pobres, através de ameaças, que é alimentado pela impunidade devido o descaso da legislação e de interesses terceiros de quem deveria zelar pelo cumprimento dela.
Em 2003, foi criada a Comissão Nacional Para a Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE), órgão vinculado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, que tem a função de monitorar a execução do Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo. Lançado em março de 2003, o Plano contém 76 ações, cuja responsabilidade de execução é compartilhada por órgãos do Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, entidades da sociedade civil e organismos internacionais, mas que mesmo assim não consegue acabar ou sequer reduzir a ocorrência dos conflitos geradores de tanta violência.
Os trabalhadores são enganados pela falsa promessa de um trabalho digno por fazendeiros inescrupulosos que objetivam o lucro a qualquer custo, desrespeitando assim os Direitos Humanos, achando-se que estão acima da lei ou de qualquer outra forma de responsabilidade civil ou criminal.
Essa abordagem feita pelo documentário, é apenas uma das inúmeras formas de trabalho escravo que temos no Brasil. Trabalhadores bolivianos, colombianos, negros, índios, mulheres, crianças e outros imigrantes são também iludidos com a ideia de trabalho e dinheiro fácil, mas há uma falta de empenho do governo para acabar com esse tipo de trabalho vergonhoso que é constantemente encontrado tanto nas grandes cidades como nos campos.
O documentário faz também um resgate histórico que se remete aos tempos da ditadura militar, a campanha por uma Amazônia desenvolvida e a defesa do meio ambiente e do trabalhador mais pobre, que sucedeu no fracasso da transamazônica e na atual condição das relações no campo. Entre as muitas ocorrências de violência o documentário destaca o Massacre de Eldorado dos Carajás, que ocorreu em 1966, como também o caso da missionária Dorothy Stang, assassinada em 2004, a mando de latifundiários.
O documentário é ponto de partida para uma profunda reflexão sobre as relações que se travam no campo, a questão da Reforma Agrária o respeito  a dignidade humana e a necessidade urgente de medidas que possam vir a cumprir a justiça, acabando com a impunidade e colocando lei numa Terra que mais parece viver uma época de barbárie sem lei.