sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A CARTOGRAFIA SOCIAL COMO FERRAMENTA PARA PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS


Marcos Barros
Resumo do artigo apresentado
no SEMEX - Seminários de Extensão da UFBA,
Edição  no anuário SEMEX UFBA 2012.

A Cartografia Social é uma ferramenta de planificação e transformação, fundamentada na motivação, participação e desenvolvimento de ações de origens comunitárias/coletivas, visando a formação da cidadania dos indivíduos. Instrumento de exercício participativo, recurso que deve auxiliar e dar mais precisão a discussão etnográfica e antropológica, contribuindo para a compreensão do patrimônio cultural dos povos  permitindo o seu auto-conhecimento. A construção de mapas temáticos levam a reflexão e ao descobrimento por parte dos habitantes de uma região, sobre suas territorialidades no que diz respeito ao seu espaço geográfico, realidade social  econômica, histórico cultural, ambientais e de sustentabilidade. As comunidades tradicionais embora possuam uma cultura peculiar e dominem saberes populares de senso comum, apresentam um baixo nível de escolaridade formal e poder econômico, o que dificulta sua compreensão sobre  suas realidades e potencialidades e a capacidade de organização para solução de problemas individuais e coletivos. Com base nessas afirmativas que dirigimos nossos trabalhos, lançando mão da Cartografia Social, como mecanismo de união dos saberes acadêmicos e populares e no uso desses conhecimentos para a preservação do meio ambiente, bem como com a produção dos etnomapas,  contribui potencialmente para uma melhor visão do espaço geográfico  no que diz respeito a sua gestão territorial ambiental pelas comunidades. As ações desenvolvidas pelo grupo de Mapeamento Biorregional do Projeto Marsol (Maricultura Solidária) do Instituto de Biologia da UFBa, que atua a mais de um ano com comunidades marisqueiras e quilombolas na região de Santiago do Iguape, município de Cachoeira no Recôncavo Baiano e no distrito de Graciosa, município de Taperoá no Baixo Sul Baiano tem como objetivo oferecer aos membros dessas comunidades o direito de mapear seus territórios e de se transformar em protagonistas de sua própria identidade, produzindo uma cartografia social baseada nos seus conhecimentos, tendo como produto final mapas que reflitam o entendimento dos membros das comunidades sobre o seu território e a relação de sua cultura com o mesmo, instrumentalizando  os membros das comunidades  no uso de ferramentas e técnicas cartográficas,  desenvolvendo a capacidade de ler e interpretar informações contidas em mapas e cartas, bem como sua confecção e aplicações práticas no cotidiano. O conceito que norteia a busca pelo alcance dos objetivos é que relações entre culturas e saberes diversos produzem uma pluriculturalidade e uma simbiose de conhecimentos que através da cartografia social auxiliem na produção conjunta de técnicas e manejos para a preservação e gestão sustentável do meio ambiente colaborando na melhoria das condições de vida das comunidades. Como proposta metodológica são realizadas oficinas dirigidas de forma participativa e integrada, coletando histórias sobre os diversos temas levantados, fotografando, filmando e georeferenciando em campo os pontos do território a serem mapeados, com a colaboração de todos os membros possíveis da comunidade, afim de que se torne uma construção coletiva que sirva de base para elaboração de novos projetos sociais, familiarizando a comunidade com as práticas de trabalhos coletivos/comunitários, buscando uma interação social na solução de problemas comuns. Durante o segundo semestre de 2011 foram confeccionados 04 mapas temáticos pelas comunidades do Kaonge, Dendê, Kalembá, Engenho da Ponte e Engenho da Praia no município de Cachoeira-Ba, abordando diversos temas como Cultura, Historicidade, Religião, Águas, etc., Essa produção coletiva, já apresenta frutos do trabalho desenvolvido, pois as comunidades tem feito uso dos mapas em diversas ações de iniciativas próprias, base para divulgação de ações comunitárias, participando também  junto ao grupo acadêmico como multiplicadores em outras comunidades na confecção de mapas e na motivação das mesmas, tendo uma participação ativa e consolidada.

domingo, 29 de julho de 2012


MAPEAMENTO BIORREGIONAL
Técnicas de Cartografia Social
Produção : Marcos Barros

Foto: mapa produzido pela comunidade de Graciosa/ Município de Taperoà  tendo como facilitadores a turma do ACC  Mapeamento Biorregional / UFBA no 1º semestre de 2011


INTRODUÇÃO
As complexidades do mundo atual nos leva a construir estratégias e criar novos instrumentos que possam ajudar na compreensão e analise dos novos paradigmas que se configuram, dando origens as novas relações de mundo. Nessa visão territorial – global, surge a Cartografia Social como ferramenta de planificação e transformação, com uma fundamentação na motivação, participação e desenvolvimento de ações de origens comunitária/coletiva, lançando mão também de diretivos de rede e ações planejadas como nas modernas gestões empresariais visando sobre tudo a formação da cidadania dos indivíduos. Assim a Cartografia Social é um instrumento de exercício participativo, um recurso que deve auxiliar e dar mais precisão a discussão  etnográfica e  antropológica, contribuindo para a compreensão do patrimônio cultural dos povos e permitindo o auto-conhecimento de cada um, onde a construção de mapas temáticos levam a reflexão e ao descobrimento por parte dos habitantes de uma região, sobre suas territorialidades no que diz respeito a espacialidade geográfica, realidades sócio econômicas, histórico cultural, etc.

OBJETIVOS
Oferecer aos membros de comunidades tradicionais o direito de mapear seus territórios e de se transformar em  protagonistas de sua própria identidade, produzindo  uma cartografia social baseada no conhecimento das comunidades tradicionais, tendo como produto final  mapas que reflitam o entendimento dos membros das comunidades sobre o seu território e a relação de sua cultura com o mesmo.  
Desenvolver técnicas capazes de auxiliar no processo de aplicação dos conceitos de Cartografia Social, junto as comunidades tradicionais.
Criar metodologias de prática das técnicas cartográficas de forma que se tornem accessíveis aos membros das comunidades, tornando-os capazes de aplicar os conhecimentos adquiridos na solução das problemáticas sociais.
Identificação das contribuições e benefícios da utilização da Cartografia Social para com o desenvolvimento de ações e iniciativas sociais.
Instrumentalizar o aprendizado no uso de ferramentas e técnicas cartográficas modernas desenvolvendo a capacidade de ler e interpretar informações contidas em mapas e cartas diversas bem como sua confecção e aplicações práticas no cotidiano comunitário.

PROPOSTA METODOLÓGICA
O processo de confecção de Mapas Biorregionais, usando técnicas cartográficas, junto às comunidades devem ser dirigidos de forma participativa e integrada,  com a colaboração direta de todos os seus membros possíveis, afim de que se torne uma construção coletiva, que sirva de base para elaboração de novos projetos sociais, familiarizando a comunidade com as práticas de trabalhos coletivos/comunitários, buscando uma interação social na solução de problemas comuns. Assim os conhecimentos devem ser passados de forma prática, procurando fugir a métodos convencionais, e criando dinâmicas de trabalho a fim de manter o clima de satisfação e motivação dos participantes, realizando atividades de preferência ao ar livre e no campo, aproximando o desenvolvimento das ações com o cotidiano de vida de todos os envolvidos, bem como procurando facilitar o entendimento das técnicas a serem empregadas e suas utilidades no contexto do dia a dia da vida de cada cidadão.

FONTES DE PESQUISA
Os estudos aqui abordados foram desenvolvidos durante a realização do ACC Mapeamento Biorregional, nas comunidades do Kaonge, Dênde, Kalembá, Engenho da Ponte e Engenho da Praia na região da Bacia do Iguape, município de Cachoeira no Recôncavo Baiano durante o 2º semestre de 2011 e do Grupo de Mapeamento Biorregional do Projeto MARSOL nas atividades  realizadas nas comunidades de Graciosa município de Taperoá  (Baixo Sul) e Engenho da Cruz (Recôncavo) bem como literaturas diversas sobre o tema Cartografia Social.

CONCEITOS BÁSICOS
Cartografia – conjunto de técnicas, estudos e operações cientificas, para confecção e analises de mapas, modelos em relevo do globo, representando a Terra ou parte dela e ou qualquer parte do Universo.
Mapa – representação convencional gráfica de fenômenos concretos e abstratos da Terra ou de qualquer parte do Universo.
Cartografia Social – ferramenta de planificação e transformação social, utilizada como apoio nas atividades de desenvolvimento comunitário, através da participação descentralizada e democrática, onde é fundamental a atuação de todos os atores membros da comunidade.
Investigação e Ação Participativa – é uma forma de abordagem da problemática social, através da investigação participativa, procurando criar um diagnostico e dar repostas concretas na solução e mudanças das realidades sociais.
Elementos Cartográficos - As convenções cartográficas abrangem símbolos que, atendendo às exigências da técnica, do desenho e da reprodução fotográfica, representem de modo mais expressivo, os diversos acidentes do terreno e objetos topográficos em geral. Elas permitem ressaltar esses acidentes do terreno, de maneira proporcional à sua importância, principalmente sob o ponto de vista das aplicações da carta. (Fonte IBGE).

DESENVOLVIMENTO
1 – As atividades propostas a serem desenvolvidas junto às comunidades durante o processo de construção coletiva do Mapeamento Biorregional, foram divididas em oficinas onde serão apresentados aos participantes às técnicas e os elementos cartográficos constantes em mapas e cartas, sua utilização prática bem como o processo de confecção dos mesmos iniciando uma discussão sobre escolha dos temas a serem mapeados, produção de textos, fotos e vídeos, levantamento histórico, cultural, etnológico e da diversidade biogeográfica territorial.


ELEMENTOS CARTOGRÁFICOS    

ORIENTAÇÃO:
Rosa dos Ventos, Pontos Cardeais, Colaterais, Sub Colaterais.
Norte Geográfico, Norte Magnético,
Materiais: Bússola, Mapas, Projetor de Imagens.




ESCALAS
Escala Numérica e Cartográfica
Noção de proporção entre o Território real e a representação no mapa, distâncias.
Materiais – Mapas, Calculadora, Projetor




COORDENADAS
Latitude, Longitude, Linha do Equador, Meridiano de Greenwich (Meridianos e Paralelos)
Materiais – Globo terrestre, Mapas, Projetor.






LOCALIZAÇÃO/PROJEÇÃO
Enquadramento do Território comunitário na Espacialidade Geográfica (Como a comunidade se vê?)
Materiais – Imagens de Satélite, Projetor de Imagens










FONTE E TITULO
Definição dos temas a que se destinam os mapas, referências sobre a obtenção e veracidade dos dados contidos nos mesmos.
Materiais – Mapas diversos temáticos.










LEGENDAS
Disposição e inserção dos conteúdos nos mapas, leitura e interpretação da linguagem cartográfica.
Materiais – Mapas, Projetor de Imagens









INSTRUMENTAÇÃO

Uso básico da Bússola e GPS, (SIGs para comunidades multiplicadoras). Coleta de pontos no campo dos conteúdos a serem mapeados.
Ida a campo em grupos para fotografar, filmar e coletar pontos com o GPS a serem mapeados.
Discussão e avaliação do campo com relatos das experiências obtidas nas vivências práticas.
Materiais – Bússola, GPS, papel, lápis, cartolina, Projetor de Imagens, computador, máquina fotográfica, filmadora.
Transposição dos pontos para os mapas bases, com uso de computador e programas de SIG.
















domingo, 15 de julho de 2012

VULCANISMO

     

Formação dos vulcões
Os vulcões são responsáveis pela liberação de magma acima da superfície da crosta. Eles funcionam como válvulas de escape do magma (rocha em estado ígneo) e dos gases que existem na camadas mais interiores da Terra.

Tais materiais encontram-se sob altíssima pressão, assim como sob elevadas temperaturas. Diz-se, ainda, que o movimento das placas tectônicas pode causar as erupções vulcânicas.

Os vulcões resultam de uma fusão parcial, sob condições específicas, dos materiais das profundas camadas do interior do Planeta, fusão que produz o magma, expelido através de uma cratera ou fenda. As zonas onde ocorre esta fusão parcial estão ligadas à dinâmica do globo, e a distribuição dos vulcões na face da Terra é explicada de modo coerente pela teoria das placas tectônicas.

Em alguns casos os vulcões ocorrem em "ponto quente" no meio das placas tectônicas, como o caso do campo vulcânico no parque nacional de Yellowstone nos Estados Unidos ou das ilhas Havaianas.

Os vulcões marcam os grandes acidentes da litosfera e sua localização é classificada em função dos movimentos gerados pelo deslocamento das placas: zonas de divergências ou de abertura, como as dorsais oceânicas ou certas bacias de afundamento, zonas de convergências ou de subducção, que dão origem aos arcos insulares (Japão, Ilha de Sonda) e às cordilheiras de limites de placas (Andes); zonas "intraplaca", delimitadas pela existência de fissuras locais na crosta terrestre.

A profundidade e a diversidade dos materiais, determinam a composição das magmas. Assim, o magma resultante de vulcanismo ligado às zonas de divergências é de natureza toleítica; o proveniente de vulcanismo ligado à subducçaõ é calco-alcalino; e o originado de vulcões intraplaca é essencialmente alcalino.

Os produtos vulcânico são classificados segundo a composição química e mineralógica ou segundo propriedades físicas. Distinguem-se assim, as lavas, as projeções e os gases.

As lavas é a parte líquida do magma; ela forma o derramamento ou a extrusão, de acordo com sua maior ou menor viscosidade. Em geral, as lavas básicas são mais fluidas que ácidas, e se solidificam rapidamente e são freqüentemente cheias de bolhas.

As projeções resultantes das fases explosivas são classificadas em função de suas dimensões em : bombas, escórias, lapíli (produtos sólidos provenientes das erupções vulcânicas, do tamanho da avelã), cinzas e poeiras. A cimentação dessas projeções forma os tufos vulcânicos (qualquer dos produtos de projeção vulcânicas que se hajam consolidado). Os gases dissolvem-se na água ou na atmosfera, interferindo sobremaneira na evolução destas.

Onde duas placas movem-se se afastando, as erupções vulcânicas não são tão explosivas, gerados apenas rios de lavas mais fluida com entre 1 e 10 metros de espessura que se espalham por vastas áreas. Neste caso formam-se vulcões com bases maiores e mais inclinados. Os vulcões no Havaí e Islândia são exemplos típicos desse tipo de vulcão.

O mesmo não acontece quando as placas colidem. Nesse caso as erupções são violentas. A lava é grossa e viscosa, e nuvens de gás, poeira e fragmentos de lava podem ser lançados na atmosfera. O magma esfria rapidamente e acumula-se em volta da fenda, formando vulcões mais altos com os lados íngremes e com o diâmetro do cone central menor. A colisão das placas na crostas oceânicas produziu arcos de ilhas, como as Antilhas e as ilhas japonesas.

A maioria dos mais altos são na verdade, uma composição dos dois tipos descritos acima. São formados por um ciclo de pequenas erupções de lava fluida, que cria uma base resistente e extensa, seguida de erupção explosiva que forma um cone central resistente.

No passado grandes explosões de lava fluida de complexos sistemas de fissuras aconteceram e formaram extensos platôs de até 130,000 Km², como é o caso do Platô Columbia nos estados de Oregon e Washington nos Estados Unidos. Erupções ainda mais volumosas, embora quietas acontecem até hoje no fundo dos oceanos, onde os pavimentos está em constante formação.

Vulcões com erupções são chamados ativos, e aqueles onde não ocorrem mais erupções são os extintos. Os vulcões apresentam, períodos de "repouso" (fase de letargia) mais ou menos longos (de100 a 10 mil anos podendo chegar a até 100 mil anos).

Os vulcões são responsáveis pela formação de rochas ígneas, também chamadas eruptivas, magmáticas ou vulcânicas. Elas nada mais são do que a lava solidificada. A lava geralmente sai do vulcão a uma temperatura de 850º a 1250º C. Normalmente a lava inclui alguns cristais flutuantes no material líquido. Se a lava esfria devagar os cristais podem ter tempo para crescer. Os vulcões também são responsáveis pela formação de montanhas.

A forma dos edifícios vulcânicos depende da dinâmica, isto é, das propriedades físicas dos produtos emitidos, assim como da profundidade (entre 5 a 20 Km) e do volume da câmara ou reservatório magmático. As erupções vulcânicas podem ser brutais. Dentre as mais mortíferas, destacam-se as erupções do Krakatoa, na Indonésia (1883); a do monte Pelée, na Martinica (1902) e a do Nevado Del Ruiz, na Colômbia (1985).

Importância do Vulcanismo
O vulcanismo é um fenômeno natural dos mais importantes que acontecem na crosta terrestre e principalmente no fundo dos oceanos, que cobrem 2/3 da superfície de nosso planeta e que são totalmente formados de lavas, onde também encontramos a mais colossal cadeia montanhosa com cerca de 7.000 Km de comprimento, 1.000 de largura e 3.000 de altura a grande dorsal suboceânica, que é formada por uma ininterrupta sucessão de vulcões.

Sua importância torna-se ainda mais visíveis quando levamos em consideração que as lavas constituem o principal componente da crosta terrestre, os movimentos das placas rígidas que esta crosta é formada e que está estreitamente relacionada aos fenômenos vulcânicos, participando tanto dos tremores de terra como do fundo oceânico, da deriva dos continentes e na participação do erguimento de montanhas.

O vulcanismo teve papel determinante nos primórdios da formação geológica de nosso globo, além disso ele também é responsável pelo aparecimento de novas terras e na subsistência de milhares de pessoas que vivem e cultivam as ricas terras de seus arredores. Sem a poeira e as cinzas vulcânicas , os solos seriam bem mais pobres e menos férteis, e sem fumarolas sulfurosas, existiriam menos jazidas metalíferas como as de cobre, zinco, magnésio, chumbo, mercúrio e outros, das quais a humanidade se aproveita.

Os vulcões provêem uma grande quantidade de riquezas dos recursos naturais. Emissão de pedra vulcânica, suprimento de gás a vapor são fontes de materiais industriais importantes e de substâncias químicas, como púmice, ácido bórico, amônia, e gás carbônico, além do enxofre. Na Islândia a maioria das casas em Reykjavik tem água aquecida proveniente dos vulcões. Estufas são aquecidas da mesma maneira e podem prover legumes frescos e frutas tropicais para esta ilha de clima báltico. Também é explorado o vapor geotermal como uma fonte de energia para a produção de eletricidade na Itália, Nova Zelândia, Estados Unidos, México, Japão e Rússia.

O estudo científico dos vulcões provê informação útil sobre os processos de mudança da Terra. Apesar do constante perigo e destrutivo do vulcões, as pessoas continuam a viver próximas aos mesmos devido à fertilidade do solo vulcânico. Elas também são atraídas pela energia geotérmica, abundante nestas regiões, além de fonte de turismo.

Lava e Magma
Fundida, quente ou liquefeita, as rochas localizadas profundamente debaixo da superfície da Terra são chamadas de magma.

Quando um vulcão estoura ou uma fenda ou rachadura acontece na Terra, o magma sobe e transborda. Quando flui para fora do vulcão ou fenda, normalmente misturado com o vapor e suprimento de gás, é chamada de lava. A lava fresca varia de 1,300º a 2,200º F (700º a 1,200º C) em temperatura e brilhos vermelho a branco quando flui. Quantidades enormes de lava, bastante para inundar a zona rural inteira, podem ser produzidas pela erupção de um vulcão principal. Durante a erupção do vulcão Mauna Loa no Havaí em 1887, aproximadamente 2,3 milhões de toneladas métricas de lava por hora foi despejada por mais de seis dias.

Algumas lavas são bastante líquidas para fluir em declivo a 55 quilômetros por hora. Outros movem-se à taxa de só poucas polegadas por dia. A velocidade do fluxo depende da temperatura e composição do material da lava. Todas as lavas contém uma alta porcentagem de sílica, uma combinação composta de elemento químico, silicone e oxigênio. Dependendo da quantidade de sílica existente na lava, ela pode ser classificada de seguinte forma:

• Lavas que contem de 65 a 75% de sílica são chamadas rhyolites. As lava rhyolites derretem a mais baixas temperaturas e estão mais leves em peso e cor que as formadas de balsatos. Lavas de Rhyolites são bastante viscosas, ou espessas, e contém grandes quantidades de gás. O gás ferve frequentemente e é lançado para fora com a força explosiva e expele quantias grandes de cinzas;

• As lavas com 50 a 65% de sílica são andesites;
• As lavas com menos de 50% de sílica são basaltos.

Porém, às vezes quando a lava é lançada mais lentamente surgem bolhas em sua superfície ou até mesmo quando a lava endurece. Quando estas bolhas são minúsculas e acumuladas muito próximas, formam-se um tipo de rocha mais leve chamada púmice, conhecida por nós como pedra pomes. Qualquer tipo de lava pode se transforma em púmice, mas a maioria delas desenvolve-se em rhyolites.
A púmice é comercialmente usada para limpar e polir madeira, metal, e outras superfícies. Mais recentemente ela é usada em argamassa para a construção, revestimento de concreto, isolante, forração para paredes acústicas e gesso.


Partes de um vulcão:

                          
                          

Durante as erupções são expelidos materiais gasosos, líquidos e sólidos. Muitas vezes o material gasoso é expelido junto com partículas sólidas(cinzas), que podem atingir quilômetros de altura. Outras vezes, podem formar fumarolas, nuvens densas e opacas que deslizam pelos lados do vulcão, formando as nuvens ardentes, cuja temperatura pode atingir 1000ºC, queimando tudo que encontram.

Entre os gases expelidos em maior quantidade acham-se os gases sulfurosos, com forte cheiro de enxofre, hidrogênio e grande quantidade de vapor d’água(80 a 95% do total). A parte líquida é constituída pelas lavas, material magmático, em estado de fusão, devido às altas temperaturas, superior a 1000ºC, que se deslocam pelos lados do cone vulcânico. Muitas vezes, ao solidificar, as lavas formam colunas prismáticas, cujo exemplo mais significativo é a denominada "Calçada dos gigantes", na Irlanda.

A matéria sólida ou piroclástico, constitui-se de pedaços das paredes das chaminés, da base do vulcão, ou mesmo pedaços de lava resfriada que são lançadas para o alto através da atmosfera, conhecidas como pedras pomes.

A cinza é a mais comum dos materiais sólidos. Juntamente com os fragmentos, as cinzas podem causar grandes catástrofes, soterrando cidades, quando se depositam em camadas de grande espessura, como aconteceu no ano de 79 d.C, quando inesperadamente o monte Vesúvio entrou em erupção e suas cinzas soterraram as cidades de Pompéia e Herculano do antigo Império Romano.

Sob a crosta terrestre, a uma profundidade de 30 a 70 Km, existe uma camada de rochas, composta de silício e magnésio, e por isso chama-se Sima. A uma temperatura de mais ou menos 1330ºC e sob enormes pressões, essa camada de rocha mantém-se constantemente em estado pastoso (magma). As enormes pressões ainda provocam fendas na crosta, pelas quais o magma pode aflorar à superfície da Terra. Não se sabe ao certo o que impele o magma para cima. Supõe-se que seja a pressão dos gases ou o peso da crosta.

No próprio depósito de magma, origina-se a chaminé, uma das partes que compões o edifício  vulcânico. É uma espécie de funil por onde passa os materiais de erupção. Estes vão até a cratera  afunilada que se forma nas primeiras explosões do vulcão. Fica geralmente no topo da montanha vulcânica, parte externa do vulcão, em formato de cone. Nem todos os vulcões tem cone. Na ausência deste, a lava e os materiais de erupção são expelidos através de uma fenda solo.

Mas também existem alguns vulcões que apresentam duas ou mais crateras que são chamadas de crateras secundárias e outros apresentam, além da cratera principal, fissuras ou rachaduras no solo por onde saem fumarolas e lava.

As maiores erupções vulcânicas e mais explosivas lançam dezenas a centenas de quilômetros cúbicos de magma sobre a superfície da Terra. Quando um grande volume de magma é removido de baixo de um vulcão, o solo abaixa ou se desmorona no espaço esvaziado, forma uma depressão enorme chamada caldeira. Algumas caldeiras estão a vários quilômetros de profundidade medindo mais de 25 quilômetros de diâmetro. A caldeira agora preenchida pelo Lago da Cratera – Crater Lake, no estado americano do Oregon foi produzido por uma erupção que destruiu um vulcão do tamanho do Monte Sta. Helens e sua cinza vulcânica enviada ao leste distante como Nebraska.

Processos de erupções vulcânicas
Um vulcão quando inicia sua fase de atividade começa com a liberação de gás de enxofre(altamente tóxico), seguido de explosões que lançam lavas. A lava é composta basicamente de ferro e silicato de alumínio em estado pastoso. A composição química do magma ou lava e a quantidade de gás que contém determina a natureza da erupção vulcânica. Basaltos carregados de gás produzem cones de lava. Erupções mais violentas ocorrem quando grandes nuvens de lava entram em contato com a água, produzindo cinza finamente granulada. Quando andesitas, um tipo de mineral, estão carregadas com gás, elas explodem violentamente. Nuvens incandescentes são extremamente destrutivas. Elas são produzidas pelo magma que rompe de forma explosiva na superfície, expelindo gases e derramando lavas derretida pelas encostas das montanhas, a grande velocidade.

Nem todas as erupções são iguais, distingue-se oito tipos de atividade vulcânica:

• Erupção inicial;
• Atividades explosivas;
• Expulsão rítmica de cinza;
• Lagos de lavas;
• Efusão lenta;
• Formação de nuvens ardentes;
• Erupção linear;
• Erupção submarina.

A erupção inicial, caso muito raro, ocorre em lugares onde nunca existiram vulcões, ou onde os vulcões existentes há muito tempo não entram em erupção. Este é o caso do Paricutin no México em 1945. O qual foi estudado de perto e detalhadamente. Primeiro houve fortes tremores de terra. Depois, formou-se repentinamente uma fenda no chão, com meio metro de largura. Desta fenda iniciou-se, logo em seguida, a expulsão de gases e cinzas. Dois dias mais tarde, começou o derramamento de lava. A expansão de gases no interior do vulcão provoca explosões, projetando fragmentos de lava, que muitas vezes se solidificam no ar. Assumem, então, a forma de bombas, isto é, blocos de material sólido ou parcialmente pastoso, que apresentam o aspecto de fuso retorcido, e ou de rapilhos, pedrinhas ou cinzas, se os fragmentos são de dimensões menores.

Expulsão ritimica de cinzas também chamada estrambolina, como do  vulcão Strombolino, na Itália, é um dos melhores exemplos deste tipo. O fenômeno se inicia com emanações de vapores, seguida de expulsão de lavas e de fragmentos de material quebrado pelas explosões que são projetadas no espaço e tornam a cair no interior da cratera. Sobrevêem cerca de uns quinze minutos de calma, após reinicia o ciclo, que dura um ou dois minutos.

Lagos de lavas ou também chamado atividade do tipo havaiano. São bem poucos os vulcões que se enquadram nesta categoria e um desses casos raros é o Kilauea, localizado no monte Mauna Loa (cerca de 4200 metros), no Havaí. Tem uma vasta cratera, e em seu interior está o lago de lavas fundida e incandescentes, com a temperatura de cerca de 1050º C na superfície.

Efusão lenta representa um estágio muito comum, e ocorre ocasionalmente no Vesúvio e no Etna (Itália). A lava sai da cratera ou dos flancos, e derrama-se lentamente pelos lados da montanha vulcânica.

As nuvens ardentes são provocadas pela grande quantidade de gases que podem ficar na lava sob forte pressão. A força expansiva dos gases, que se exerce sobre o teto, acaba por rompê-lo. Então a pressão bruscamente decresce, e ocorre a explosão, acompanhada de lava e fragmentos incandescentes e gases superaquecidos. Juntamente com os gases, essas partículas formam uma espécie de nuvem e, sob pressão gasosa, explodem no interior da própria nuvem.

A erupção linear verifica-se em algumas regiões da crosta, sujeitadas a grande tensão, podem abrir-se largas e profundas fendas. Quando estas atingem a área magmática, e são novamente abertas pela repetições de pressões, ocorrem atividades vulcânicas de natureza explosiva ou efusiva e ocorrem com maior frequência na Islândia.

As erupções submarinas, como o próprio nome está dizendo, ocorrem nas profundezas de mares e oceanos no que, não raro, faz elevar-se novas terras e surgir uma ilha do dia para a noite.

Após uma erupção, lentamente a lava se resfria, se solidifica e obstrui a chaminé. Se a obstrução for completa, diz-se que o vulcão está extinto. Se é incompleta, deixando uma abertura por onde passem as fumarolas ou gases, o vulcão está temporariamente inativo. Passando alguns anos, costuma-se suceder que reservatório de magma se enche novamente, e começa a empurrar o obstáculo formado pela lava solidificada. Quando essa pressão vence a resistência, verifica-se na erupção, precedida de tremores da terra, ruídos, fendas e fumaça.


A maioria dos vulcões compostos tem uma cratera no ápice que contém uma abertura central ou um grupo de várias aberturas. A lavas ou fluem pela abertura do muro da cratera ou sai das fissuras nos flancos do cone. A lava, solidificada dentro das fissuras, formam diques que agem como apoio e fortalecem muito o cone do vulcão. A característica essencial de um vulcão composto é um sistema de canal pelo qual o magma do fundo da crosta terrestre da Terra sobe para superfície.

O vulcão é construído pelo acúmulo de material que flui pelo canal e aumenta o vulcão em tamanho com mais lava, cinzas, e outros materiais vulcânicos, etc.., que são adicionados as suas rampas. Quando um vulcão composto fica inativo ou adormecido, a erosão começa a destruir o cone. Quando o cone é destruído, o magma endurecido que enche o canal(tampa a cratera) e as fissuras(os diques) é exposto, e também é lentamente reduzido através da erosão. Finalmente, todos os restos remanescentes voltam tapar o complexo de diques que projeta sobre a superfície da terra – uma sombra que lembra o desaparecimento do vulcão.


Caldeiras
Caldeiras são depressões normalmente grandes, cercadas com escarpas íngreme, amoldadas em forma de bacias formadas pelo colapso de uma grande área em cima e ao redor de uma mais  aberturas vulcânicas. As Caldeiras variam em forma e são classificadas segundo os tamanhos das depressões aproximadamente circulares medindo de 1 a 15 milhas de diâmetro e para as enormes depressões alongadas medindo tanto quanto 60 milhas de comprimento.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

A GEOLOGIA DO PLANETA TERRA




O planeta Terra é coberto por uma camada formada por terra e rochas chamada de crosta terrestre ou litosfera. Esta crosta não é lisa e uniforme, mas sim irregular e composta por placas tectônicas. Estas placas não são fixas, pois estão sob o magma (rocha fundida de alta temperatura).

Estas placas tectônicas estão em constante movimento, exercendo pressão umas nas outras. Muitos terremotos são ocasionados pela energia liberada pelo choque entre estas placas. Regiões habitadas, que estão situadas nestas áreas, recebem maior impacto destes terremotos.

Muitos vulcões se formam nestas regiões de convergência entre placas. A ruptura no solo faz com que, muitas vezes, o magma terrestre escape, atingindo a superfície.

O Brasil está situada na parte interna da Placa Sul-Americana, portanto, os tremores de terra sentidos em nosso país são considerados de grau baixo. Isto ocorre, pois estamos distantes das zonas de impacto entre placas.

De acordo com os geólogos, existem 52 placas tectônicas em nosso planeta. São 14 grandes placas e 38 de tamanho menor.

Principais placas tectônicas:

- Placa Africana 
 
- Placa Antártida
- Placa da Arábia
- Placa Australiana
- Placa das Caraíbas 
   
- Placa de Cocos
- Placa Euroasiática
- Placa das Filipinas
- Placa Indiana
- Placa Juan de Fuca
- Placa de Nazca
- Placa Norte-americana
- Placa do Pacífico
- Placa de Scotia
- Placa Sul-americana

quarta-feira, 4 de julho de 2012

UM MERGULHO PARA FOTOGRAFAR A DIVISA ENTRE 2 PLACAS TECTÔNICAS


O britânico Alexander Mustard, fotografa a divisão entre as placas tectônicas da America do Norte e da Eurasia, que estão se afastando.






terça-feira, 26 de junho de 2012

NOVOS GEOGLIFOS FORAM ENCONTRADOS NO ACRE




Pesquisadores descobriram mais 20 geoglifos durante sobrevoo nas margens da BR-317, entre os estados do Acre e Amazonas, o que eleva para mais de 300 a ocorrência dessas formas geométricas no solo da Amazônia Ocidental, localizadas principalmente nas bordas de planaltos nos vales dos afluentes a sudeste do Rio Purus.
Os geoglifos são estruturas arqueológicas com desenhos geométricos de vários formatos (linhas, quadrados, círculos, animais e até formas humanas), existentes em diversas partes do mundo. No Acre, só se tornaram visíveis após a derrubada da floresta. Segundo os estudiosos, os “desenhos” descobertos na Amazônia Ocidental são obras de povos antigos e desconhecidos.
Alguns geoglifos têm idade presumida de até dez mil anos e chegam a medir centenas de metros de diâmetro. No Acre, começaram a ser descobertos em pesquisas arqueológicas no final dos anos 1970.




terça-feira, 15 de maio de 2012

DE LÊNIN Á LACOSTE. OS ARQUÉTIPOS ESPACIAIS DE SUBDESENVOLVIMENTO / AUTOR: ALAIN MUSSET.



POR: MARCOS BARROS



Subdesenvolvimento: uma realidade econômica e social que diferencia as nações em pobres e ricas, ou uma construção ideológica, que tem por fim a hierarquização dos povos, numa expressão metafórica das relações de poder que se estabelece  entre dominantes e dominados?

Segundo Lacoste (1962), trata-se de uma noção mal definida, carregando consigo desde o inicio não uma avaliação, ma sim a hierarquização de países pelo viés de uma comparação formada na evolução igualitária das nações em direção ao padrão comum, mas que dado aos processos de formação de cada povo bem como sua cultura e suas identidades territoriais não se pode tomar como padrão único a evolução econômica, baseada na lógica capitalista da produção e consumo, como sendo medida do grau de desenvolvimento de um povo.
Milton Santos (1979) em seus estudos reconhece a existência do que chama de circuito superior da economia, desenvolvido a partir da globalização das trocas e das técnicas entre diversas nações sejam ricas ou pobres. Tornando assim essa mesma globalização um instrumento da percepção de um mundo dividido em partes desiguais em função do acesso das populações a bens fundamentais ou a recursos diversos.  Assim critérios estatísticos como PIB, insuficiência alimentar, taxa de mortalidade infantil, exportação de matéria prima bruta, taxa de natalidade, etc.  são os critérios adotados para classificação dos países em desenvolvidos ou subdesenvolvidos. Embora outros critérios realmente influenciadores nas condições sócio econômicas dos povos, tais como: desperdício de recursos, colonização de exploração, atrofia das classes médias, desigualdades sociais estúpidas, administração publica nas mãos de elites corrompidas, etc. esses sim são fatores de desagregação econômica de qualquer nação.
Nessa classificação entre pobres e ricos, desenvolvidos e subdesenvolvidos que Amartya Sen (1998), faz sua critica a noção de pobreza, onde a mesma não pode ser vista, apenas pela abordagem contábil dos fatos econômicos, mas vai além, colocando que não só o rendimento obtido nas atividades econômicas das populações pobres devem ser levados em conta, mas também sua capacidade de utiliza-los para obtenção de bens fundamentais, pois cada povo tem suas necessidades próprias na aquisição de tais bens, tomando como base sua construção social e cultural especifica, como o poder de mesmo produzindo riquezas transformar essas riquezas em bem estar para todos.
O autor Alain Musset, mesmo se opondo por sua vez a visão estatística quantitativa do problema, admite que essa orientação política dos discursos, explica por que o território enquanto objeto de análise, desaparece em prol de um espaço teórico ou mesmo abstrato transformando as relações de poder numa escala global. Relações estas que ele procura analisar com base no que ele nomeia de Arquétipos espaciais comuns: Metrópole e Colônia, Centro e Periferia, Norte e Sul. Embora ele mesmo concorde afinal que para escapar desses arquétipos espaciais, a fim de se estudar e criticar a noção de subdesenvolvimento é mais do que nunca necessário territorializar as análises, procurando uma aproximação antropológica se libertando dos espaços teóricos a fim de se chegar as realidades de cada povo.
Como geógrafo me vem à compreensão, de que para entender as transformações dos territórios,  o trabalho em campo, aliado a uma pesquisa interdisciplinar, procurando analise dos fatos numa escala que vá do macro ao micro, e buscando um olhar para as várias ciências sociais, como fonte de conhecimento capaz de contribuir para um melhor entendimento dos objetos em estudo, com certeza, é a melhor forma de dar respostas concretas para o ideologismo subdesenvolvimentista.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

MOTIVAÇÕES HODIERNAS PARA ENSINAR GEOGRAFIA REPRESENTAÇÕES DO ESPAÇO PARA VISUAIS E INVISUAIS. AUTOR: NOGUEIRA, RUTH EMILIA – FLORIANOPOLIS,2009


POR:  MARCOS BARROS

O atual momento da educação está  marcado pelo uso de novas tecnologias, o que torna cada vez mais evidente a necessidade de criação de novas metodologias com o objetivo  de auxiliar nos trabalhos e estudos da Geografia afim de desenvolver a capacidade de uma leitura cartográfica mais dinâmica por parte do alunado, tornando-o capaz de formular ideias e extrair informações do material observado, seja um mapa, uma  fotografia áerea, ou mesmo uma imagem de satélite.Tecnologias novas, como as imagens de  sensoriamento remoto, ou mesmo as fotos aéreas, devem ser ferramentas disponíveis a todas as escolas, afim de se obter um melhor resultado no estudo da paisagem geográfica, tornando alunos e professores críticos, das observações feitas, numa análise das mudanças no ambiente em que vivem, seja elas provocadas pela ação  humana ou mesmo proveniente de fenômenos  naturais.
A autora procura auxiliar na reflexão sobre práticas que podem contribuir para com os educadores, a se aproximarem de novas tecnologias de geoprocessamento bem como levar tais conhecimentos para sala de aula introduzindo os mesmos ao cotidiano dos estudantes. A Geografia por ser uma ciência multidisciplinar, contribui para a divulgação de novas tecnologias, bem como para dinamizar a atuação dos professores no exercício de suas atividades pedagógicas, mas tais tecnologias dependem também da criatividade dos educadores a fim de dar maior estimulo aos seus alunos.
Torna-se assim também missão do professor o auxilio aos estudantes de poder experimentar as mais variadas concepções do mundo, saindo do tradicionalismo inerente das nossas escolas, criando um ambiente capaz de levar o educando a aprender a ver e interpretar aquilo que lhe é disponibilizado. Assim ler e escrever não é só o  objetivo primordial da educação, pois o educador ao mediar o conhecimento obtido através de analise e observação de imagens  de satélites e aerofotogrametria esta colaborando para a formação de individuos capazes de compreender e buscar soluções para os mais variados problemas, sejam ambientais ou de origem sócio espaciais.
È nesse contexto que a autora diz que “O ser humano é visto como um agente social e histórico do ambiente em que vive, sendo então transformador e construtor do espaço em que habita” e a Geografia como ciência social tem como objetivo, o estudo dessas relações do homem com o meio, estudos esses que tem na Cartografia uma poderosa ferramenta de trabalho, aliada as novas tecnologias. Uma experiência bem sucedida é o uso de imagens de satélites para confecções de mapas temáticos, onde os alunos podem levantar a historicidade, a cultura, a sustentabilidade, a biodiversidade ou outros dados de relevante importância sobre os ambientes em que vivem, dando-lhes empoderamento sobre esses espaços. Assim a atividade cartográfica além de lúdica e informacional assume também um papel de formação da cidadania., coletiva e individual dos membros de uma  comunidade. Projetos pedagógicos ou de extensão universitária realizados por todo o país permitem evidenciar o sucesso dessas novas tecnologias na prática escolar.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A REINVENÇÃO DOS TERRITÓRIOS /CARLOS WALTER PORTO



POR MARCOS BARROS:

Como entender o atual momento da América Latina, sem ter uma visão de todo o contexto histórico / social de 500 anos de Imperialismo, Colonização e Exploração, num processo de acumulação onde até o Continente Africano é parte de toda engrenagem que tem no Mercantilismo seu grande predecessor, até o Capitalismo Global como hoje conhecemos no mundo. É com base nessa historicidade e contemporaneidade que Carlos Walter aborda em seu texto como se desenvolveu os processos que redefiniram a Geografia das Américas e Caribe, como se desenvolve o pensamento Imperialista e colonizador, num enfoque das justificativas de paz social e agregação de novos territórios, a fim de desenvolver a lógica da Revolução Industrial e capitalista de produção de mercadorias e abertura de novos mercados para sua comercialização.  
Com a chegada do europeu a América, desencadeia-se toda uma nova concepção de Geografia do mundo e do modo de exploração do novo continente e de suas potencialidades naturais seja na subjugação dos povos aqui existentes, na exploração agrícola ou na retirada de seus recursos minerais. Também ai nasce o pensamento Eurocêntrico, de ser a Europa o centro do mundo moderno e civilizado o que justificava assim a colonização e mesmo a escravização dos demais povos considerados primitivos, sejam na África ou na América. Assim o novo continente nasce e continua rico até hoje, mas na ótica da acumulação que o torna subserviente e dependente das Potências Mundiais, o que se observa claramente se compararmos as monoculturas desenvolvidas durante o período colonial e o Agronegócio hoje explorado em toda a região.
Durante todo período da 1ª modernidade, a hegemônia é marcada pelo domínio imperialista de Portugal e Espanha, sendo essas nações os grandes polos colonizadores e exploradores da África escrava e da America rica, onde os processos de acumulação se dão através da exploração de monoculturas agrícolas como o açúcar, do comércio escravista dos negros africanos ou do saque aos povos nativos americanos, mas a partir do Séc. XVIII ou 2ª modernidade entra em cena uma nova confrontação de forças regidas pelos países do Norte Europeu (França, Inglaterra, Alemanha), gerando uma nova configuração geográfica no mundo, onde a revolução industrial e o capitalismo através do seu modo de produção substitui o mercantilismo, surgindo também os sentimentos nacionalistas e de liberdade, que tem na Independência dos EUA, e na cristalização desses sentimentos com o slogan a "América para os americanos", apenas uma construção teórica que se vê jogada por terra, haja vista que desde a própria declaração de Independência dos EUA as máximas de igualdade, fraternidade, liberdade não visava a ser estendida a todos os povos da America. Nasci daí às divergências ideológicas e raciais bem como as lutas pela territorialidade dos povos que habitam a América, pois uma sociedade é constituída de seu povo e seu território que são indissociáveis na construção das identidades dos espaços.
Os conflitos sociais na America Latina e Caribe são marcados pelas lutas da posse da terra e da descentralização do poder, das mãos de uma minoria rica, dita burguesa tendo do outro lado uma maioria pobre formada por indígenas nativos, afrodescendentes, homens brancos pobres que englobam a massa excluída campesina muitas vezes faminta e carente de condições dignas de vida que se espalham por toda a região. É nesse panorama de injustiças  que nascem movimentos sociais os mais variados e por todas as terras latinas, como se exemplifica o MST (Movimento dos Sem Terra) do Brasil, que luta pela posse da terra e divisão das riquezas, considerado um dos mais importantes de toda a região não só pela sua atuação e número de participantes envolvidos, mas pelo seu histórico de lutas e conquistas.
Mesmo com a luta cada vez maior e do crescente número desses movimentos, bem como a disseminação do ideal comunitário/coletivo, é nítido a dificuldade de enfrentamento ao capital hegemônico e explorador muitas vezes aliado as estruturas do Estado organizado, que deveriam por sua vez administrar e zelar pelo bem estar das populações e dos seus direitos. Mas numa coalizão de forças entre capital explorador e Estado constituído, o que se vê são políticas públicas meramente excludentes e desagregadoras, produzindo mazelas sociais que aumentam o abismo entre ricos e pobres. Politicas estas que não só afetam as populações, mas o meio ambiente como um todo, seja pela exploração desenfreada dos recursos naturais, como na destruição da biosfera através de processos poluidores do solo, das águas continentais e subterrâneas, mares, subsolo, atmosfera, colocando em risco até mesmo o futuro e a sobrevivência dos povos que aqui habitam.
Então numa análise de todo o material exposto pelo autor na sua descrição histórica dos fatos, como nas suas consequências até os dias de hoje é que podemos entender o porque da pobreza e miséria que vive o povo haitiano, a revolução comunista em Cuba, as constantes oscilações entre períodos de ditadura e democracia que se sucedem  no estado brasileiro e em nossos vizinhos, o atraso tecnológico e educacional dos povos latinos como um todo, em contraste com os padrões de vida e riqueza de nossos exploradores sejam eles estrangeiros  ou mesmo membros das elites locais.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

SUSTENTABILIDADE



Planeta só será sustentável com controle do consumo e população 


O consumo excessivo em países ricos e o rápido crescimento populacional nos países mais pobres precisam ser controlados para que a humanidade possa viver de forma sustentável. A conclusão é de um estudo de dois anos de um grupo de especialistas coordenados pela Royal Society (associação britânica de cientistas).
Entre as recomendações dos cientistas estão dar a todas as mulheres o acesso a planejamento familiar, deixar de usar o Produto Interno Bruto (PIB) como um indicativo de saúde econômica e reduzir o desperdício de comida.
O relatório da Royal Society será um dos referenciais para as discussões da Rio+20, cúpula que acontecerá na capital fluminense em junho próximo.
"Este é um período de extrema importância para a população e para o planeta, com mudanças profundas na saúde humana e na natureza", disse John Sulston, presidente do grupo responsável pelo relatório.
"Para onde vamos depende da vontade humana - não é algo predestinado, não é um ato de qualquer coisa fora (do controle) da humanidade, está em nossas mãos".
John Sulston ganhou renome internacional ao liderar a equipe britânica que participou do Human Genome Project, projeto responsável pelo mapeamento do genoma humano. Em 2002, ele foi ganhador, junto com outro cientista, de um prêmio Nobel de Medicina, e hoje é diretor do Institute for Science Ethics and Innovation, na Manchester University, em Manchester.
Discussão retomada
Embora o tamanho da população humana da Terra fosse no passado um importante ponto de discussão em debates sobre o meio ambiente, o assunto saiu da pauta de discussões recentemente.
Em parte, isso aconteceu porque alguns cientistas chegaram à conclusão de que a Terra seria capaz de suportar mais pessoas do que o imaginado. Além disso, países em desenvolvimento passaram a considerar a questão como uma cortina de fumaça criada por nações ocidentais para mascarar o problema do excesso de consumo.
Entretanto, o tema voltou à pauta de discussões após novos estudos terem mostrado que mulheres em países mais pobres, de maneira geral, desejam ter acesso ao planejamento familiar, o que traria benefícios à suas comunidades.
Segundo a projeção "média" da ONU, a população do planeta, atualmente com 7 bilhões de pessoas, atingiria um pico de pouco mais de 10 bilhões no final do século e depois começaria a cair.
"Dos três bilhões extra de pessoas que esperamos ter, a maioria virá dos países menos desenvolvidos", disse Eliya Zulu, diretora execuriva do African Institute for Development Policy, em Nairóbi, no Quênia. "Só na África, a população deve aumentar em 2 bilhões".
"Temos de investir em planejamento familiar nesses países - (desta forma,) damos poder às mulheres, melhoramos a saúde da criança e da mãe e damos maior oportunidade aos países mais pobres de investir em educação".
O relatório recomenda que nações desenvolvidas apoiem o acesso universal ao planejamento familiar - o que, o estudo calcula, custaria US$ 6 bilhões por ano.
Se o índice de fertilidade nos países menos desenvolvidos não cair para os níveis observados no resto do mundo - alerta o documento - a população do planeta em 2100 pode chegar a 22 bilhões, dos quais 17 bilhões seriam africanos.
Ultrapassando Fronteiras
O relatório é da opinião de que a humanidade já ultrapassou as fronteiras planetárias "seguras" em termos de perda de biodiversidade, mudança climática e ciclo do nitrogênio, sob risco de sérios impactos futuros. Segundo a Royal Society, além do planejamento familiar e da educação universal, a prioridade deve ser também retirar da pobreza extrema 1,3 bilhão de pessoas.
E se isso significa um aumento no consumo de alimentos, água e outros recursos, é isso mesmo o que deve ser feito, dizem os autores do relatório. Nesse meio tempo, os mais ricos precisam diminuir a quantidade de recursos materiais que consomem, embora isso talvez não afete o padrão de vida.
Eliminar o desperdício de comida, diminuir a queima de combustíveis fósseis e substituir economias de produtos por serviços são algumas das medidas simples que os cientistas recomendam para reduzir os gastos de recursos naturais sem diminuir a prosperidade de seus cidadãos.
"Uma criança no mundo desenvolvido consome entre 30 e 50 vezes mais água do que as do mundo em desenvolvimento", disse Sulston. "A produção de gás carbônico, um indicador do uso de energia, também pode ser 50 vezes maior".
"Não podemos conceber um mundo que continue sendo tão desigual, ou que se torne ainda mais desigual". Países em desenvolvimento, assim como nações de renda média, começam a sentir o impacto do excesso de consumo observado no Ocidente. Um dos sintomas disso é a obesidade.
PIB
A Royal Society diz que é fundamental abandonar o uso do PIB como único indicador da saúde de uma economia. Em seu lugar, países precisam adotar um medidor que avalie o "capital natural", ou seja, os produtos e serviços que a natureza oferece gratuitamente.
"Temos que ir além do PIB. Ou fazemos isso voluntariamente ou pressionados por um planeta finito", diz Jules Pretty, professor de meio ambiente e sociedade na universidade de Essex.
"O meio ambiente é de certa forma a economia... e você pode discutir gerenciamentos econômicos para melhorar as vidas de pessoas que não prejudique o capital natural, mas sim o melhore", completa.
O encontro do Rio+20 em junho deve gerar um acordo com uma série de "metas de desenvolvimento sustentável", para substituir as atuais metas de desenvolvimento do milênio, que vem ajudando na redução da pobreza e melhoria da saúde e educação em países em desenvolvimento.
Não está claro se as novas metas vão pedir o compromisso de que os países ricos diminuam seus níveis de consumo. Governos podem ainda concordar durante o encontro no Rio a usar outros indicadores econômicos além do PIB.