quinta-feira, 19 de março de 2015

Brasileira que revolucionou o entendimento sobre buracos negros é premiada

A astrofísica brasileira Thaisa Bergmann, enquanto estava tentando decidir sua carreira, ouviu do pai: “mulher precisa escolher uma profissão em que dê para trabalhar só meio turno”. Não era falta de confiança nas habilidades da filha - ele inclusive ajudou a montar um laboratório de ciências no sótão de casa, em Caxias do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, quando Thaisa começou a demonstrar interesse no assunto aos 10 anos. Era só o reflexo do pensamento corrente na época. “Ele tinha um pouco de preconceito e não entendia bem qual era o objetivo do que eu queria fazer. Mas eu era daquelas meninas invocadas, depois disso é que não ia trabalhar meio período mesmo”, ela diz.
Hoje professora do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Thaisa foi escolhida pela Unesco e pela Fundação L’Oréal para representar a América Latina no prêmio For Women in Science, que oferece uma bolsa de US$ 100 mil a cinco cientistas, uma de cada continente, que se destacaram pelo conjunto da obra.
A brasileira ficou conhecida por sua pesquisa na área dos buracos negros supermassivos - enquanto um buraco negro comum tem cerca de dez vezes a massa do Sol, os supermassivos podem ter bilhões de massas solares. Só é possível observar buracos negros pela matéria que eles engolem: quando uma estrela é sugada, ela libera radiação que pode ser vista da Terra. Nas galáxias ativas, o núcleo do buraco emite muito brilho, e por isso é fácil perceber a presença dele. “Quando comecei a minha tese de doutorado, no final dos anos 80, ainda se acreditava que só as galáxias tinham buracos negros no centro”, ela explica.
Quando o telescópio Hubble foi lançado, em 1990, Thaisa passou a acompanhar as informações obtidas por ele até que descobriu algo inesperado: um disco de acreção (disco de gás que se aquece quando a matéria é engolida pelo buraco negro) em uma galáxia inativa. “Foi uma observação importante porque aconteceu quando ainda não tínhamos certeza de que existiam buracos negros em todas as galáxias”, ela explica. “Quando o raio de captura é pequeno, é possível orbitar o buraco negro, e é isso que acontece na maior parte das galáxias.”
A descoberta obviamente teve grande repercussão, e até hoje Thaisa está entre os brasileiros mais citados em artigos científicos do mundo todo (a quantidade de citações é a forma mais conhecida de avaliar a influência de um pesquisador na sua área). “De primeira, até meu assistente disse que eu devia ter feito algum cálculo errado. Quando recebi a confirmação de que estava certa, fiquei muito emocionada. À noite, antes de dormir, dizia para o meu marido: ‘Descobri uma coisa muito importante!’ Passei uns três dias assim”, ela conta aos risos.
Um intruso no observatório
Quando começou a graduação, nos anos 70, Thaisa era uma das poucas alunas da sua turma. Agora, como professora da mesma faculdade onde estudou, ela diz que a situação melhorou “um pouquinho, mas nada muito significativo”. Ela própria precisou lidar com alguns episódios de discriminação ao longo da carreira. O mais marcante aconteceu no final da década de 1990.
Thaisa tinha dado à luz há quatro meses quando recebeu a oportunidade de passar uma semana trabalhando em um observatório do Chile. Ela avisou que estava amamentando e pediu para levar o bebê, mas os coordenadores da pesquisa resistiram. “Disseram que uma criança poderia perturbar o siêncio, já que todo mundo precisa dormir durante o dia para fazer as observações à noite”. A brasileira bateu o pé e, no final, encontraram um “meio-termo”: ela, o filho e a babá foram alojados na parte externa, em um pequeno cômodo que tinha sido erguido para hospedar engenheiros durante a construção do observatório.
O prêmio que Thaisa vai receber em Paris na próxima quarta-feira, 18, foi criado justamente para incentivar a participação das mulheres na ciência e contribuir para que situações como essa não voltem a se repetir. Ela, que também teve sua tese de doutorado orientada por uma mulher, faz o possível para incentivar as poucas moças que se aventuram nas suas aulas. “O que procuro passar para as minhas alunas é que elas não podem desanimar, mesmo que às vezes pareça mais difícil do que é para os meninos”, afirma.
Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2015/03/astrofisica-brasileira-que-revolucionou-nosso-entendimento-sobre-buracos-negros-e-premiada-em-paris.html

sábado, 7 de março de 2015

A LUA - SATÉLITE NATURAL DA TERRA


  A Lua (do latim Lunaé o único satélite natural da Terra, situando-se a uma distância de cerca de 384.405 km do nosso planeta.
 
 
Segundo a última contagem, mais de 150 luas povoam o sistema solar: Neptuno é cercado por 13 delas; Urano por 27; Saturno tem 60; Júpiter é o que tem mais até então e possui 63. A Lua terráquea não é a maior de todo o Sistema Solar - Ganimedes, uma das luas de Júpiter, é a maior - mas nossa Lua continua sendo a maior proporcionalmente em relação ao seu planeta. Com mais de 1/4 do tamanho da Terra e 1/6 de sua gravidade, é o único corpo celeste visitado por seres humanos e onde a NASA (sigla em inglês de National Aeronautics and Space Administration) pretende implantar bases permanentes.
 
Vista da Terra, a lua apresenta quatro fases diferentes  e exibe sempre a mesma face (situação designada como acoplamento de maré), facto que gerou inúmeras especulações a respeito do teórico lado escuro da Lua, que na verdade fica iluminado quando estamos no período chamado de Lua nova.
 
O seu período de rotação é igual ao período de translação. Isto quer dizer que o tempo que a lua demora a dar uma volta sobre si mesma é igual ao tempo que leva a dar uma volta completa ao planeta Terra. É por esta razão que a lua apresenta sempre a mesma face voltada para a terra
 
A Lua não tem atmosfera e apresenta, em quantidades muito pequenas, água no estado sólido (em forma de cristais de gelo). Não tendo atmosfera, não há erosão e a superfície da Lua mantém-se intacta durante milhões de anos. É apenas afetada pelas colisões com meteoritos.
 
 
É a principal responsável pelos efeitos de maré que ocorrem na Terra, seguida pelo Sol, cuja influência é menor. Pode-se dizer do efeito de maré aqui na Terra como sendo a tendência dos oceanos acompanharem o movimento orbital da Lua, sendo que esse efeito causa um atrito com o fundo dos oceanos, atrasando o movimento de rotação da Terra cerca de 0,002 s por século, e, como consequência, a Lua afasta-se de nosso planeta cerca de 3 cm por ano.
 
A Lua é, proporcionalmente, o maior satélite natural do nosso Sistema Solar. A sua massa é tão significativa em relação à massa da Terra que o eixo de rotação do sistema Terra-Lua encontra-se muito longe do eixo central de rotação da Terra. Alguns astrônomos usam este argumento para afirmar que vivemos num dos componentes de um planeta duplo, mas a maioria discorda, uma vez que para que um sistema planetário seja duplo é necessário que seu eixo de rotação esteja fora dos dois corpos.

 
 ORIGEM  LUNAR

Existem três teorias que tentam explicar como a lua teria surgido. A primeira, chamada de co-acreção, propõe que a lua teria surgido exatamente ao mesmo tempo que a terra a partir da Nebulosa Proto-planetária Solar; a segunda, chamada fissão, afirma que a lua se formou a partir de uma parte da Terra que teria se desprendido dela por força do movimento de rotação ainda na época em que ela estava em fusão; e, a terceira, chamada captura, afirma que a lua é um planeta que foi capturado pela força gravitacional da Terra.

 Mas, a teoria mais aceita atualmente, é uma quarta teoria que propõe que a origem da lua se deu através da colisão entre a Terra com um objeto tão grande quanto Marte há cerca de 4,5 bilhões de anos, que teria feito com que ambos se misturassem e, depois, parte do material resultante da colisão se desprendesse, originando a Lua. Seja qual for sua origem, a lua possui forte influência sobre a Terra. Principalmente quando falamos de campo gravitacional. Facilmente observado nos mares e oceanos, o que poucos sabem é que o fenômeno de marés também pode ser observado nos continentes, onde ocasiona variações de dezenas de centímetros. O fenômeno das marés influencia, também, na rotação da Terra atrasando-a em cerca de 1,5 mili-segundos a cada 100 anos e afastando a Lua da Terra em 3,8 cm por ano. Também é por causa da força gravitacional que podemos observar apenas metade da Lua, ela faz com que os movimentos de rotação e translação da lua sejam sincronizados de forma que ela está sempre com a mesma face voltada para nós. A chamada “face oculta” da lua só pôde ser estudada através das fotografias tiradas pelos astronautas que ficaram em órbita dela.

A forma como vemos a lua da Terra é alterada de acordo com sua posição em relação ao sol e origina o que chamamos de fases da Lua. As fases principais da lua são lua nova, quarto crescente, quarto minguante e lua cheia. Essas fases são apenas ilusões de ótica provocadas pelo fato da lua não ser um corpo celeste luminoso, mas sim, um corpo iluminado pela luz do sol.  E, conforme ela gira em torno da terra podemos ou não ver sua face iluminada pelo sol. Por exemplo, quando é lua cheia, e podemos vê-la inteira como um disco no céu, significa que a face da lua iluminada pelo sol está de frente para a terra. Ou seja, a terra está entre a lua e o sol. Já quando é lua nova, e não vemos lua nenhuma no céu, significa que a face da lua iluminada pelo sol está “de costas” para a terra, ou, que a lua está entre a terra e o sol.

A lua é composta por uma crosta, predominantemente composta de um mineral da família dos feldspatos e com mais ou menos 107 km de espessura, sendo que em alguns lugares (como sob um local chamado de Mar de Crisium) é quase inexistente; o manto, praticamente sólido e o núcleo composto por metais e com 680 km de diâmetro. A distância média da Terra é de 384.000 km, o raio equatorial é de 1.738,1 km e sua massa é de 1/81 a da Terra.


 GEOLOGIA LUNAR

O conhecimento sobre a geologia da lua aumentou significantemente a partir da década de 1960 com as missões tripuladas e automatizadas. Apesar de todos os dados recolhidos ao longo de todos esses anos, ainda há perguntas sem respostas que apenas poderão ser esclarecidas com a instalação de futuras bases permanentes e um amplo estudo sobre a superfície da lua. Graças à sua distância da Terra, a Lua é o único corpo, para além da Terra, do qual se conhece detalhadamente a sua geologia. As missões tripuladas Apollo contribuíram com a recolha de 382 kg de rochas e amostras do solo, e as sondas automáticas soviéticas Luna cerca de 326 gr.
 
As explorações e os estudos do solo da Lua levaram os cientistas a concluir que a queda de meteoros na sua superfície desprotegida de atmosfera é a principal causa de seu solo ser esburacado já que atmosfera pode diminuir a velocidade desses objetos ao colidirem, razão pela qual abrem mais crateras contra a superfície lunar do que na terra.

As partes mais próximas de um objeto em órbita em volta de um planeta sofrem uma atração gravitacional maior deste (porque estão a uma menor distância dele) do que as mais distantes, ou seja, há um gradiente de gravidade. Isso faz com que se gere um binário que leva o objeto a acabar por ficar orientado no espaço de modo a que seja a sua parte com uma maior massa a ficar voltada para o planeta. É esse efeito que explica porque é que a Lua assume uma taxa de rotação estável que mantém sempre a mesma face voltada para a Terra. O seu centro de massa está distanciado do seu centro geométrico de cerca de 2 km na direção da Terra. Curiosamente, não se sabe porquê, do lado voltado para a Terra a sua crosta é mais fina quanto à amplitude de relevo e é onde estão concentrados os mares - as zonas mais planas.
 
As designações "continentes" e "mares" não devem ser entendidas com o mesmo significado que têm na Terra. Os continentes são escarpados e constituídos por rochas mais claras (anortositos), essencialmente formados por feldspatos, que refletem 18% da luz incidente proveniente do Sol. Apresentam, em geral, um maior número de crateras de impacto e ocupam a maior extensão da superfície lunar. Os mares lunares não têm água, apresentam a sua superfície mais plana do que a dos continentes, fazendo lembrar a superfície livre de um líquido. São escuros, constituídos por basaltos, reflectindo apenas cerca de 6% a 7% da luz incidente. A formação dos mares, que são mais abundantes na face visível do que na face não visível (lado escuro), relaciona-se com os impactos meteoríticos.
 
 
 A SUPERFÍCIE LUNAR / EXISTÊNCIA DE ÁGUA
 
A superfície da lua possui várias crateras de impacto, que se formaram quando asteróides e cometas colidiram na superfície lunar. Há inúmeras de crateras com mais de um quilometro de diâmetro na Lua. A falta de uma atmosfera, o clima e recentes processos geológicos fazem com que asteróides consigam chocar com a Lua com muita facilidade, o que deixa a superfície lunar cheia de crateras.
 
A maior cratera na Lua, que também tem a distinção de ser uma das maiores crateras conhecidas no Sistema Solar, é a Cratera do Polo-Sul Aitken. Ela está no lado escuro da Lua, entre o polo sul e o equador, e tem cerca de 2240 quilómetros de diâmetro. Exemplos de crateras no lado visível da Lua são Mare Imbrium, Mare Serenitatis, Mare Crisium e Mare Nectaris.
 
 Segundo descobertas recentes anunciadas pela Nasa, conseguidas graças à missão LCROSS (iniciais de Lunar Crater Observation and Sensing Satellite, do inglês, Satélite de Observação e Sensoriamento de Crateras Lunares), foi confirmada a existência de água no estado sólido na Lua. O aparelho carregava o foguete Centauro, que atingiu a Lua com extrema força de impacto no dia 9 de outubro de 2009, nas proximidades do polo sul lunar.
Um buraco de 30 metros de largura foi aberto, onde foram encontrados quase 100 litros de água congelada. Analisada pelo satélite Lcross, a nuvem de vapor e poeira fina resultantes também revelou o local com fonte de grandes quantidades de hidrogênio.
 
 A experiência faz com que os cientistas acreditem na possibilidade de haver mais água espalhada por todo o subsolo lunar do que se poderia imaginar. O satélite natural da Terra, agora começa a ser encarado seriamente como terreno para a construção de uma base espacial que serviria de apoio para missões tripuladas a outros planetas do sistema solar.
 
 
 
 
GRAVITAÇÃO E MARÉS
 
Num campo gravitacional terrestre ideal, ou seja, sem interferências, as águas à superfície da Terra sofreriam uma aceleração idêntica na direção do centro de massa terrestre, encontrando-se assim numa situação isopotencial. Mas devido à existência de corpos com campos gravitacionais significativos a interferirem com o da Terra (Lua e Sol), estes provocam acelerações que actuam na massa terrestre com intensidades diferentes. Como os campos gravitacionais actuam com uma intensidade inversamente proporcional ao quadrado da distância, as acelerações sentidas nos diversos pontos da Terra não são as mesmas. Assim a aceleração provocada pela Lua têm intensidades significativamente diferentes entre os pontos mais próximos e mais afastados da Lua.
 
Desta forma as massas oceânicas que estão mais próximas da Lua sofrem uma aceleração de intensidade significativamente superior às massas oceânicas mais afastadas da Lua. É este diferencial que provoca as alterações da altura das massas de água à superfície da Terra.
 
Quando a maré está em seu ápice chama-se maré altamaré cheia ou preamar; quando está no seu menor nível chama-se maré baixa ou baixa-mar. Em média, as marés oscilam em um período de 12 horas e 24 minutos. Doze horas devido à rotação da Terra e 24 minutos devido à órbita lunar.
 
A altura das marés alta e baixa (relativa ao nível do mar médio) também varia. Nas luas nova e cheia, as forças gravitacionais do Sol estão na mesma direção das da Lua, produzindo marés mais altas, chamadas marés de sizígia. Nas luas minguante e crescente as forças gravitacionais do Sol estão em direções diferentes das da Lua, anulando parte delas, produzindo marés mais baixas chamadas marés de quadratura.
 
FASES DA LUA

 
Tal como o planeta Terra, a Lua possui sempre um dos lados iluminado pelo Sol, e outro lado escuro. A parte iluminada corresponde à parte que está dia, e a parte escura corresponde à parte que está noite. A fase em que a Lua se encontra em determinado momento depende da posição da Lua em relação à Terra. Quando está na fase de Lua Nova, o nosso satélite tem a sua parte escura (a que está  de noite) voltada para a Terra. Como tal não nos é possível ver a Lua. Quando acontece a fase de Lua Nova, esta está no nosso céu muito próxima do Sol. À medida que se vai deslocando, uma parte cada vez maior da região da Lua iluminada pelo Sol vai ficando voltada para a Terra. Aí podemos observar que a Lua parece “crescer”. Cerca de 7,5 dias depois da fase de Lua Nova, chega a fase de Quarto Crescente. Nesta fase observamos metade da Lua iluminada. Cerca de 7,5 dias depois chegamos à fase de Lua Cheia. Nesta fase o lado iluminado pelo Sol está totalmente voltado para a Terra, e assim a Lua parece-nos “cheia”. A partir daí a parte iluminada pelo Sol começa a diminuir (do ponto de vista do observador na Terra), e passados cerca de 7,5 dias chegamos à fase de Quarto Minguante, onde podemos observar metade da Lua iluminada, só que o lado iluminado é o oposto do lado iluminado quando estamos no Quarto Crescente. Passados cerca de 7,5 dias chegamos à fase de Lua Nova, completando assim um ciclo lunar ou lunação, ou ainda um mês sinódico.


Fontes
http://www.portaldoastronomo.org/faqs.php?faq=8
http://astro.if.ufrgs.br/lua/lua2.htm