POR MARCOS BARROS:
Como entender o atual momento da América
Latina, sem ter uma visão de todo o contexto histórico / social de 500 anos de
Imperialismo, Colonização e Exploração, num processo de acumulação onde até o
Continente Africano é parte de toda engrenagem que tem no Mercantilismo seu
grande predecessor, até o Capitalismo Global como hoje conhecemos no mundo. É
com base nessa historicidade e contemporaneidade que Carlos Walter aborda em
seu texto como se desenvolveu os processos que redefiniram a Geografia das
Américas e Caribe, como se desenvolve o pensamento Imperialista e colonizador,
num enfoque das justificativas de paz social e agregação de novos territórios,
a fim de desenvolver a lógica da Revolução Industrial e capitalista de produção
de mercadorias e abertura de novos mercados para sua comercialização.
Com a chegada do europeu a América,
desencadeia-se toda uma nova concepção de Geografia do mundo e do modo de
exploração do novo continente e de suas potencialidades naturais seja na subjugação
dos povos aqui existentes, na exploração agrícola ou na retirada de seus
recursos minerais. Também ai nasce o pensamento Eurocêntrico, de ser a Europa o
centro do mundo moderno e civilizado o que justificava assim a colonização e
mesmo a escravização dos demais povos considerados primitivos, sejam na África ou na
América. Assim o novo continente nasce e continua rico até hoje, mas na ótica
da acumulação que o torna subserviente e dependente das Potências
Mundiais, o que se observa claramente se compararmos as monoculturas desenvolvidas
durante o período colonial e o Agronegócio hoje explorado em toda a região.
Durante todo período da 1ª modernidade,
a hegemônia é marcada pelo domínio imperialista de Portugal e Espanha, sendo
essas nações os grandes polos colonizadores e exploradores da África escrava e
da America rica, onde os processos de acumulação se dão através da exploração
de monoculturas agrícolas como o açúcar, do comércio escravista dos negros
africanos ou do saque aos povos nativos americanos, mas a partir do Séc. XVIII
ou 2ª modernidade entra em cena uma nova confrontação de forças regidas pelos
países do Norte Europeu (França, Inglaterra, Alemanha), gerando uma nova
configuração geográfica no mundo, onde a revolução industrial e o capitalismo
através do seu modo de produção substitui o mercantilismo, surgindo também os sentimentos
nacionalistas e de liberdade, que tem na Independência dos EUA, e na
cristalização desses sentimentos com o slogan a "América para os americanos",
apenas uma construção teórica que se vê jogada por terra, haja vista que desde a
própria declaração de Independência dos EUA as máximas de igualdade,
fraternidade, liberdade não visava a ser estendida a todos os povos da America.
Nasci daí às divergências ideológicas e raciais bem como as lutas pela
territorialidade dos povos que habitam a América, pois uma sociedade é
constituída de seu povo e seu território que são indissociáveis na construção
das identidades dos espaços.
Os conflitos sociais na America Latina e
Caribe são marcados pelas lutas da posse da terra e da descentralização do
poder, das mãos de uma minoria rica, dita burguesa tendo do outro lado uma
maioria pobre formada por indígenas nativos, afrodescendentes, homens brancos
pobres que englobam a massa excluída campesina muitas vezes faminta e carente
de condições dignas de vida que se espalham por toda a região. É nesse panorama
de injustiças que nascem movimentos
sociais os mais variados e por todas as terras latinas, como se exemplifica o
MST (Movimento dos Sem Terra) do Brasil, que luta pela posse da terra e divisão
das riquezas, considerado um dos mais importantes de toda a região não só pela
sua atuação e número de participantes envolvidos, mas pelo seu histórico de
lutas e conquistas.
Mesmo com a luta cada vez maior e do
crescente número desses movimentos, bem como a disseminação do ideal
comunitário/coletivo, é nítido a dificuldade de enfrentamento ao capital
hegemônico e explorador muitas vezes aliado as estruturas do Estado organizado,
que deveriam por sua vez administrar e zelar pelo bem estar das populações e
dos seus direitos. Mas numa coalizão de forças entre capital explorador e Estado
constituído, o que se vê são políticas públicas meramente excludentes e
desagregadoras, produzindo mazelas sociais que aumentam o abismo entre ricos e
pobres. Politicas estas que não só afetam as populações, mas o meio ambiente
como um todo, seja pela exploração desenfreada dos recursos naturais, como na
destruição da biosfera através de processos poluidores do solo, das águas
continentais e subterrâneas, mares, subsolo, atmosfera, colocando em risco até
mesmo o futuro e a sobrevivência dos povos que aqui habitam.
Então numa análise de todo o material
exposto pelo autor na sua descrição histórica dos fatos, como nas suas
consequências até os dias de hoje é que podemos entender o porque da pobreza e
miséria que vive o povo haitiano, a revolução comunista em Cuba, as constantes
oscilações entre períodos de ditadura e democracia que se sucedem no estado brasileiro e em nossos vizinhos, o
atraso tecnológico e educacional dos povos latinos como um todo, em contraste
com os padrões de vida e riqueza de nossos exploradores sejam eles
estrangeiros ou mesmo membros das elites
locais.
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