terça-feira, 15 de maio de 2012

DE LÊNIN Á LACOSTE. OS ARQUÉTIPOS ESPACIAIS DE SUBDESENVOLVIMENTO / AUTOR: ALAIN MUSSET.



POR: MARCOS BARROS



Subdesenvolvimento: uma realidade econômica e social que diferencia as nações em pobres e ricas, ou uma construção ideológica, que tem por fim a hierarquização dos povos, numa expressão metafórica das relações de poder que se estabelece  entre dominantes e dominados?

Segundo Lacoste (1962), trata-se de uma noção mal definida, carregando consigo desde o inicio não uma avaliação, ma sim a hierarquização de países pelo viés de uma comparação formada na evolução igualitária das nações em direção ao padrão comum, mas que dado aos processos de formação de cada povo bem como sua cultura e suas identidades territoriais não se pode tomar como padrão único a evolução econômica, baseada na lógica capitalista da produção e consumo, como sendo medida do grau de desenvolvimento de um povo.
Milton Santos (1979) em seus estudos reconhece a existência do que chama de circuito superior da economia, desenvolvido a partir da globalização das trocas e das técnicas entre diversas nações sejam ricas ou pobres. Tornando assim essa mesma globalização um instrumento da percepção de um mundo dividido em partes desiguais em função do acesso das populações a bens fundamentais ou a recursos diversos.  Assim critérios estatísticos como PIB, insuficiência alimentar, taxa de mortalidade infantil, exportação de matéria prima bruta, taxa de natalidade, etc.  são os critérios adotados para classificação dos países em desenvolvidos ou subdesenvolvidos. Embora outros critérios realmente influenciadores nas condições sócio econômicas dos povos, tais como: desperdício de recursos, colonização de exploração, atrofia das classes médias, desigualdades sociais estúpidas, administração publica nas mãos de elites corrompidas, etc. esses sim são fatores de desagregação econômica de qualquer nação.
Nessa classificação entre pobres e ricos, desenvolvidos e subdesenvolvidos que Amartya Sen (1998), faz sua critica a noção de pobreza, onde a mesma não pode ser vista, apenas pela abordagem contábil dos fatos econômicos, mas vai além, colocando que não só o rendimento obtido nas atividades econômicas das populações pobres devem ser levados em conta, mas também sua capacidade de utiliza-los para obtenção de bens fundamentais, pois cada povo tem suas necessidades próprias na aquisição de tais bens, tomando como base sua construção social e cultural especifica, como o poder de mesmo produzindo riquezas transformar essas riquezas em bem estar para todos.
O autor Alain Musset, mesmo se opondo por sua vez a visão estatística quantitativa do problema, admite que essa orientação política dos discursos, explica por que o território enquanto objeto de análise, desaparece em prol de um espaço teórico ou mesmo abstrato transformando as relações de poder numa escala global. Relações estas que ele procura analisar com base no que ele nomeia de Arquétipos espaciais comuns: Metrópole e Colônia, Centro e Periferia, Norte e Sul. Embora ele mesmo concorde afinal que para escapar desses arquétipos espaciais, a fim de se estudar e criticar a noção de subdesenvolvimento é mais do que nunca necessário territorializar as análises, procurando uma aproximação antropológica se libertando dos espaços teóricos a fim de se chegar as realidades de cada povo.
Como geógrafo me vem à compreensão, de que para entender as transformações dos territórios,  o trabalho em campo, aliado a uma pesquisa interdisciplinar, procurando analise dos fatos numa escala que vá do macro ao micro, e buscando um olhar para as várias ciências sociais, como fonte de conhecimento capaz de contribuir para um melhor entendimento dos objetos em estudo, com certeza, é a melhor forma de dar respostas concretas para o ideologismo subdesenvolvimentista.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

MOTIVAÇÕES HODIERNAS PARA ENSINAR GEOGRAFIA REPRESENTAÇÕES DO ESPAÇO PARA VISUAIS E INVISUAIS. AUTOR: NOGUEIRA, RUTH EMILIA – FLORIANOPOLIS,2009


POR:  MARCOS BARROS

O atual momento da educação está  marcado pelo uso de novas tecnologias, o que torna cada vez mais evidente a necessidade de criação de novas metodologias com o objetivo  de auxiliar nos trabalhos e estudos da Geografia afim de desenvolver a capacidade de uma leitura cartográfica mais dinâmica por parte do alunado, tornando-o capaz de formular ideias e extrair informações do material observado, seja um mapa, uma  fotografia áerea, ou mesmo uma imagem de satélite.Tecnologias novas, como as imagens de  sensoriamento remoto, ou mesmo as fotos aéreas, devem ser ferramentas disponíveis a todas as escolas, afim de se obter um melhor resultado no estudo da paisagem geográfica, tornando alunos e professores críticos, das observações feitas, numa análise das mudanças no ambiente em que vivem, seja elas provocadas pela ação  humana ou mesmo proveniente de fenômenos  naturais.
A autora procura auxiliar na reflexão sobre práticas que podem contribuir para com os educadores, a se aproximarem de novas tecnologias de geoprocessamento bem como levar tais conhecimentos para sala de aula introduzindo os mesmos ao cotidiano dos estudantes. A Geografia por ser uma ciência multidisciplinar, contribui para a divulgação de novas tecnologias, bem como para dinamizar a atuação dos professores no exercício de suas atividades pedagógicas, mas tais tecnologias dependem também da criatividade dos educadores a fim de dar maior estimulo aos seus alunos.
Torna-se assim também missão do professor o auxilio aos estudantes de poder experimentar as mais variadas concepções do mundo, saindo do tradicionalismo inerente das nossas escolas, criando um ambiente capaz de levar o educando a aprender a ver e interpretar aquilo que lhe é disponibilizado. Assim ler e escrever não é só o  objetivo primordial da educação, pois o educador ao mediar o conhecimento obtido através de analise e observação de imagens  de satélites e aerofotogrametria esta colaborando para a formação de individuos capazes de compreender e buscar soluções para os mais variados problemas, sejam ambientais ou de origem sócio espaciais.
È nesse contexto que a autora diz que “O ser humano é visto como um agente social e histórico do ambiente em que vive, sendo então transformador e construtor do espaço em que habita” e a Geografia como ciência social tem como objetivo, o estudo dessas relações do homem com o meio, estudos esses que tem na Cartografia uma poderosa ferramenta de trabalho, aliada as novas tecnologias. Uma experiência bem sucedida é o uso de imagens de satélites para confecções de mapas temáticos, onde os alunos podem levantar a historicidade, a cultura, a sustentabilidade, a biodiversidade ou outros dados de relevante importância sobre os ambientes em que vivem, dando-lhes empoderamento sobre esses espaços. Assim a atividade cartográfica além de lúdica e informacional assume também um papel de formação da cidadania., coletiva e individual dos membros de uma  comunidade. Projetos pedagógicos ou de extensão universitária realizados por todo o país permitem evidenciar o sucesso dessas novas tecnologias na prática escolar.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A REINVENÇÃO DOS TERRITÓRIOS /CARLOS WALTER PORTO



POR MARCOS BARROS:

Como entender o atual momento da América Latina, sem ter uma visão de todo o contexto histórico / social de 500 anos de Imperialismo, Colonização e Exploração, num processo de acumulação onde até o Continente Africano é parte de toda engrenagem que tem no Mercantilismo seu grande predecessor, até o Capitalismo Global como hoje conhecemos no mundo. É com base nessa historicidade e contemporaneidade que Carlos Walter aborda em seu texto como se desenvolveu os processos que redefiniram a Geografia das Américas e Caribe, como se desenvolve o pensamento Imperialista e colonizador, num enfoque das justificativas de paz social e agregação de novos territórios, a fim de desenvolver a lógica da Revolução Industrial e capitalista de produção de mercadorias e abertura de novos mercados para sua comercialização.  
Com a chegada do europeu a América, desencadeia-se toda uma nova concepção de Geografia do mundo e do modo de exploração do novo continente e de suas potencialidades naturais seja na subjugação dos povos aqui existentes, na exploração agrícola ou na retirada de seus recursos minerais. Também ai nasce o pensamento Eurocêntrico, de ser a Europa o centro do mundo moderno e civilizado o que justificava assim a colonização e mesmo a escravização dos demais povos considerados primitivos, sejam na África ou na América. Assim o novo continente nasce e continua rico até hoje, mas na ótica da acumulação que o torna subserviente e dependente das Potências Mundiais, o que se observa claramente se compararmos as monoculturas desenvolvidas durante o período colonial e o Agronegócio hoje explorado em toda a região.
Durante todo período da 1ª modernidade, a hegemônia é marcada pelo domínio imperialista de Portugal e Espanha, sendo essas nações os grandes polos colonizadores e exploradores da África escrava e da America rica, onde os processos de acumulação se dão através da exploração de monoculturas agrícolas como o açúcar, do comércio escravista dos negros africanos ou do saque aos povos nativos americanos, mas a partir do Séc. XVIII ou 2ª modernidade entra em cena uma nova confrontação de forças regidas pelos países do Norte Europeu (França, Inglaterra, Alemanha), gerando uma nova configuração geográfica no mundo, onde a revolução industrial e o capitalismo através do seu modo de produção substitui o mercantilismo, surgindo também os sentimentos nacionalistas e de liberdade, que tem na Independência dos EUA, e na cristalização desses sentimentos com o slogan a "América para os americanos", apenas uma construção teórica que se vê jogada por terra, haja vista que desde a própria declaração de Independência dos EUA as máximas de igualdade, fraternidade, liberdade não visava a ser estendida a todos os povos da America. Nasci daí às divergências ideológicas e raciais bem como as lutas pela territorialidade dos povos que habitam a América, pois uma sociedade é constituída de seu povo e seu território que são indissociáveis na construção das identidades dos espaços.
Os conflitos sociais na America Latina e Caribe são marcados pelas lutas da posse da terra e da descentralização do poder, das mãos de uma minoria rica, dita burguesa tendo do outro lado uma maioria pobre formada por indígenas nativos, afrodescendentes, homens brancos pobres que englobam a massa excluída campesina muitas vezes faminta e carente de condições dignas de vida que se espalham por toda a região. É nesse panorama de injustiças  que nascem movimentos sociais os mais variados e por todas as terras latinas, como se exemplifica o MST (Movimento dos Sem Terra) do Brasil, que luta pela posse da terra e divisão das riquezas, considerado um dos mais importantes de toda a região não só pela sua atuação e número de participantes envolvidos, mas pelo seu histórico de lutas e conquistas.
Mesmo com a luta cada vez maior e do crescente número desses movimentos, bem como a disseminação do ideal comunitário/coletivo, é nítido a dificuldade de enfrentamento ao capital hegemônico e explorador muitas vezes aliado as estruturas do Estado organizado, que deveriam por sua vez administrar e zelar pelo bem estar das populações e dos seus direitos. Mas numa coalizão de forças entre capital explorador e Estado constituído, o que se vê são políticas públicas meramente excludentes e desagregadoras, produzindo mazelas sociais que aumentam o abismo entre ricos e pobres. Politicas estas que não só afetam as populações, mas o meio ambiente como um todo, seja pela exploração desenfreada dos recursos naturais, como na destruição da biosfera através de processos poluidores do solo, das águas continentais e subterrâneas, mares, subsolo, atmosfera, colocando em risco até mesmo o futuro e a sobrevivência dos povos que aqui habitam.
Então numa análise de todo o material exposto pelo autor na sua descrição histórica dos fatos, como nas suas consequências até os dias de hoje é que podemos entender o porque da pobreza e miséria que vive o povo haitiano, a revolução comunista em Cuba, as constantes oscilações entre períodos de ditadura e democracia que se sucedem  no estado brasileiro e em nossos vizinhos, o atraso tecnológico e educacional dos povos latinos como um todo, em contraste com os padrões de vida e riqueza de nossos exploradores sejam eles estrangeiros  ou mesmo membros das elites locais.