quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A Reprodução do Capital e seu Meio – Rosa Luxemburg

Texto: Marcos Barros
 
Nesta obra a autora desenvolve uma critica a Acumulação do Capital baseado nas análises de O Capital de Marx, procurando responder a um problema teórico com relação à política imperialista e suas razões econômicas. Ao analisar as obras de Marx a autora faz  observações de como se dá o processo de acumulação do capital e a realização da mais-valia bem como a  importância do mercado externo para o desenvolvimento do capitalismo, buscando a compreensão do imperialismo “como fase de desenvolvimento” do capitalismo. Nessa análise ela descreve algumas contradições do capitalismo: o capitalismo é um sistema que mesmo com o desejo de se tornar único necessita de outros regimes pré-capitalistas para se alimentar, ou seja, esse sistema por si só, não se sustenta diante de determinadas variações. Nem sempre a produção é superior à demanda efetiva. Faz-se necessário então a busca de um mercado externo que possa realizar mais - valia através de empréstimos financeiros, bem como fornecimento de matéria prima e potencial consumidor. Assim ela registra que o mercado externo não se refere necessariamente a extensões alem das fronteiras nacionais, mas sim a própria esfera capitalista. “Mercado interno sob o ponto de vista da produção capitalista, é mercado capitalista e o Mercado externo é a zona social não capitalista.” Ou seja, a conquista de mercados externos significa tanto a conquista de setores pré-capitalistas no interior das fronteiras nacionais, como a conquista de mercados nos países atrasados do exterior satisfazendo assim os interesses do capital. É com base nessas afirmações que ela desenvolve sua critica a obra de Marx a partir das reflexões da atuação imperialista dos estados fazendo frente à conquista de novos mercados a subjugação de outros povos a busca por matérias primas e a processual mudança do modo comunal de vida das populações ao redor do globo, a fim de inseri-las na lógica de produção capitalista, visando à tomada de seus territórios e a produção da mais valia. Para isso ela vai buscar no contexto histórico e também da sua atualidade a ação do capitalismo na Europa e ao redor do mundo, citando exemplos como a da Indústria Algodoeira Inglesa durante o séc XIX que abastecia tanto a pequena burguesia europeia como o campesinato na Índia, desenvolvendo em paralelo e por conta do capital obtido, uma vasta indústria mecânica e junto com essa a metalúrgica e carbonífera. Nessa lógica ela coloca que em sua ânsia de apropriação das forças produtivas com vistas à exploração, o capital esquadrinha o mundo inteiro, procura obter meios de produção em qualquer lugar e os tira ou os adquire de todas as culturas dos mais diversos níveis, bem como de qualquer forma social. Assim para o emprego produtivo da mais valia realizada é necessário que o capital disponha cada vez mais do globo terrestre todo, a fim de uma oferta qualitativa e quantitativamente ilimitada no condizente aos respectivos meios de produção, observa também que somente em solo pré-capitalista de relações sociais mais primitivas é que o capital consegue exercer tamanha influência sobre as forças produtivas materiais e humanas a ponto de criar prodígios como a elasticidade e sua capacidade súbita de ampliação produzindo uma rápida inclusão de novos territórios e matérias primas em proporções ilimitadas. Na defesa de sua critica ela coloca então que só o crescimento da classe operaria não se ajusta nem temporal nem quantitativamente as necessidades do capital em seu processo de acumulação, ou seja; não acompanha o ritmo das necessidades súbitas de expansão do capital, como o próprio Marx demonstra com tanto brilho, levando assim o capital a procurar fora de suas fronteiras tanto a força de trabalho adicional para formação de um exercito de reserva de mão de obra, bem como mercados e territórios. Nesse tocante a autora enfatiza que como a produção capitalista não pode limitar-se as riquezas naturais e às forças produtivas só das zonas temperadas, ela vai procurar então em todos os climas e regiões a busca pela reprodução do seu meio de acumulação. No seu processo de evolução desde sua infância no feudalismo o capitalismo passa então por vários estágios que abrangem ai hordas de populações que vivem em modo comunal primitivo, de coletores e caçadores bem como nômades e outras que se dedicam a produção mercantil artesanal e camponesa, meio esse em que marcha o processo capitalista de acumulação. Pode-se então se distinguir três fases: a luta do capital contra a economia natural, contra a economia mercantil e a concorrência do capital no cenário mundial em sua luta pelas condições restantes de acumulação. Para existir e se desenvolver o capitalismo precisa então de um meio não capitalista de produção, precisando então de camadas sociais não capitalistas como mercado para colocar sua mais valia, como fonte de aquisição de seus meios de produção e como reservatório de força de trabalho. Como a economia natural a produção se destina a atender as necessidades e satisfação das comunidades, não necessitando então de nenhuma ou quase nenhuma mercadoria estrangeira nem a necessidade de se desfazer de seus excedentes, a economia natural cria então dificuldades sérias a atender aos objetivos do capital, procurando então o capitalismo sempre destruir todas as formas de economia natural sejam elas feudais, patriarcais, escravistas, comunais etc. O capital então parte para a tomada de forma violenta os principais meios de produção em terras coloniais, promovendo a destruição e aniquilação planejada das organizações sociais não capitalistas ai existentes. Para tal a guerra ensanguentada e encarniçada é a forma como o capitalismo busca atingir seus objetivos, usurpando territórios e roubando a força de trabalho dos povos subjulgados seja pela colonização direta ou não. Como exemplo a autora faz um relato da atuação capitalista na Índia, na China, na África e outras partes do mundo por parte dos estados imperialistas europeus, onde o modo de operação capitalista sempre usa das mesmas armas na busca da sua satisfação acumulativa, pela força, pela desagregação social, pela tomada dos territórios, logo das riquezas existentes. Uma vez destruída a organização social e a economia natural as sociedades não capitalistas tornam-se agora consumidoras de mercadorias do capital e tem de lhes vender seus produtos. A guerra do Ópio na China a subjugação ao capitalismo das populações na Índia, a tomada dos territórios na África são alguns relatos claros em que a autora fundamenta sua análise da necessidade do capital para com as economias não capitalistas a fim de se expandir e aumentar seu processo de acumulação. Outro capitulo importante da luta do capital conta a economia natural é a separação da agricultura e a indústria ou da exclusão da indústria rural da economia camponesa, exemplificando essa condição ela se reporta a expansão das fronteiras agrícolas nos Estados Unidos que dizima os povos indígenas e por fim o mesmo  camponês vai ser agora estrangulado pela ganância capitalista e seus territórios antes expropriados dos povos indígenas serão mais uma vez tomados. Numa analise final a autora conclui que depois do capital ter substituído a economia natural pela economia mercantil simples, ele mesmo agora vai tomar o lugar desta última, se o capitalismo por tanto vive de formas econômicas não capitalistas vive a bem dizer das ruínas dessas formas.

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