sexta-feira, 4 de maio de 2012

A REINVENÇÃO DOS TERRITÓRIOS /CARLOS WALTER PORTO



POR MARCOS BARROS:

Como entender o atual momento da América Latina, sem ter uma visão de todo o contexto histórico / social de 500 anos de Imperialismo, Colonização e Exploração, num processo de acumulação onde até o Continente Africano é parte de toda engrenagem que tem no Mercantilismo seu grande predecessor, até o Capitalismo Global como hoje conhecemos no mundo. É com base nessa historicidade e contemporaneidade que Carlos Walter aborda em seu texto como se desenvolveu os processos que redefiniram a Geografia das Américas e Caribe, como se desenvolve o pensamento Imperialista e colonizador, num enfoque das justificativas de paz social e agregação de novos territórios, a fim de desenvolver a lógica da Revolução Industrial e capitalista de produção de mercadorias e abertura de novos mercados para sua comercialização.  
Com a chegada do europeu a América, desencadeia-se toda uma nova concepção de Geografia do mundo e do modo de exploração do novo continente e de suas potencialidades naturais seja na subjugação dos povos aqui existentes, na exploração agrícola ou na retirada de seus recursos minerais. Também ai nasce o pensamento Eurocêntrico, de ser a Europa o centro do mundo moderno e civilizado o que justificava assim a colonização e mesmo a escravização dos demais povos considerados primitivos, sejam na África ou na América. Assim o novo continente nasce e continua rico até hoje, mas na ótica da acumulação que o torna subserviente e dependente das Potências Mundiais, o que se observa claramente se compararmos as monoculturas desenvolvidas durante o período colonial e o Agronegócio hoje explorado em toda a região.
Durante todo período da 1ª modernidade, a hegemônia é marcada pelo domínio imperialista de Portugal e Espanha, sendo essas nações os grandes polos colonizadores e exploradores da África escrava e da America rica, onde os processos de acumulação se dão através da exploração de monoculturas agrícolas como o açúcar, do comércio escravista dos negros africanos ou do saque aos povos nativos americanos, mas a partir do Séc. XVIII ou 2ª modernidade entra em cena uma nova confrontação de forças regidas pelos países do Norte Europeu (França, Inglaterra, Alemanha), gerando uma nova configuração geográfica no mundo, onde a revolução industrial e o capitalismo através do seu modo de produção substitui o mercantilismo, surgindo também os sentimentos nacionalistas e de liberdade, que tem na Independência dos EUA, e na cristalização desses sentimentos com o slogan a "América para os americanos", apenas uma construção teórica que se vê jogada por terra, haja vista que desde a própria declaração de Independência dos EUA as máximas de igualdade, fraternidade, liberdade não visava a ser estendida a todos os povos da America. Nasci daí às divergências ideológicas e raciais bem como as lutas pela territorialidade dos povos que habitam a América, pois uma sociedade é constituída de seu povo e seu território que são indissociáveis na construção das identidades dos espaços.
Os conflitos sociais na America Latina e Caribe são marcados pelas lutas da posse da terra e da descentralização do poder, das mãos de uma minoria rica, dita burguesa tendo do outro lado uma maioria pobre formada por indígenas nativos, afrodescendentes, homens brancos pobres que englobam a massa excluída campesina muitas vezes faminta e carente de condições dignas de vida que se espalham por toda a região. É nesse panorama de injustiças  que nascem movimentos sociais os mais variados e por todas as terras latinas, como se exemplifica o MST (Movimento dos Sem Terra) do Brasil, que luta pela posse da terra e divisão das riquezas, considerado um dos mais importantes de toda a região não só pela sua atuação e número de participantes envolvidos, mas pelo seu histórico de lutas e conquistas.
Mesmo com a luta cada vez maior e do crescente número desses movimentos, bem como a disseminação do ideal comunitário/coletivo, é nítido a dificuldade de enfrentamento ao capital hegemônico e explorador muitas vezes aliado as estruturas do Estado organizado, que deveriam por sua vez administrar e zelar pelo bem estar das populações e dos seus direitos. Mas numa coalizão de forças entre capital explorador e Estado constituído, o que se vê são políticas públicas meramente excludentes e desagregadoras, produzindo mazelas sociais que aumentam o abismo entre ricos e pobres. Politicas estas que não só afetam as populações, mas o meio ambiente como um todo, seja pela exploração desenfreada dos recursos naturais, como na destruição da biosfera através de processos poluidores do solo, das águas continentais e subterrâneas, mares, subsolo, atmosfera, colocando em risco até mesmo o futuro e a sobrevivência dos povos que aqui habitam.
Então numa análise de todo o material exposto pelo autor na sua descrição histórica dos fatos, como nas suas consequências até os dias de hoje é que podemos entender o porque da pobreza e miséria que vive o povo haitiano, a revolução comunista em Cuba, as constantes oscilações entre períodos de ditadura e democracia que se sucedem  no estado brasileiro e em nossos vizinhos, o atraso tecnológico e educacional dos povos latinos como um todo, em contraste com os padrões de vida e riqueza de nossos exploradores sejam eles estrangeiros  ou mesmo membros das elites locais.

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