Nesta obra a autora desenvolve uma critica a Acumulação do Capital baseado
nas análises de O Capital de Marx, procurando responder a um problema teórico
com relação à política imperialista e suas razões econômicas. Ao analisar as
obras de Marx a autora faz observações de como se dá o processo de acumulação do
capital e a realização da mais-valia bem como a importância do mercado
externo para o desenvolvimento do capitalismo, buscando a compreensão do
imperialismo “como fase de desenvolvimento” do capitalismo. Nessa análise ela
descreve algumas contradições do capitalismo: o capitalismo é um sistema que
mesmo com o desejo de se tornar único necessita de outros regimes pré-capitalistas
para se alimentar, ou seja, esse sistema por si só, não se sustenta diante de
determinadas variações. Nem sempre a produção é superior à demanda efetiva. Faz-se
necessário então a busca de um mercado externo que possa realizar mais - valia através
de empréstimos financeiros, bem como fornecimento de matéria prima e potencial
consumidor. Assim ela registra que o mercado externo não se refere
necessariamente a extensões alem das fronteiras nacionais, mas sim a própria
esfera capitalista. “Mercado interno sob o ponto de vista da produção capitalista,
é mercado capitalista e o Mercado externo é a zona social não capitalista.” Ou
seja, a conquista de mercados externos significa tanto a conquista de setores
pré-capitalistas no interior das fronteiras nacionais, como a conquista de
mercados nos países atrasados do exterior satisfazendo assim os interesses do
capital. É com base nessas afirmações que ela desenvolve sua critica a obra de
Marx a partir das reflexões da atuação imperialista dos estados fazendo frente
à conquista de novos mercados a subjugação de outros povos a busca por matérias
primas e a processual mudança do modo comunal de vida das populações ao redor
do globo, a fim de inseri-las na lógica de produção capitalista, visando à
tomada de seus territórios e a produção da mais valia. Para isso ela vai buscar
no contexto histórico e também da sua atualidade a ação do capitalismo na
Europa e ao redor do mundo, citando exemplos como a da Indústria Algodoeira
Inglesa durante o séc XIX que abastecia tanto a pequena burguesia europeia como
o campesinato na Índia, desenvolvendo em paralelo e por conta do capital obtido,
uma vasta indústria mecânica e junto com essa a metalúrgica e carbonífera.
Nessa lógica ela coloca que em sua ânsia de apropriação das forças produtivas
com vistas à exploração, o capital esquadrinha o mundo inteiro, procura obter
meios de produção em qualquer lugar e os tira ou os adquire de todas as
culturas dos mais diversos níveis, bem como de qualquer forma social. Assim
para o emprego produtivo da mais valia realizada é necessário que o capital
disponha cada vez mais do globo terrestre todo, a fim de uma oferta qualitativa
e quantitativamente ilimitada no condizente aos respectivos meios de produção,
observa também que somente em solo pré-capitalista de relações sociais mais
primitivas é que o capital consegue exercer tamanha influência sobre as forças
produtivas materiais e humanas a ponto de criar prodígios como a elasticidade e
sua capacidade súbita de ampliação produzindo uma rápida inclusão de novos
territórios e matérias primas em proporções ilimitadas. Na defesa de sua
critica ela coloca então que só o crescimento da classe operaria não se ajusta
nem temporal nem quantitativamente as necessidades do capital em seu processo de
acumulação, ou seja; não acompanha o ritmo das necessidades súbitas de expansão
do capital, como o próprio Marx demonstra com tanto brilho, levando assim o
capital a procurar fora de suas fronteiras tanto a força de trabalho adicional
para formação de um exercito de reserva de mão de obra, bem como mercados e
territórios. Nesse tocante a autora enfatiza que como a produção capitalista
não pode limitar-se as riquezas naturais e às forças produtivas só das zonas
temperadas, ela vai procurar então em todos os climas e regiões a busca pela
reprodução do seu meio de acumulação. No seu processo de evolução desde sua
infância no feudalismo o capitalismo passa então por vários estágios que
abrangem ai hordas de populações que vivem em modo comunal primitivo, de coletores
e caçadores bem como nômades e outras que se dedicam a produção mercantil
artesanal e camponesa, meio esse em que marcha o processo capitalista de
acumulação. Pode-se então se distinguir três fases: a luta do capital contra a
economia natural, contra a economia mercantil e a concorrência do capital no
cenário mundial em sua luta pelas condições restantes de acumulação. Para
existir e se desenvolver o capitalismo precisa então de um meio não capitalista
de produção, precisando então de camadas sociais não capitalistas como mercado
para colocar sua mais valia, como fonte de aquisição de seus meios de produção
e como reservatório de força de trabalho. Como a economia natural a produção se
destina a atender as necessidades e satisfação das comunidades, não
necessitando então de nenhuma ou quase nenhuma mercadoria estrangeira nem a
necessidade de se desfazer de seus excedentes, a economia natural cria então
dificuldades sérias a atender aos objetivos do capital, procurando então o
capitalismo sempre destruir todas as formas de economia natural sejam elas
feudais, patriarcais, escravistas, comunais etc. O capital então parte para a
tomada de forma violenta os principais meios de produção em terras coloniais,
promovendo a destruição e aniquilação planejada das organizações sociais não
capitalistas ai existentes. Para tal a guerra ensanguentada e encarniçada é a
forma como o capitalismo busca atingir seus objetivos, usurpando territórios e
roubando a força de trabalho dos povos subjulgados seja pela colonização direta
ou não. Como exemplo a autora faz um relato da atuação capitalista na Índia, na
China, na África e outras partes do mundo por parte dos estados imperialistas
europeus, onde o modo de operação capitalista sempre usa das mesmas armas na
busca da sua satisfação acumulativa, pela força, pela desagregação social, pela
tomada dos territórios, logo das riquezas existentes. Uma vez destruída a
organização social e a economia natural as sociedades não capitalistas
tornam-se agora consumidoras de mercadorias do capital e tem de lhes vender
seus produtos. A guerra do Ópio na China a subjugação ao capitalismo das
populações na Índia, a tomada dos territórios na África são alguns relatos
claros em que a autora fundamenta sua análise da necessidade do capital para
com as economias não capitalistas a fim de se expandir e aumentar seu processo
de acumulação. Outro capitulo importante da luta do capital conta a economia
natural é a separação da agricultura e a indústria ou da exclusão da indústria
rural da economia camponesa, exemplificando essa condição ela se reporta a
expansão das fronteiras agrícolas nos Estados Unidos que dizima os povos
indígenas e por fim o mesmo camponês vai
ser agora estrangulado pela ganância capitalista e seus territórios antes
expropriados dos povos indígenas serão mais uma vez tomados. Numa analise final
a autora conclui que depois do capital ter substituído a economia natural pela
economia mercantil simples, ele mesmo agora vai tomar o lugar desta última, se
o capitalismo por tanto vive de formas econômicas não capitalistas vive a bem
dizer das ruínas dessas formas.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
A
DENDEICULTURA E A PRODUÇÃO DO ESPAÇO NO BAIXO SUL BAIANO.
Marcos Barros
1.
APRESENTAÇÃO
O Presente trabalho visa fazer um estudo da formação do espaço na Sub-região do Baixo Sul Baiano com base na cultura do Dênde, apresentando para tal um levantamento histórico geográfico da área de estudo, do cultivo da espécie vegetal, sua importância econômica, cultural e social para as populações locais, procurando entender as questões de conflitos e problemáticas existentes neste espaço. Para tal o mesmo está subdividido em histórico, características físicas geográficas da sub-região e a cadeia produtiva do Dênde. Apresentamos também os objetivos específicos e gerais, a justificativa do estudo em questão, sua fundamentação teórica, a metodologia de pesquisa a ser empregada, a classificação da pesquisa, o cronograma a ser desenvolvido e nossas referências bibliográficas.
1.1. O BAIXO SUL BAIANO.
O
Território do Baixo Sul baiano reúne condições de clima e solo favoráveis à
cultura do dendê, com áreas litorâneas que se estendem desde o Recôncavo até os
Tabuleiros Costeiros do Sul. Porém, com esse potencial o Estado possui uma
baixa produtividade em decorrência da existência de grandes áreas de dendê nativo
ou espontâneo de baixo rendimento, onde predomina o extrativismo sem
mão-de-obra especializada com carência de recursos e assistência técnica, além
de outras problemáticas locais. O Dênde com seu potencial alimentício e
energético pode se constituir em um empreendimento de alta viabilidade
econômica como no caso especifico da produção de bio-combustíveis. Cultivar
dendê em sistemas agroflorestais modernos é um projeto de resultados
permanentes, a dendeicultura com todo esse potencial, ainda convive com a
realidade de baixa produtividade, necessitando de intervenção de programas que
estruture e modernize a cadeia produtiva do dendê, auxiliando o pequeno produtor, buscando a
profissionalização do setor. O Baixo Sul
baiano é um paradoxo, possuidor de uma vasta riqueza natural, e gerador de
riquezas econômicas é também uma região que apresenta altos índices de pobreza
e miséria social, o que nos leva a refletir sobre as causas dessas
desigualdades. É uma sub-região da Região Sul, uma das 15 Regiões Econômicas do
Governo do Estado da Bahia, de acordo com uma divisão exposta pela SEPLANTEC na
publicação “Perfil Regional do Sul da Bahia” (CAR, 1995) que engloba uma área
com 11 municípios, sendo eles: Cairu, Camamu, Igrapiúna, Ituberá, Maraú, Nilo
Peçanha, Piraí do Norte, Presidente Tancredo Neves, Taperoá, Teolândia e
Valença. Também denominada Costa do Dendê situa-se ao longo da rodovia- BA001,
na qual se encontra os municípios de Valença, Taperoá, Itubera, Nilo Peçanha,
Cairu, Igrapiuna e Camamu. De acordo com os critérios da Coordenação de
Desenvolvimento e Ação Regional/ Secretaria de Planejamento (CAR/SEPLAM).
Fisicamente a baixada litorânea é um conjunto de paisagens de extraordinária
beleza, incluindo remanescentes de Mata Atlântica - Floresta Ombrofila-,
restingas, mangues além de áreas com vegetação herbácea de transição. A Mata
Atlântica caracteriza-se pela grande porcentagem de espécies na biodiversidade
mundial e altas taxas de endemismos. O clima predominante no Baixo Sul
apresenta-se como clima tropical, com elevadas temperaturas e precipitações,
situada na zona litorânea a leste do Oceano Atlântico. Os maiores índices
pluviométricos verificam-se ao longo do litoral caracterizando tipos climáticos
distintos como: úmido, úmido a sub-úmido e seco a sub-úmido. A presença de
estuários e manguezais caracteriza o Baixo Sul como uma microrregião
extremamente fértil e fundamental na produção das cadeias tróficas da fauna
marinha associada, por oferecer abrigo para reprodução, criação e alimentação
de espécies. Os mangues apresentam ainda grande importância econômica para a
manutenção das comunidades pesqueiras do seu entorno, (vêr mapa 1). Os relevos
de Mares de Morros e Tabuleiros estendem-se desde Valença até Maraú, dentre os
municípios de Valença, Taperoá, Nilo Peçanha e Ituberá, com a forte presença da
Floresta Ombrófila Densa, restringindo os remanescentes florestais da
localidade. Com presença de Morrarias voltadas para o Interior e de Serras e
Planaltos. Devido
ao processo de ocupação e uso dos recursos naturais na subregião em meados do
século XVI, no intuito de abastecer o mercado consumidor da cidade de
Salvador-BA, provocando um acelerado processo de desmatamento dentre os
seguintes fatores: exploração madeireira, extrativismo, ampliação da área
cultivada, crise da cacauicultura e incorporação de novas culturas agrícolas. Mesmo
com este elevado nível de desmatamento, ao analisar a Mata Atlântica no Baixo
Sul observamos que ainda apresenta importantes remanescentes florestais em
diferentes estágios de regeneração.
1.2 O
DÊNDE
O
dendezeiro (Elaeais guineensis Jaquim) é uma palmeira originária da costa
ocidental da África (Golfo da Guiné), sendo encontrada em povoamentos
subespontâneos desde o Senegal até Angola. O fruto do dendê produz dois tipos
de óleo: o óleo de dendê ou de palma (palm oil, como é conhecido no mercado
internacional), extraído da parte externa do fruto, o mesocarpo; e o óleo de
palmiste (palm kernel oil), extraído da semente, similar ao óleo de coco e de
babaçu. O óleo originário desta palmeira, o azeite de dendê, consumido há mais
de 5.000 anos, foi introduzido no Brasil, a partir do século XVII, através do
tráfico de escravos, e adaptou-se bem ao clima tropical úmido do litoral baiano. O óleo de dendê ou palma ocupa hoje o 2° lugar
em produção mundial de óleos e ácidos graxos,representando 18,49% do consumo
mundial. Graças ao seu baixo custo de produção, boa qualidade e ampla
utilização, o óleo de dendê é um dos mais requeridos como matéria-prima para
diferentes segmentos nas indústrias oleoquímicas, farmacêuticas, de sabões e
cosméticos. Seu uso principal é na alimentação humana, portanto, é possível
afirmarmos que a cultura do dendê é hoje, uma das mais importantes atividades
agro-industriais das regiões tropicais úmidas, e poderá, no futuro,desempenhar
papel ainda mais importante, por ser uma excelente fonte geradora de empregos
no meio rural. Ao mesmo tempo, é considerada uma cultura com forte apelo
ecológico, por apresentar baixos níveis de agressão ambiental, adaptar-se a
solos pobres, protegendo-o contra a lixiviação e erosão e "imitar" a
floresta tropical. A dendeicultura tem ainda, a capacidade de ajudar na
restauração do balanço hídrico e climatológico, contribuindo de forma expressiva
na reciclagem e "seqüestro de carbono" e na liberação de O2,
contribuindo assim no combate da elevação excessiva das temperaturas médias do
Planeta. (ver imagem 1)
1.2 DÊNDE E BIODIESEL
Atualmente,
o Brasil possui uma nova oportunidade tecnológica e estratégica na utilização
de biomassa: a produção de biodiesel. O biodiesel é um biocombustível derivado
de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por
compressão ou, conforme regulamento, para geração de outro tipo de energia, que
possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil (MCT –
Ministério de Ciência eTecnologia). O Baixo Sul da
Bahia que possui uma diversidade edafo-climática excepcional para o cultivo do
dendezeiro, com disponibilidade de áreas litorâneas que se estendem desde o
Recôncavo Baiano até os Tabuleiros Costeiros do Sul da Bahia, poderá atender
uma demanda insatisfeita da ordem de 200 mil toneladas de óleo de dendê afim de
atender essa nova demanda de mercado para a produção de biodiesel. Além dos
aspectos ambiental e ecológico, possibilitando a recomposição do espaço
florestal em processo adiantado de degradação, por “florestas de cultivo”;
econômico-social, proporcionando aumento da renda regional e criação de novos
empregos, e finalmente estratégico, buscando através da agricultura integrada a
caminho do desenvolvimento harmônico dos recursos da terra com os valores
humanos. A existência de grande disponibilidade de áreas para plantio do
dendezeiro permitirá atingir com facilidade uma meta de substituição de 5% do
consumo de óleo diesel, face aos atuais 45.000 ha que seriam acrescidos de
307.667 ha, representando um aumento percentual de 683,7% da área cultivada.
1.4 JUSTIFICATIVA E PROBLEMATIZAÇÃO DA PESQUISA.
A Bahia
possui uma diversidade edafo-climática excepcional para o cultivo do
dendezeiro, com uma disponibilidade de área da ordem de 854.000 hectares, em
áreas litorâneas que se estendem desde o Recôncavo Baiano até os tabuleiros do
Sul da Bahia, porém apenas 41.486 hectares estão sendo cultivados segundo dados
da SEAGRI/BA (2006). Esta disponibilidade, aliada à existência no país de uma
demanda insatisfeita de óleo de dendê, além do aspecto ambiental, possibilita a
recomposição do espaço social, proporcionando aumento da renda regional e a
criação de novos empregos, buscando através da agricultura integrada o caminho
do desenvolvimento. Porém, com todo esse potencial o Estado da Bahia possui uma
baixa produtividade em decorrência da existência de grandes áreas de dendê
nativo ou espontâneo de baixo rendimento, onde predomina o extrativismo sem
mão-de-obra especializada com carência de recursos e assistência técnica. Assim
o Baixo Sul se caracteriza como um “paradoxo”: Ser tão rico e ao mesmo tempo, tão pobre e
miserável.
Nesse contexto nos questionamos como se dá a relação da
população local com a cultura do Dendê e porque essa relação não se reproduz em
benefícios sociais e econômicos para essas populações?
Qual a relação direta entre o uso, a posse da terra, os
conflitos daí resultantes e a cultura do Dendê haja visto sua exploração
centenária na sub-região?
Respostas a essas inquietações e busca a soluções
para essas problemáticas é que norteiam nossa pesquisa, afim de que possamos
com os estudos da sub-região do Baixo Sul e da cultura do Dênde, contribuir de
forma concreta, e que venha em efetivo fornecer subsídios para a elaboração de
políticas e ações de desenvolvimento local.
2. OBJETIVOS GERAIS
Fazer uma análise das lógicas formadoras do espaço na sub-região do Baixo Sul Baiano tendo como influência a cultura do Dênde nos processos de ocupação do território e seu desenvolvimento sócio econômico.
2.1 OBJETIVOS ESPECIFICOS
Traçar um mapa das condições sócio-econômicas da sub-região a partir da exploração da renda da terra com base na Dendeicultura.
Fazer um levantamento das possibilidades econômicas dos
pequenos produtores que tem na Dendeicultura uma das formas de sua
sobrevivência e como os programas governamentais de auxilio social ou
desenvolvimento da agricultura familiar tem ou não contribuído para a melhoria
das condições de vida das populações locais.
Produzir um relatório a partir de estudos sobre os mecanismos
que regem a cadeia produtiva do Dendê desde o plantio, beneficiamento até a comercialização
e os conflitos existentes pelo uso e posse da terra.
3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
As populações que no decorrer da sua
história interagem com a natureza e com os costumes repassados de geração em
geração, como os indígenas, quilombolas, ribeirinhos, entre outras, procuram
dar continuidade as tradições adquiridas dos antepassados, principalmente por
meio da oralidade, dado as dificuldades de acesso às tecnologias da informação
ou mesmo a educação formal. O território, nesse processo, se constitui em um
importante elo de continuidade e de identidade do grupo. Porém, não como um
elemento fixo que marca a permanência dos laços no espaço. O território, no
mesmo sentido que a tradição, longe de ser um elemento estático e imutável,
percebe‐se como um espaço
que muda as suas características e suas dimensões, com relações tanto internas
como externas que sofrem de um reordenamento diante dos novos desafios.
"O espaço é um verdadeiro campo
de forças cuja formação é desigual. Eis a razão pela qual a evolução espacial
não se apresenta de igual forma em todos os lugares”. (Santos,1978 p.122).
O espaço contém o território modelado, configurado;
o território corresponde aos complexos naturais e às construções/obras feitas
pelo homem: estradas, plantações, fábricas, casas, cidades. O território é
construído historicamente, cada vez mais, como negação da natureza natural. A
materialidade do território é, assim, definida por objetos que têm uma gênese
técnica e social, juntamente com um conteúdo técnico e social.
No estudo da dimensão econômica do
território, ou do espaço geográfico para Santos, é importante ressaltar o papel
das técnicas, com destaque para o conceito de meio técnico-científico-informacional,
terceiro grande período técnico na caracterização elaborada por Santos, que o
classifica como “a cara geográfica da globalização.” Esse novo meio incide
frontalmente no território, introduzindo novos processos, como o aumento brutal
da fluidez e da instrumentalização, ainda que flagrantemente seletiva.
A sub-região
do Baixo Sul Baiano, dada a suas características históricas, sua construção sócio
cultural tem na Dendeicultura um marco de resistência econômica e social das
populações que ali habitam. Os programas desenvolvidos pelos organismos
governamentais junto aos interesses e necessidades das populações locais de
determinado território e seus objetivos desenvolvimentistas, atende muito mais
as proposições de mercado e os agentes globalizantes da economia, o que provoca
a exclusão do homem dos meios de produção e do compartilhamento das riquezas
produzidas. Segundo Milton Santos:
“O espaço por suas características e por seu funcionamento,
pelo que ele oferece a alguns e recusa a outros, pela seleção de localização
feita entre as atividades e entre os homens, é o resultado de uma práxis
coletiva que reproduz as relações sociais, (...) o espaço evolui pelo da
sociedade total. (SANTOS, 1978, p. 171).
No
Baixo Sul Baiano a Dendeicultura apresenta dois segmentos econômicos fortemente
diferenciados que se desenvolveram a partir dos processos de formação do espaço
local. O primeiro, constituído pelos chamados "roldões",
representando a grande maioria das unidades processadoras do óleo, que são
responsáveis por parcela considerável da renda local. São unidades centenárias,
só existentes na Bahia e tradicionais fornecedoras de azeite de dendê para as
"baianas de acarajé" e pequenos restaurantes espalhados por todo
território baiano, especialmente Salvador, Costa do Dendê e Costa do
Descobrimento. O segundo segmento está concentrado em quatro empresas de médio
e grande porte, que juntas processam a maior parte da matéria prima produzida
no Estado e normalmente controlam os preços pagos ao produtor. Em ambos os casos
independente da proporção em que atuem há ai a caracterização da sujeição da
Renda da Terra (Marx 2008) aos interesses do capital investidor e ou
especulativo, bem como o controle dos preços pagos ao produtor pelas empresas
capitalistas também vai caracterizar a extração da mais valia a partir da
apropriação do trabalho excedente pelo capital, (Martins,1981).
Ainda
sobre território, e seu controle ou uso pelo modo de produção e seus agentes
hegemônicos, Santos (2008a, p. 231) diz que:
“O território como um todo se torna um dado dessa harmonia forçada entre
lugares e agentes neles instalados, em função de uma inteligência maior,
situada nos centros motores da informação.”
Nossos
estudos se norteiam pelo entendimento a partir dessas construções teóricas de
Santos e outros autores, fazendo um paralelo a realidade sócio espacial e
econômica da sub-região do Baixo Sul Baiano, na busca de respostas a nossas
inquietudes no que se refere aos agentes e processos que influenciaram e
influenciam na formação desse espaço.
4.
METODOLOGIA
O
presente tópico descreve a metodologia científica a ser adotada neste trabalho,
de forma a sistematizar a revisão bibliográfica para analisar a cadeia
produtiva do Dênde no Baixo Sul Baiano e suas relativizações com a formação do
espaço nesta sub-região.
4.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA
Pesquisar significa realizar empreendimentos para descobrir, para
conhecer algo, a pesquisa constitui um ato dinâmico de questionamento,
indagação e aprofundamento. (Barros e Lehfeld, 2007)
Para
Santos a pesquisa cientifica pode ser caracterizada como atividade intelectual
intencional que visa responder as necessidades humanas (2007). Na busca de uma
melhor metodologia para desenvolvimento da pesquisa que correspondesse ao
alcance dos objetivos traçados encontramos então no Método Dialético uma
possibilidade de caminho na construção do saber científico, procurando uma
linha trajetória a ser percorrida na busca de conhecer e perceber-se na
construção desse conhecimento do objeto (fenômeno/fato investigado) que se
constrói e (des) constrói nas interações entre o sujeito e o objeto. Nesse modo
de conhecer, o homem se constrói enquanto homem na produção de sua vida
material. No decorrer da pesquisa e após ela o pensamento é descrever a
realidade para poder desenvolver uma reflexão a partir dai de como a mesma se
constrói.
Para levantamento dos dados e sua posterior
analise e reflexão, executaremos ações a seguir nas seguintes perspectivas:
Perspectiva baseada em uma visão
acadêmica, onde se busca identificar e analisar os conceitos teóricos ligados
ao tema, com base na literatura disponível e selecionada.
Perspectiva baseada em uma visão
Geográfica das questões Agrária / Econômica / Social, onde se busca identificar
e analisar os conceitos práticos ligados ao tema, através de dados primários obtidos
por entrevistas com especialistas e pessoas ligadas à área do tema em questão,
e por observação direta (in loco) das vivências locais e das problemáticas
expostas.
Perspectiva baseada no contato direto
com membros das populações locais através de entrevistas com conteúdo
espontâneo e programado a fim de levantar fatos e informações complementares.
Perspectiva baseada na coleta de dados e
imagens através de fotos, vídeos, utilizando-se
de recursos técnicos modernos.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
A CIÊNCIA FÍSICA
INTRODUÇÃO
É natural que uma ciência capaz de influir de modo tão significativo na vida do ser humano tenha extraordinária influência também na sua maneira de pensar e na sua concepção de vida. Várias pessoas acreditam que a Física pode explicar tudo, e alguns físicos garantem que esta ciência é capaz de provar desde a “existência” de extraterrestres até a vida após a morte. De certa forma, podemos dizer que a Física não explica, mas descreve os fatos ocorridos na natureza.
O que é Física?
Definir Física não é uma tarefa muito fácil e talvez essa dificuldade venha desde os tempos antigos. Física é um termo que tem origem da palavra grega physis, que significa natureza. A Física, ou melhor, a physis de estudiosos como Platão, Aristóteles e também de outros filósofos, tinha como foco principal de estudo a natureza. Porém, hoje temos o pleno conhecimento de que a natureza já não é mais um objeto exclusivo de estudo da Física, pois também se preocupam com esse estudo a Química, a Biologia, a Geologia, etc.
Com o passar do tempo, a Física dedicou-se ao estudo de uma série de fenômenos, enquanto abandonava outros, que passaram a fazer parte do estudo de outras ciências. Assim, é possível que o termo Física tenha se tornado amplo demais para revelar suas atribuições, que, embora sejam importantíssimas, não englobam mais tudo o que se conhece sobre a natureza. Na antiga Grécia, por exemplo, até a Medicina fazia parte dos estudos físicos.
Física, definida genéricamente é o ramo das ciências que estuda os fenômenos que não alteram a natureza da matéria, enquanto os fenômenos químicos a alterariam. Ou seja é a ciência que estuda a natureza em seus aspectos mais gerais. Atualmente, é dificílimo definir qual o campo de atuação da física, pois ela aparece em diferentes campos do conhecimento que, à primeira vista, parecem completamente descorrelacionados.
Como ciência, faz uso do método científico. Baseia-se essencialmente na matemática e na lógica quando da formulação de seus conceitos.
Divisões
Como outras ciências, a Física é dividida de acordo com diversos critérios. Em primeiro lugar há uma divisão fundamental entre física teórica, física experimental e física aplicada. (Os dois primeiros ramos se reúnem sob a denominação pesquisa básica.)
* A física teórica procura definir novas teorias que condensem o conhecimento advindo das experiências; também vai procurar formular as perguntas e os experimentos que permitam expandir o conhecimento.
* A física experimental conduz experimentos capazes de validar ou não teorias científicas, ou mesmo corrigir aspectos defeituosos destas teorias.
* A física aplicada trata do uso das teorias físicas na vida cotidiana.
Uma outra divisão pode ser feita pela magnitude do objeto em análise. A física quântica trata do universo do muito pequeno, dos átomos e das partículas que compõem os átomos; a física clássica trata dos objetos que encontramos no nosso dia-a-dia; e a física relativística trata de situações que envolvem grandes quantidades de matéria e energia.
Mas a divisão mais tradicional é aquela feita de acordo com as propriedades mais estudadas nos fenômenos. Daí temos a Mecânica, quando se estudam objetos a partir de seu movimento ou ausência de movimento, e também as condições que provocam esse movimento; a Termodinâmica, quando se estudam o (calor), o trabalho, as propriedades das substâncias, os processos que as envolvem e as transformações de uma forma de energia em outra; o Electromagnetismo quando se analisam as propriedades elétricas, aquelas que existem em função do fluxo de elétrons nos corpos; a Ondulatória, que estuda a propagação de energia pelo espaço; a Óptica, que estuda os objetos a partir de suas impressões visuais; a Acústica, que estuda os objetos a partir das impressões sonoras; e mais algumas outras divisões menores.
Áreas da Física
Áreas da Física
em ordem alfabética:
* Acústica
* Astrofísica
* Biofísica
* Ciência planetária
* Cosmologia
* Dinâmica dos fluidos
* Econofísica
* Electromagnetismo
* Eletrônica
* Física atmosférica
* Física atômica
* Física biomédica
* Física computacional
* Física da computação
* Física da matéria condensada
* Física de materiais
* Física de partículas
* Física de Plasmas
* Física matemática
* Física médica
* Física molecular
* Física Nuclear
* Física oceânica
* Física química
* Geofísica
* Mecânica clássica
* Mecânica estatística
* Mecânica quântica
* Óptica
* Relatividade geral
* Relatividade restrita
* Teoria clássica de campos
* Teoria quântica de campos
* Termodinâmica
* Termologia
* Astrofísica
* Biofísica
* Ciência planetária
* Cosmologia
* Dinâmica dos fluidos
* Econofísica
* Electromagnetismo
* Eletrônica
* Física atmosférica
* Física atômica
* Física biomédica
* Física computacional
* Física da computação
* Física da matéria condensada
* Física de materiais
* Física de partículas
* Física de Plasmas
* Física matemática
* Física médica
* Física molecular
* Física Nuclear
* Física oceânica
* Física química
* Geofísica
* Mecânica clássica
* Mecânica estatística
* Mecânica quântica
* Óptica
* Relatividade geral
* Relatividade restrita
* Teoria clássica de campos
* Teoria quântica de campos
* Termodinâmica
* Termologia
Filosofia da física
Muito sobre a filosofia que envolve a física pode ser encontrado em Filosofia, Metafísica,Ciência e método científico. Entretanto, existem filosofias peculiares à Física que serão mencionadas aqui.
Uma delas é o Determinismo Científico. Assumido que tudo não passa de partículas e que seu movimento é determinado para todo o tempo quando determina-se a posição e a velocidade da partícula no momento atual, pode-se dizer que todo o futuro já está determinado. O Demônio de Laplace nasce assim, apesar de ter sido arranhado pela Mecânica Quântica quanto a sua definição e pelo Caos quanto a sua implementação.
Extensões desse pensamento centrado no Determinismo Científico adequadamente adaptadas às dificuldades teóricas têm conseqüências filosóficas profundas, por exemplo: se aceitamos que o cérebro comanda todas as ações humanas e se o cérebro é feito apenas de átomos (governados apenas por leis da Física), é preciso perguntar se realmente a pessoa tem livre-arbítrio para controlar seu comportamento. No entanto, há um debate se cabe à Física ou à Metafísica responder a estas questões filosóficas.
Outra é a busca e a crença em uma teoria geral, única, consistente que descreva todos os processos do universo. Tal teoria deveria contemplar a Mecânica Quântica e a Teoria da Relatividade como casos especiais, bem como todas as outras teorias existentes. Também deveria ser baseada apenas em argumentos matemáticos, ou seja, sem nenhuma constante fundamental. Várias teorias já foram consideradas esta teoria fundamental, por exemplo, a Supersimetria. Entretanto, esta é uma questão aberta, e talvez sempre seja.
Fonte:
http://www.pedagogia.com/pedagopedia/index.php/F%C3%ADsica
http://www.pedagogia.com/pedagopedia/index.php/F%C3%ADsica
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
VALE A PENA ASSISTIR, EXCELENTE DOCUMENTÁRIO
NAS TERRAS DO BEM VIRÁ - DOCUMENTÁRIO
O documentário traz uma denúncia das
atrocidades e o desrespeito aos Direitos Humanos ocorridos no campo no Brasil
em especial no estado do Pará. Uma situação que o nosso país convive por muitos
anos. Assassinatos, perseguições, escravização de trabalhadores que lutam pelo
direito de um pedaço de terra e também por trabalho digno. Um sonho cada vez
mais distante devido ao descaso dos governantes e a truculência dos
latifundiários que impõe sobre os mais pobres, através de ameaças, que é
alimentado pela impunidade devido o descaso da legislação e de interesses
terceiros de quem deveria zelar pelo cumprimento dela.
Em 2003, foi criada a Comissão
Nacional Para a Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE), órgão vinculado à
Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, que tem a
função de monitorar a execução do Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho
Escravo. Lançado em março de 2003, o Plano contém 76 ações, cuja responsabilidade
de execução é compartilhada por órgãos do Executivo, Legislativo, Judiciário,
Ministério Público, entidades da sociedade civil e organismos internacionais,
mas que mesmo assim não consegue acabar ou sequer reduzir a ocorrência dos
conflitos geradores de tanta violência.
Os trabalhadores são enganados pela
falsa promessa de um trabalho digno por fazendeiros inescrupulosos que
objetivam o lucro a qualquer custo, desrespeitando assim os Direitos Humanos,
achando-se que estão acima da lei ou de qualquer outra forma de
responsabilidade civil ou criminal.
Essa abordagem feita pelo
documentário, é apenas uma das inúmeras formas de trabalho escravo que temos no
Brasil. Trabalhadores bolivianos, colombianos, negros, índios, mulheres, crianças
e outros imigrantes são também iludidos com a ideia de trabalho e dinheiro
fácil, mas há uma falta de empenho do governo para acabar com esse tipo de
trabalho vergonhoso que é constantemente encontrado tanto nas grandes cidades
como nos campos.
O documentário faz também um resgate
histórico que se remete aos tempos da ditadura militar, a campanha por uma
Amazônia desenvolvida e a defesa do meio ambiente e do trabalhador mais pobre,
que sucedeu no fracasso da transamazônica e na atual condição das relações no
campo. Entre as muitas ocorrências de violência o documentário destaca o
Massacre de Eldorado dos Carajás, que ocorreu em 1966, como também o caso da
missionária Dorothy Stang, assassinada em 2004, a mando de latifundiários.
O documentário é ponto de partida para uma profunda reflexão sobre as
relações que se travam no campo, a questão da Reforma Agrária o respeito a dignidade humana e a necessidade urgente de
medidas que possam vir a cumprir a justiça, acabando com a impunidade e
colocando lei numa Terra que mais parece viver uma época de barbárie sem lei.quarta-feira, 24 de setembro de 2014
A CIÊNCIA GEOGRÁFICA
A Geografia é uma ciência que tem como objeto principal de
estudo o espaço geográfico que corresponde ao palco das realizações humanas. O homem sempre teve uma curiosidade aguçada a respeito dos lugares onde desenvolvem as relações humanas e as do homem com a natureza, principalmente com o intuito de alcançar seus interesses.
O conhecimento da terra e de todas as dinâmicas existentes configura como um objetivo intrínseco da ciência geográfica. Essa tem seu início paralelo ao surgimento do homem, no entanto, sua condição de ciência ocorreu somente com o nascimento da civilização grega, na qual existiam pensadores que nessa época englobavam diversos conhecimentos de distintos temas, dentre eles Pitágoras e Aristóteles que já tinham convicção acerca da forma esférica do planeta.
A Geografia recebe diversos significados: de uma forma genérica dizemos que geo significa Terra e grafia, descrição, ou seja, descrição da Terra. Essa descreve todos os elementos contidos na superfície do planeta como atmosfera, hidrosfera e litosfera que compõe a biosfera ou esfera da vida (onde desenvolve-se a vida), além da interação desses elementos com os seres vivos.
O estudo da Geografia em sua fase inicial focaliza somente os elementos naturais, mais tarde, pesquisas unindo aspectos físicos com sociais foram estabelecidas, referentes à ação antrópica sobre o espaço natural. A partir desse momento teve início também o estudo sistemático das sociedades, tais como a forma de organização econômica e social, a distribuição da população no mundo e nos países, as culturas, os problemas ambientais decorrentes da produção humana, além de conhecer os recursos dispostos na natureza que são úteis para as atividades produtivas (indústria e agropecuária). Assim, o estudo geográfico conduz ao levantamento de dados sobre os elementos naturais que atingem diretamente a vida humana como clima, relevo, vegetação, hidrografia entre outros.
A Geografia moderna tem como precursor Humbold, que baseava no empirismo; posteriormente surgiram diversos outros pensadores que agregaram conhecimentos e conceitos distintos que serviram para o enriquecimento da ciência.
estudo o espaço geográfico que corresponde ao palco das realizações humanas. O homem sempre teve uma curiosidade aguçada a respeito dos lugares onde desenvolvem as relações humanas e as do homem com a natureza, principalmente com o intuito de alcançar seus interesses.
Conceitos chaves da Geografia
Para entendermos uma ciência precisamos trabalhar com alguns conceitos que são essenciais, estes adquirem significado específicos para cada ciência. A Geografia não foge à regra. Alguns termos que são popularmente usados nas conversas informais e até em outras áreas científicas adquirem, na abordagem geográfica, um sentido especial.
Enteder bem esses conceitos é indispensável para prosseguir em análises mais requintadas e profundas.
É dessa forma que espaço, paisagem, lugar e território têm um significado especial para ciência geográfica.
Vamos aos conceitos:
Espaço.
Para Geografia o espaço deve ser chamado de espaço geográfico para o diferenciar do espaço cartesiano. O espaço geográfico é o objeto da geografiaele é produzido pelo homem que usa o substrato natural para tecer suas redes. Na definição usada por Milton Santos o espaço é todo conjunto do trabalho social cidades, ruas, prédios, produção agrícola, relações empregatícias, relações de exploração, segregação, cultura, etc. Veja o que fala Ruy Moreira sobre o espaço geográfico:
"O caráter social do espaço geográfico decorre do fato simples de que os homens têm fome, sede e frio, necessidades de ordem física decorrentes de pertencer ao reino animal, ponte de sua dimensão cósmica. No entanto, à diferença do animal, o homem consegue os bens de que necessita intervindo na 'primeira natureza' (...)" (MOREIRA, RUY. 2007 p. 65.)
Paisagem.
Esse conceito é muito importante e por várias vezes confundido na Geografia.
A paisagem por ser o aranjo espacial o qual avistamos tem, necessariamente, um caráter social, para sua produção o homem faz uso do espaço geográfico, ela é percebida por nós pelos nossos orgão de sentido e contém o passado e o presente, nela também lemos o que se passa no espaço. Segundo Ruy Moreira a paisagem assim analisada coloca a Geográfia numa categoria entre a arte e a ciência.
Lugar.
O lugar é uma unidade sensível. É onde criamos identidades, é a parte do espaço que nos causa afeto, detêm o movimento da vida, do passado e do presente; também pode conter relações de conflito.
Território.
É um área regida por relações de poder, onde há um governo, onde há relação de política e demais agentes sociais. O território é onde um país atua, onde suas instituições se fazem presentes.
Algumas especialidades da ciência Geográfica:
Geografia Física: focaliza-se no estudo das características naturais, como clima, vegetação, hidrografia, relevo e os impactos decorrentes da exploração.
Geografia Humana: tem como objetivo o estudo da dinâmica populacional e suas particularidades.
Geografia Econômica: estudo de todas as relações econômicas realizadas no mundo e seus fluxos.
Geografia Cultural: focaliza a atenção para a identidade cultural das pessoas e dos lugares.
Geografia Política: estudo das relações do poder político e seus resultados.
Geografia Médica: realiza mapeamento de focos de doenças e sua distribuição no espaço geográfico.
Bibliografia:Geografia Física: focaliza-se no estudo das características naturais, como clima, vegetação, hidrografia, relevo e os impactos decorrentes da exploração.
Geografia Humana: tem como objetivo o estudo da dinâmica populacional e suas particularidades.
Geografia Econômica: estudo de todas as relações econômicas realizadas no mundo e seus fluxos.
Geografia Cultural: focaliza a atenção para a identidade cultural das pessoas e dos lugares.
Geografia Política: estudo das relações do poder político e seus resultados.
Geografia Médica: realiza mapeamento de focos de doenças e sua distribuição no espaço geográfico.
SANTOS, Milton; SILVEIRA, María Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. 7ed. Rio de Janeiro, 2005.
MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço geográfico. São Paulo: Contexto, 2007.
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