quinta-feira, 16 de abril de 2015


Holismo e Visão Sistêmica

 

Holismo (do grego holos que significa inteiro ou todo) é a ideia de que as propriedades  de um sistema quer se trate de seres humanos ou outros organismos, não podem ser explicadas apenas pela soma dos seus componentes. O sistema como um todo determina como se comportam as partes.
O princípio geral do holismo pode ser resumido por Aristóteles na sua Metafísica, quando afirma: O todo é maior do que a simples soma das suas partes.

Holismo foi um termo adotado por Jan Smuts no seu livro “Holism and Evolution” de 1926. Ele definiu esta ideia como "A tendência da Natureza a formar, através de evolução criativa, "todos" que são maiores do que a soma de suas partes". Desde Aristóteles, vê-se as raízes desta ideia, quando em sua metafísica ele afirma: “o inteiro é mais do que a simples soma de suas partes”.

Embora antiga, esta concepção só tomou força a partir da década de 80 quando passou a ser empregada para tentar explicar um novo paradigma que deveria ser utilizado com o objetivo de minimizar os diversos distúrbios causados pelo homem na natureza. Por isso, o holismo é frequentemente associado em discursos ambientalistas.

Este conceito traz uma visão de mundo integrado, como um organismo. Esta nova visão baseia-se na inter-relação e interdependência entre todos os fenômenos, sejam eles físicos, biológicos, psicológicos, sociais ou culturais. Esta proposta prevê uma formulação gradual de uma rede de conceitos e modelos interligados, além de se contrapor ao modelo mecanicista e reducionista ainda dominante na biologia e na medicina.

Desde o século XVII, principalmente com as ideias de Descartes e Newton, o homem vem sendo comparado com uma máquina, concentrando nas propriedades mecânicas da matéria viva e negligenciando o estudo sistêmico da natureza do organismo. A descrição reducionista foi vantajosa para desenvolver um caráter evolutivo, e ainda é, em alguns casos, útil e necessária, porém torna-se perigosa quando é interpretada como uma explicação completa. Atualmente, a biologia traz um paradigma chamado ”biologia de sistemas”, onde vê o organismo como um sistema vivo e não como uma máquina. Os sistemas são totalidades integradas, cujas propriedades não podem ser reduzidas as de unidades menores. A abordagem sistêmica enfatiza os princípios básicos de organização.

O pensamento sistêmico é um pensamento de processo. Na ciência sistêmica, toda estrutura é vista como a manifestação de processos subjacentes. Esta visão carrega a primeira grande diferença entre o homem e a máquina. Afinal, máquinas são construídas e os organismos se desenvolvem. Outra ideia que podemos trazer é o alto grau de flexibilidade e plasticidade encontradas nos organismos.

Os organismos variam sua estrutura dentro de um limite. Este fenômeno de automanutenção é chamado de flutuação ou homeostase, que é um estado de equilíbrio dinâmico, transacional. Não há, portanto, dois organismos que sejam rigorosamente idênticos, muito diferentes das máquinas que funcionam de acordo com cadeias lineares de causa e efeito. O funcionamento do organismo é guiado por modelos cíclicos de fluxo de informação, conhecidos por laços de realimentação. Quando um sistema é afetado, esta é usualmente causada por múltiplos fatores.

Todas estas comparações entre organismos e máquinas originaram, mais tarde, as principais realizações da cibernética, que tinha como intenção, desde o início, criar uma ciência exata da mente. A cibernética sofreu influência da biologia.
 
Fonte:  https://www.portaleducacao.com.br/psicologia/artigos/23625/holismo-e-visao-sistemica

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A EVOLUÇÃO DA QUÍMICA...

Tabela periódica

Artigo  reúne os principais momentos da história da descoberta e organização dos elementos químicos, trabalho que resulta de mais de dois séculos de esforços na busca pelos segredos da estrutura da matéria.

Tabela periódica
Modelo de tabela periódica de Andreas von Antropoff (versão de 1938), provavelmente proveniente da antiga Faculdade Nacional de Filosofia, da então Universidade do Brasil (atual UFRJ). Hoje, está em uma das salas de aula do Instituto de Química da UFRJ.
A tabela periódica é uma forma de disposição sistemática dos elementos químicos e ferramenta inseparável para o estudo e a compreensão da química. Os elementos são ordenados em função do número atômico (Z), ou seja, o número de prótons (partículas com carga positiva do núcleo dos átomos).
O número atômico caracteriza o chamado elemento químico, definido como o conjunto de átomos que têm o mesmo número de prótons. Em um átomo neutro, o número de prótons no núcleo é igual ao número de elétrons (partículas de carga negativa), que se situam em torno desse núcleo.
A tabela periódica é uma forma de disposição sistemática dos elementos químicos e ferramenta inseparável para o estudo e a compreensão da química
Outra característica importante dos átomos: o número de massa (A), que é a soma do número de prótons e nêutrons (partículas sem carga, também presentes no núcleo). A maioria dos elementos químicos tem átomos com diferentes números de massa devido à existência de diferentes números de nêutrons. São chamados os isótopos – por exemplo, o hidrogênio (Z = 1, A = 1), o deutério (Z = 1, A = 2) e o trítio (Z = 1, A = 3). Em razão disso, define-se massa atômica de um elemento químico como a média ponderada entre os números de massa de seus diversos isótopos multiplicados pelas suas abundâncias relativas na natureza.
Vale salientar que os elétrons não entram no cálculo do número de massa, porque sua massa é desprezível – cerca de 2 mil vezes menor que a do próton e do nêutron.
A tabela periódica é composta por linhas horizontais (períodos) e por colunas verticais (grupos ou famílias). Sua versão atual contém sete períodos e inclui os últimos elementos descobertos, os de números atômicos 113, 115, 117 e 118, confirmados pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac).
Tabela periódica atual
Perfil atual da tabela periódica, incluindo os elementos mais recentemente descobertos (Z = 113 a 118), bem como os nomes e os símbolos oficiais de dois deles: Fl (fleróvio, Z = 114) e Lv (livermório, Z = 116).
A tabela periódica é ideal para prever e interpretar as características e tendências dos átomos, as quais se repetem periodicamente: perda e ganho de elétrons, tipo de ligação química que preferencialmente formam (iônica ou covalente) etc.

Espaços preenchidos

Os primórdios da organização dos elementos químicos se devem ao químico francês Antoine Lavoisier (1743-1794), que, em 1789, agrupou as 33 espécies que eram então consideradas como elementares em gases, metais, não metais e terras – denominação genérica dada, à época, aos compostos binários de oxigênio (óxidos) com a maioria dos elementos metálicos. Os químicos passaram o século 19 à procura de uma organização mais precisa, mas os esquemas propostos não abrangiam todos os elementos químicos então conhecidos.
Os primórdios da organização dos elementos químicos se devem ao químico francês Antoine Lavoisier (1743-1794), que, em 1789, agrupou as 33 espécies que eram então consideradas como elementares
O químico russo Dmitri Mendeleiev (1834-1907) publicou sua tabela periódica em 1869. Ele ordenou os elementos por peso atômico (hoje, número de massa), iniciando uma nova linha quando as características dos elementos se repetiam. Mendeleiev deixou lacunas quando o elemento correspondente ainda não tinha sido descoberto e usou as tendências de sua tabela para predizer as propriedades desses elementos então ocultos, como gálio, escândio e germânio.
Outro aspecto foi que ele alternou dois elementos adjacentes, cobalto e níquel, para melhor classificá-los. A última versão da tabela publicada por Mendeleiev é bem mais completa que a versão inicial.
Em 1913, o físico britânico Henry Moseley (1887-1915), usando técnicas de raios X, concluiu que a forma correta de ordenar os elementos químicos era pelo número atômico e não pelo peso atômico. Isso levou a inversões na tabela periódica: argônio (Z = 18) e potássio (Z = 19); cobalto (Z = 27) e níquel (Z = 28); telúrio (Z = 52) e iodo (Z = 53).
Do final do século 19 até 1939, a tabela periódica teve praticamente todos os espaços deixados por Mendeleiev preenchidos pela descoberta, por exemplo, dos gases nobres e alguns elementos radioativos, como polônio e rádio – ambos descobertos pelo casal de cientistas Pierre (1859-1906) e Marie Curie (1867-1934).
Háfnio (1923), rênio (1925) e frâncio (1939) foram os últimos elementos descobertos em amostras naturais.

Júlio Carlos Afonso

Departamento de Química Analítica
Instituto de Química
Universidade Federal do Rio de Janeiro

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Galileu Galilei

Galileu Galilei foi um dos grandes cientistas da História tendo dado grandes contribuições nomeadamente no campo da astronomia e da física. Suas descobertas foram verdadeiramente notáveis tendo revolucionado a forma de se fazer ciência. Foi o primeiro a utilizar o telescópio para observações astronômicas, foi um defensor do sistema heliocêntrico, entre muitas outras contribuições. A importância de Galileu para a ciência é tal que é considerado como o pai da ciência moderna.
Galileu Galilei (em italiano, Galileo Galilei) nasceu em Pisa (Itália) a 15 de Fevereiro de 1564. Foi o filho mais velho do músico Vincenzo Galilei e de Giulia Ammannati.

Galileu viveu em Florença entre 1574 e 1581, tendo depois ingressado na Universidade de Pisa para estudar medicina. Algum tempo depois abandona os estudos de medicina para se dedicar ao estudo da matemática. Nessa mesma Universidade de Pisa, em 1589 Galileu torna-se professor de matemática. Em 1592 assume a cátedra da matemática na Universidade de Pádua, onde passou os 18 anos seguintes.
Em 1609, Galileu Galilei ouviu falar de um novo instrumento que consistia num tubo com duas lentes e que permitia ver os objetos como se eles estivessem mais próximos. Com base nessa informação, Galileu meteu mãos à obra e criou ele próprio o seu telescópio. Não é verdade que tenha sido ele o inventor do telescópio, mas ele terá sido o primeiro a utilizá-lo para observações astronômicas e o primeiro a publicar um livro com os resultados dessas observações. A questão de quem foi o inventor do telescópio é bastante discutível, sendo normalmente atribuído ao holandês Hans Lippershey que em 1608 pediu a patente desta instrumento óptico. Porém é provável que também não tenha sido este holandês o inventor. Existem vários outros que são considerados como potenciais inventores do telescópio.

Galileu Galilei então criou seu próprio telescópio e posteriormente o aperfeiçoou. Apesar dos telescópios que ele possuía serem bastante rudimentares e limitados, mesmo comparado com os mais simples telescópios amadores do dia de hoje, as descobertas que Galileu fez com o telescópio foram espantosas para a época.

Galileu Galilei começou as suas observações em 1609, e logo em Março de 1610 ele publica o resultado as suas observações na sua obra “Sidereus Nuncius” (Mensageiro das estrelas). Essa obra de poucas páginas viria a ser uma das mais importantes da História da ciência. Nela, Galileu apresenta a superfície da Lua como sendo irregular, com montes e crateras; apresenta a descoberta dos 4 satélites de Júpiter, a que ele chamou de “estrelas de Médicis”; apresenta ainda a descoberta que a Via Láctea é na realidade constituída por um enorme número de estrelas que não podem ser distinguidas a olho nú.
Depois da publicação do Sidereus Nuncius, outras descobertas foram realizadas por Galileu Galilei, nomeadamente a descoberta das fases do planeta Vênus e a descoberta das manchas solares.
As suas descobertas apoiavam o modelo cosmológico do heliocentrismo. O sistema heliocêntrico é aquele em que a Terra orbita em volta do Sol, e não o contrário como se pensava naquela época. Galileu foi um forte defensor do sistema heliocêntrico, sistema essa já anteriormente defendido pelo astrônomo polaco Nicolau Copérnico. Até então o modelo cosmológico aceite na época era o geocentrismo, ou seja, a Terra está no centro do Universo. Tanto o Sol, como a Lua, os planetas e até as estrelas orbitam em torno da Terra. Galileu Galilei apresentou várias evidências que apoiava o heliocentrismo.


Mais tarde a defesa do heliocentrismo viria a causar problemas entre Galileu e a Igreja. Em 1616, a Inquisição pronunciou-se contra a ideia de que o Sol é o centro do Universo considerando a teoria heliocêntrica como herética. Em consequência, foi proibido falar do heliocentrismo como realidade física, mas apesar disso era permitido referir-se a este sistema como hipótese matemática. Galileu foi convocado a Roma onde pode expor os seus argumentos. A conclusão do Tribunal do Santo Ofício era que não existiam provas suficientes para concluir que a Terra se movia em volta do Sol, tendo admoestado Galileu a abandonar a defesa da teoria heliocêntrica.
Sidereus Nuncius - Mensageiro das Estrelas
Sidereus Nuncius – Capa do livro publicado em 1610
Em 1623 entra em funções o Papa Urbano VIII, amigo de Galileu e uma pessoa mais aberta a novas ideias científicas. Apesar da abertura deste novo Papa, este rejeitou o pedido de Galileu de revogar o decreto de 1616 que proibia a defesa do heliocentrismo. Apesar disso, Urbano VIII encorajou Galileu a prosseguir com seus estudos sobre o heliocentrismo, porém apenas como uma hipótese matemática e não como uma realidade física.

Mais tarde Galileu escreveu a sua obra “Dialogo di Galileo Galilei sopra i due Massimi Sistemi del Mondo Tolemaico e Copernicano”, por vezes referido de forma mais abreviada como “Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo” (Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo, em português), obra essa publicada em 1632 e que defendia o heliocentrismo. Em consequência, Galileu foi julgado e condenado a prisão e a abjurar as suas ideias. Passou seus últimos anos de vida em prisão domiciliária.
Apesar disso Galileu Galilei sempre se apresentou como cristão, defendendo a veracidade das Sagradas Escrituras, estando em desacordo quanto à interpretação da Bíblia que a Igreja fazia naquela época. Para a Igreja daquela época, o heliocentrismo estava em desacordo com a Bíblia. Galileu, que acreditava na Bíblia, não estava de acordo com essa interpretação da Igreja.
Em 1638, estando Galileu cego, publicou a sua importante obra “Discorsi e Dimostrazioni Matematiche Intorno a Due Nuove Scienze” (em português, Discursos e demonstrações matemáticas sobre duas novas ciências).

Para além das descobertas através do telescópio e da defesa do heliocentrismo, a obra de Galileu Galilei não se fica por aqui: ele desenvolveu estudos sistemáticos sobre o movimento uniformemente acelerado e do movimento do pendulo; descobriu a lei dos corpos em queda; enunciou o princípio da inércia bem como o conceito de referencial inercial; inventou a balança hidrostática; inventou um tipo de compasso geométrico; inventou um termômetro que leva o seu nome, termômetro de Galileu.
Galileu Galilei faleceu em Florença em 8 de Janeiro de 1642.