POR: MARCOS BARROS
Subdesenvolvimento: uma realidade econômica e social que diferencia as nações em pobres e ricas, ou uma construção ideológica, que tem por fim a hierarquização dos povos, numa expressão metafórica das relações de poder que se estabelece entre dominantes e dominados?
Segundo Lacoste (1962), trata-se
de uma noção mal definida, carregando consigo desde o inicio não uma avaliação,
ma sim a hierarquização de países pelo viés de uma comparação formada na
evolução igualitária das nações em direção ao padrão comum, mas que dado aos
processos de formação de cada povo bem como sua cultura e suas identidades
territoriais não se pode tomar como padrão único a evolução econômica, baseada
na lógica capitalista da produção e consumo, como sendo medida do grau de
desenvolvimento de um povo.
Milton Santos (1979) em seus
estudos reconhece a existência do que chama de circuito superior da economia,
desenvolvido a partir da globalização das trocas e das técnicas entre diversas
nações sejam ricas ou pobres. Tornando assim essa mesma globalização um
instrumento da percepção de um mundo dividido em partes desiguais em função do
acesso das populações a bens fundamentais ou a recursos diversos. Assim critérios estatísticos como PIB,
insuficiência alimentar, taxa de mortalidade infantil, exportação de matéria
prima bruta, taxa de natalidade, etc.
são os critérios adotados para classificação dos países em desenvolvidos
ou subdesenvolvidos. Embora outros critérios realmente influenciadores nas condições
sócio econômicas dos povos, tais como: desperdício de recursos, colonização de
exploração, atrofia das classes médias, desigualdades sociais estúpidas, administração
publica nas mãos de elites corrompidas, etc. esses sim são fatores de
desagregação econômica de qualquer nação.
Nessa classificação entre pobres
e ricos, desenvolvidos e subdesenvolvidos que Amartya Sen (1998), faz sua
critica a noção de pobreza, onde a mesma não pode ser vista, apenas pela
abordagem contábil dos fatos econômicos, mas vai além, colocando que não só o
rendimento obtido nas atividades econômicas das populações pobres devem ser
levados em conta, mas também sua capacidade de utiliza-los para obtenção de
bens fundamentais, pois cada povo tem suas necessidades próprias na aquisição
de tais bens, tomando como base sua construção social e cultural especifica,
como o poder de mesmo produzindo riquezas transformar essas riquezas em bem
estar para todos.
O autor Alain Musset, mesmo se
opondo por sua vez a visão estatística quantitativa do problema, admite que
essa orientação política dos discursos, explica por que o território enquanto
objeto de análise, desaparece em prol de um espaço teórico ou mesmo abstrato
transformando as relações de poder numa escala global. Relações estas que ele
procura analisar com base no que ele nomeia de Arquétipos espaciais comuns:
Metrópole e Colônia, Centro e Periferia, Norte e Sul. Embora ele mesmo concorde
afinal que para escapar desses arquétipos espaciais, a fim de se estudar e
criticar a noção de subdesenvolvimento é mais do que nunca necessário territorializar
as análises, procurando uma aproximação antropológica se libertando dos espaços
teóricos a fim de se chegar as realidades de cada povo.
Como geógrafo me vem à
compreensão, de que para entender as transformações dos territórios, o trabalho em campo, aliado a uma pesquisa
interdisciplinar, procurando analise dos fatos numa escala que vá do macro ao
micro, e buscando um olhar para as várias ciências sociais, como fonte de
conhecimento capaz de contribuir para um melhor entendimento dos objetos em
estudo, com certeza, é a melhor forma de dar respostas concretas para o
ideologismo subdesenvolvimentista.