quinta-feira, 19 de março de 2015

Brasileira que revolucionou o entendimento sobre buracos negros é premiada

A astrofísica brasileira Thaisa Bergmann, enquanto estava tentando decidir sua carreira, ouviu do pai: “mulher precisa escolher uma profissão em que dê para trabalhar só meio turno”. Não era falta de confiança nas habilidades da filha - ele inclusive ajudou a montar um laboratório de ciências no sótão de casa, em Caxias do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, quando Thaisa começou a demonstrar interesse no assunto aos 10 anos. Era só o reflexo do pensamento corrente na época. “Ele tinha um pouco de preconceito e não entendia bem qual era o objetivo do que eu queria fazer. Mas eu era daquelas meninas invocadas, depois disso é que não ia trabalhar meio período mesmo”, ela diz.
Hoje professora do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Thaisa foi escolhida pela Unesco e pela Fundação L’Oréal para representar a América Latina no prêmio For Women in Science, que oferece uma bolsa de US$ 100 mil a cinco cientistas, uma de cada continente, que se destacaram pelo conjunto da obra.
A brasileira ficou conhecida por sua pesquisa na área dos buracos negros supermassivos - enquanto um buraco negro comum tem cerca de dez vezes a massa do Sol, os supermassivos podem ter bilhões de massas solares. Só é possível observar buracos negros pela matéria que eles engolem: quando uma estrela é sugada, ela libera radiação que pode ser vista da Terra. Nas galáxias ativas, o núcleo do buraco emite muito brilho, e por isso é fácil perceber a presença dele. “Quando comecei a minha tese de doutorado, no final dos anos 80, ainda se acreditava que só as galáxias tinham buracos negros no centro”, ela explica.
Quando o telescópio Hubble foi lançado, em 1990, Thaisa passou a acompanhar as informações obtidas por ele até que descobriu algo inesperado: um disco de acreção (disco de gás que se aquece quando a matéria é engolida pelo buraco negro) em uma galáxia inativa. “Foi uma observação importante porque aconteceu quando ainda não tínhamos certeza de que existiam buracos negros em todas as galáxias”, ela explica. “Quando o raio de captura é pequeno, é possível orbitar o buraco negro, e é isso que acontece na maior parte das galáxias.”
A descoberta obviamente teve grande repercussão, e até hoje Thaisa está entre os brasileiros mais citados em artigos científicos do mundo todo (a quantidade de citações é a forma mais conhecida de avaliar a influência de um pesquisador na sua área). “De primeira, até meu assistente disse que eu devia ter feito algum cálculo errado. Quando recebi a confirmação de que estava certa, fiquei muito emocionada. À noite, antes de dormir, dizia para o meu marido: ‘Descobri uma coisa muito importante!’ Passei uns três dias assim”, ela conta aos risos.
Um intruso no observatório
Quando começou a graduação, nos anos 70, Thaisa era uma das poucas alunas da sua turma. Agora, como professora da mesma faculdade onde estudou, ela diz que a situação melhorou “um pouquinho, mas nada muito significativo”. Ela própria precisou lidar com alguns episódios de discriminação ao longo da carreira. O mais marcante aconteceu no final da década de 1990.
Thaisa tinha dado à luz há quatro meses quando recebeu a oportunidade de passar uma semana trabalhando em um observatório do Chile. Ela avisou que estava amamentando e pediu para levar o bebê, mas os coordenadores da pesquisa resistiram. “Disseram que uma criança poderia perturbar o siêncio, já que todo mundo precisa dormir durante o dia para fazer as observações à noite”. A brasileira bateu o pé e, no final, encontraram um “meio-termo”: ela, o filho e a babá foram alojados na parte externa, em um pequeno cômodo que tinha sido erguido para hospedar engenheiros durante a construção do observatório.
O prêmio que Thaisa vai receber em Paris na próxima quarta-feira, 18, foi criado justamente para incentivar a participação das mulheres na ciência e contribuir para que situações como essa não voltem a se repetir. Ela, que também teve sua tese de doutorado orientada por uma mulher, faz o possível para incentivar as poucas moças que se aventuram nas suas aulas. “O que procuro passar para as minhas alunas é que elas não podem desanimar, mesmo que às vezes pareça mais difícil do que é para os meninos”, afirma.
Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2015/03/astrofisica-brasileira-que-revolucionou-nosso-entendimento-sobre-buracos-negros-e-premiada-em-paris.html

sábado, 7 de março de 2015

A LUA - SATÉLITE NATURAL DA TERRA


  A Lua (do latim Lunaé o único satélite natural da Terra, situando-se a uma distância de cerca de 384.405 km do nosso planeta.
 
 
Segundo a última contagem, mais de 150 luas povoam o sistema solar: Neptuno é cercado por 13 delas; Urano por 27; Saturno tem 60; Júpiter é o que tem mais até então e possui 63. A Lua terráquea não é a maior de todo o Sistema Solar - Ganimedes, uma das luas de Júpiter, é a maior - mas nossa Lua continua sendo a maior proporcionalmente em relação ao seu planeta. Com mais de 1/4 do tamanho da Terra e 1/6 de sua gravidade, é o único corpo celeste visitado por seres humanos e onde a NASA (sigla em inglês de National Aeronautics and Space Administration) pretende implantar bases permanentes.
 
Vista da Terra, a lua apresenta quatro fases diferentes  e exibe sempre a mesma face (situação designada como acoplamento de maré), facto que gerou inúmeras especulações a respeito do teórico lado escuro da Lua, que na verdade fica iluminado quando estamos no período chamado de Lua nova.
 
O seu período de rotação é igual ao período de translação. Isto quer dizer que o tempo que a lua demora a dar uma volta sobre si mesma é igual ao tempo que leva a dar uma volta completa ao planeta Terra. É por esta razão que a lua apresenta sempre a mesma face voltada para a terra
 
A Lua não tem atmosfera e apresenta, em quantidades muito pequenas, água no estado sólido (em forma de cristais de gelo). Não tendo atmosfera, não há erosão e a superfície da Lua mantém-se intacta durante milhões de anos. É apenas afetada pelas colisões com meteoritos.
 
 
É a principal responsável pelos efeitos de maré que ocorrem na Terra, seguida pelo Sol, cuja influência é menor. Pode-se dizer do efeito de maré aqui na Terra como sendo a tendência dos oceanos acompanharem o movimento orbital da Lua, sendo que esse efeito causa um atrito com o fundo dos oceanos, atrasando o movimento de rotação da Terra cerca de 0,002 s por século, e, como consequência, a Lua afasta-se de nosso planeta cerca de 3 cm por ano.
 
A Lua é, proporcionalmente, o maior satélite natural do nosso Sistema Solar. A sua massa é tão significativa em relação à massa da Terra que o eixo de rotação do sistema Terra-Lua encontra-se muito longe do eixo central de rotação da Terra. Alguns astrônomos usam este argumento para afirmar que vivemos num dos componentes de um planeta duplo, mas a maioria discorda, uma vez que para que um sistema planetário seja duplo é necessário que seu eixo de rotação esteja fora dos dois corpos.

 
 ORIGEM  LUNAR

Existem três teorias que tentam explicar como a lua teria surgido. A primeira, chamada de co-acreção, propõe que a lua teria surgido exatamente ao mesmo tempo que a terra a partir da Nebulosa Proto-planetária Solar; a segunda, chamada fissão, afirma que a lua se formou a partir de uma parte da Terra que teria se desprendido dela por força do movimento de rotação ainda na época em que ela estava em fusão; e, a terceira, chamada captura, afirma que a lua é um planeta que foi capturado pela força gravitacional da Terra.

 Mas, a teoria mais aceita atualmente, é uma quarta teoria que propõe que a origem da lua se deu através da colisão entre a Terra com um objeto tão grande quanto Marte há cerca de 4,5 bilhões de anos, que teria feito com que ambos se misturassem e, depois, parte do material resultante da colisão se desprendesse, originando a Lua. Seja qual for sua origem, a lua possui forte influência sobre a Terra. Principalmente quando falamos de campo gravitacional. Facilmente observado nos mares e oceanos, o que poucos sabem é que o fenômeno de marés também pode ser observado nos continentes, onde ocasiona variações de dezenas de centímetros. O fenômeno das marés influencia, também, na rotação da Terra atrasando-a em cerca de 1,5 mili-segundos a cada 100 anos e afastando a Lua da Terra em 3,8 cm por ano. Também é por causa da força gravitacional que podemos observar apenas metade da Lua, ela faz com que os movimentos de rotação e translação da lua sejam sincronizados de forma que ela está sempre com a mesma face voltada para nós. A chamada “face oculta” da lua só pôde ser estudada através das fotografias tiradas pelos astronautas que ficaram em órbita dela.

A forma como vemos a lua da Terra é alterada de acordo com sua posição em relação ao sol e origina o que chamamos de fases da Lua. As fases principais da lua são lua nova, quarto crescente, quarto minguante e lua cheia. Essas fases são apenas ilusões de ótica provocadas pelo fato da lua não ser um corpo celeste luminoso, mas sim, um corpo iluminado pela luz do sol.  E, conforme ela gira em torno da terra podemos ou não ver sua face iluminada pelo sol. Por exemplo, quando é lua cheia, e podemos vê-la inteira como um disco no céu, significa que a face da lua iluminada pelo sol está de frente para a terra. Ou seja, a terra está entre a lua e o sol. Já quando é lua nova, e não vemos lua nenhuma no céu, significa que a face da lua iluminada pelo sol está “de costas” para a terra, ou, que a lua está entre a terra e o sol.

A lua é composta por uma crosta, predominantemente composta de um mineral da família dos feldspatos e com mais ou menos 107 km de espessura, sendo que em alguns lugares (como sob um local chamado de Mar de Crisium) é quase inexistente; o manto, praticamente sólido e o núcleo composto por metais e com 680 km de diâmetro. A distância média da Terra é de 384.000 km, o raio equatorial é de 1.738,1 km e sua massa é de 1/81 a da Terra.


 GEOLOGIA LUNAR

O conhecimento sobre a geologia da lua aumentou significantemente a partir da década de 1960 com as missões tripuladas e automatizadas. Apesar de todos os dados recolhidos ao longo de todos esses anos, ainda há perguntas sem respostas que apenas poderão ser esclarecidas com a instalação de futuras bases permanentes e um amplo estudo sobre a superfície da lua. Graças à sua distância da Terra, a Lua é o único corpo, para além da Terra, do qual se conhece detalhadamente a sua geologia. As missões tripuladas Apollo contribuíram com a recolha de 382 kg de rochas e amostras do solo, e as sondas automáticas soviéticas Luna cerca de 326 gr.
 
As explorações e os estudos do solo da Lua levaram os cientistas a concluir que a queda de meteoros na sua superfície desprotegida de atmosfera é a principal causa de seu solo ser esburacado já que atmosfera pode diminuir a velocidade desses objetos ao colidirem, razão pela qual abrem mais crateras contra a superfície lunar do que na terra.

As partes mais próximas de um objeto em órbita em volta de um planeta sofrem uma atração gravitacional maior deste (porque estão a uma menor distância dele) do que as mais distantes, ou seja, há um gradiente de gravidade. Isso faz com que se gere um binário que leva o objeto a acabar por ficar orientado no espaço de modo a que seja a sua parte com uma maior massa a ficar voltada para o planeta. É esse efeito que explica porque é que a Lua assume uma taxa de rotação estável que mantém sempre a mesma face voltada para a Terra. O seu centro de massa está distanciado do seu centro geométrico de cerca de 2 km na direção da Terra. Curiosamente, não se sabe porquê, do lado voltado para a Terra a sua crosta é mais fina quanto à amplitude de relevo e é onde estão concentrados os mares - as zonas mais planas.
 
As designações "continentes" e "mares" não devem ser entendidas com o mesmo significado que têm na Terra. Os continentes são escarpados e constituídos por rochas mais claras (anortositos), essencialmente formados por feldspatos, que refletem 18% da luz incidente proveniente do Sol. Apresentam, em geral, um maior número de crateras de impacto e ocupam a maior extensão da superfície lunar. Os mares lunares não têm água, apresentam a sua superfície mais plana do que a dos continentes, fazendo lembrar a superfície livre de um líquido. São escuros, constituídos por basaltos, reflectindo apenas cerca de 6% a 7% da luz incidente. A formação dos mares, que são mais abundantes na face visível do que na face não visível (lado escuro), relaciona-se com os impactos meteoríticos.
 
 
 A SUPERFÍCIE LUNAR / EXISTÊNCIA DE ÁGUA
 
A superfície da lua possui várias crateras de impacto, que se formaram quando asteróides e cometas colidiram na superfície lunar. Há inúmeras de crateras com mais de um quilometro de diâmetro na Lua. A falta de uma atmosfera, o clima e recentes processos geológicos fazem com que asteróides consigam chocar com a Lua com muita facilidade, o que deixa a superfície lunar cheia de crateras.
 
A maior cratera na Lua, que também tem a distinção de ser uma das maiores crateras conhecidas no Sistema Solar, é a Cratera do Polo-Sul Aitken. Ela está no lado escuro da Lua, entre o polo sul e o equador, e tem cerca de 2240 quilómetros de diâmetro. Exemplos de crateras no lado visível da Lua são Mare Imbrium, Mare Serenitatis, Mare Crisium e Mare Nectaris.
 
 Segundo descobertas recentes anunciadas pela Nasa, conseguidas graças à missão LCROSS (iniciais de Lunar Crater Observation and Sensing Satellite, do inglês, Satélite de Observação e Sensoriamento de Crateras Lunares), foi confirmada a existência de água no estado sólido na Lua. O aparelho carregava o foguete Centauro, que atingiu a Lua com extrema força de impacto no dia 9 de outubro de 2009, nas proximidades do polo sul lunar.
Um buraco de 30 metros de largura foi aberto, onde foram encontrados quase 100 litros de água congelada. Analisada pelo satélite Lcross, a nuvem de vapor e poeira fina resultantes também revelou o local com fonte de grandes quantidades de hidrogênio.
 
 A experiência faz com que os cientistas acreditem na possibilidade de haver mais água espalhada por todo o subsolo lunar do que se poderia imaginar. O satélite natural da Terra, agora começa a ser encarado seriamente como terreno para a construção de uma base espacial que serviria de apoio para missões tripuladas a outros planetas do sistema solar.
 
 
 
 
GRAVITAÇÃO E MARÉS
 
Num campo gravitacional terrestre ideal, ou seja, sem interferências, as águas à superfície da Terra sofreriam uma aceleração idêntica na direção do centro de massa terrestre, encontrando-se assim numa situação isopotencial. Mas devido à existência de corpos com campos gravitacionais significativos a interferirem com o da Terra (Lua e Sol), estes provocam acelerações que actuam na massa terrestre com intensidades diferentes. Como os campos gravitacionais actuam com uma intensidade inversamente proporcional ao quadrado da distância, as acelerações sentidas nos diversos pontos da Terra não são as mesmas. Assim a aceleração provocada pela Lua têm intensidades significativamente diferentes entre os pontos mais próximos e mais afastados da Lua.
 
Desta forma as massas oceânicas que estão mais próximas da Lua sofrem uma aceleração de intensidade significativamente superior às massas oceânicas mais afastadas da Lua. É este diferencial que provoca as alterações da altura das massas de água à superfície da Terra.
 
Quando a maré está em seu ápice chama-se maré altamaré cheia ou preamar; quando está no seu menor nível chama-se maré baixa ou baixa-mar. Em média, as marés oscilam em um período de 12 horas e 24 minutos. Doze horas devido à rotação da Terra e 24 minutos devido à órbita lunar.
 
A altura das marés alta e baixa (relativa ao nível do mar médio) também varia. Nas luas nova e cheia, as forças gravitacionais do Sol estão na mesma direção das da Lua, produzindo marés mais altas, chamadas marés de sizígia. Nas luas minguante e crescente as forças gravitacionais do Sol estão em direções diferentes das da Lua, anulando parte delas, produzindo marés mais baixas chamadas marés de quadratura.
 
FASES DA LUA

 
Tal como o planeta Terra, a Lua possui sempre um dos lados iluminado pelo Sol, e outro lado escuro. A parte iluminada corresponde à parte que está dia, e a parte escura corresponde à parte que está noite. A fase em que a Lua se encontra em determinado momento depende da posição da Lua em relação à Terra. Quando está na fase de Lua Nova, o nosso satélite tem a sua parte escura (a que está  de noite) voltada para a Terra. Como tal não nos é possível ver a Lua. Quando acontece a fase de Lua Nova, esta está no nosso céu muito próxima do Sol. À medida que se vai deslocando, uma parte cada vez maior da região da Lua iluminada pelo Sol vai ficando voltada para a Terra. Aí podemos observar que a Lua parece “crescer”. Cerca de 7,5 dias depois da fase de Lua Nova, chega a fase de Quarto Crescente. Nesta fase observamos metade da Lua iluminada. Cerca de 7,5 dias depois chegamos à fase de Lua Cheia. Nesta fase o lado iluminado pelo Sol está totalmente voltado para a Terra, e assim a Lua parece-nos “cheia”. A partir daí a parte iluminada pelo Sol começa a diminuir (do ponto de vista do observador na Terra), e passados cerca de 7,5 dias chegamos à fase de Quarto Minguante, onde podemos observar metade da Lua iluminada, só que o lado iluminado é o oposto do lado iluminado quando estamos no Quarto Crescente. Passados cerca de 7,5 dias chegamos à fase de Lua Nova, completando assim um ciclo lunar ou lunação, ou ainda um mês sinódico.


Fontes
http://www.portaldoastronomo.org/faqs.php?faq=8
http://astro.if.ufrgs.br/lua/lua2.htm



quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A Reprodução do Capital e seu Meio – Rosa Luxemburg

Texto: Marcos Barros
 
Nesta obra a autora desenvolve uma critica a Acumulação do Capital baseado nas análises de O Capital de Marx, procurando responder a um problema teórico com relação à política imperialista e suas razões econômicas. Ao analisar as obras de Marx a autora faz  observações de como se dá o processo de acumulação do capital e a realização da mais-valia bem como a  importância do mercado externo para o desenvolvimento do capitalismo, buscando a compreensão do imperialismo “como fase de desenvolvimento” do capitalismo. Nessa análise ela descreve algumas contradições do capitalismo: o capitalismo é um sistema que mesmo com o desejo de se tornar único necessita de outros regimes pré-capitalistas para se alimentar, ou seja, esse sistema por si só, não se sustenta diante de determinadas variações. Nem sempre a produção é superior à demanda efetiva. Faz-se necessário então a busca de um mercado externo que possa realizar mais - valia através de empréstimos financeiros, bem como fornecimento de matéria prima e potencial consumidor. Assim ela registra que o mercado externo não se refere necessariamente a extensões alem das fronteiras nacionais, mas sim a própria esfera capitalista. “Mercado interno sob o ponto de vista da produção capitalista, é mercado capitalista e o Mercado externo é a zona social não capitalista.” Ou seja, a conquista de mercados externos significa tanto a conquista de setores pré-capitalistas no interior das fronteiras nacionais, como a conquista de mercados nos países atrasados do exterior satisfazendo assim os interesses do capital. É com base nessas afirmações que ela desenvolve sua critica a obra de Marx a partir das reflexões da atuação imperialista dos estados fazendo frente à conquista de novos mercados a subjugação de outros povos a busca por matérias primas e a processual mudança do modo comunal de vida das populações ao redor do globo, a fim de inseri-las na lógica de produção capitalista, visando à tomada de seus territórios e a produção da mais valia. Para isso ela vai buscar no contexto histórico e também da sua atualidade a ação do capitalismo na Europa e ao redor do mundo, citando exemplos como a da Indústria Algodoeira Inglesa durante o séc XIX que abastecia tanto a pequena burguesia europeia como o campesinato na Índia, desenvolvendo em paralelo e por conta do capital obtido, uma vasta indústria mecânica e junto com essa a metalúrgica e carbonífera. Nessa lógica ela coloca que em sua ânsia de apropriação das forças produtivas com vistas à exploração, o capital esquadrinha o mundo inteiro, procura obter meios de produção em qualquer lugar e os tira ou os adquire de todas as culturas dos mais diversos níveis, bem como de qualquer forma social. Assim para o emprego produtivo da mais valia realizada é necessário que o capital disponha cada vez mais do globo terrestre todo, a fim de uma oferta qualitativa e quantitativamente ilimitada no condizente aos respectivos meios de produção, observa também que somente em solo pré-capitalista de relações sociais mais primitivas é que o capital consegue exercer tamanha influência sobre as forças produtivas materiais e humanas a ponto de criar prodígios como a elasticidade e sua capacidade súbita de ampliação produzindo uma rápida inclusão de novos territórios e matérias primas em proporções ilimitadas. Na defesa de sua critica ela coloca então que só o crescimento da classe operaria não se ajusta nem temporal nem quantitativamente as necessidades do capital em seu processo de acumulação, ou seja; não acompanha o ritmo das necessidades súbitas de expansão do capital, como o próprio Marx demonstra com tanto brilho, levando assim o capital a procurar fora de suas fronteiras tanto a força de trabalho adicional para formação de um exercito de reserva de mão de obra, bem como mercados e territórios. Nesse tocante a autora enfatiza que como a produção capitalista não pode limitar-se as riquezas naturais e às forças produtivas só das zonas temperadas, ela vai procurar então em todos os climas e regiões a busca pela reprodução do seu meio de acumulação. No seu processo de evolução desde sua infância no feudalismo o capitalismo passa então por vários estágios que abrangem ai hordas de populações que vivem em modo comunal primitivo, de coletores e caçadores bem como nômades e outras que se dedicam a produção mercantil artesanal e camponesa, meio esse em que marcha o processo capitalista de acumulação. Pode-se então se distinguir três fases: a luta do capital contra a economia natural, contra a economia mercantil e a concorrência do capital no cenário mundial em sua luta pelas condições restantes de acumulação. Para existir e se desenvolver o capitalismo precisa então de um meio não capitalista de produção, precisando então de camadas sociais não capitalistas como mercado para colocar sua mais valia, como fonte de aquisição de seus meios de produção e como reservatório de força de trabalho. Como a economia natural a produção se destina a atender as necessidades e satisfação das comunidades, não necessitando então de nenhuma ou quase nenhuma mercadoria estrangeira nem a necessidade de se desfazer de seus excedentes, a economia natural cria então dificuldades sérias a atender aos objetivos do capital, procurando então o capitalismo sempre destruir todas as formas de economia natural sejam elas feudais, patriarcais, escravistas, comunais etc. O capital então parte para a tomada de forma violenta os principais meios de produção em terras coloniais, promovendo a destruição e aniquilação planejada das organizações sociais não capitalistas ai existentes. Para tal a guerra ensanguentada e encarniçada é a forma como o capitalismo busca atingir seus objetivos, usurpando territórios e roubando a força de trabalho dos povos subjulgados seja pela colonização direta ou não. Como exemplo a autora faz um relato da atuação capitalista na Índia, na China, na África e outras partes do mundo por parte dos estados imperialistas europeus, onde o modo de operação capitalista sempre usa das mesmas armas na busca da sua satisfação acumulativa, pela força, pela desagregação social, pela tomada dos territórios, logo das riquezas existentes. Uma vez destruída a organização social e a economia natural as sociedades não capitalistas tornam-se agora consumidoras de mercadorias do capital e tem de lhes vender seus produtos. A guerra do Ópio na China a subjugação ao capitalismo das populações na Índia, a tomada dos territórios na África são alguns relatos claros em que a autora fundamenta sua análise da necessidade do capital para com as economias não capitalistas a fim de se expandir e aumentar seu processo de acumulação. Outro capitulo importante da luta do capital conta a economia natural é a separação da agricultura e a indústria ou da exclusão da indústria rural da economia camponesa, exemplificando essa condição ela se reporta a expansão das fronteiras agrícolas nos Estados Unidos que dizima os povos indígenas e por fim o mesmo  camponês vai ser agora estrangulado pela ganância capitalista e seus territórios antes expropriados dos povos indígenas serão mais uma vez tomados. Numa analise final a autora conclui que depois do capital ter substituído a economia natural pela economia mercantil simples, ele mesmo agora vai tomar o lugar desta última, se o capitalismo por tanto vive de formas econômicas não capitalistas vive a bem dizer das ruínas dessas formas.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014




A DENDEICULTURA E A PRODUÇÃO DO ESPAÇO NO BAIXO SUL BAIANO.
Marcos Barros

1. APRESENTAÇÃO

O Presente trabalho visa fazer um estudo da formação do espaço na Sub-região do Baixo Sul Baiano com base na cultura do Dênde, apresentando para tal um levantamento histórico geográfico da área de estudo, do cultivo da espécie vegetal, sua importância econômica, cultural e social para as populações locais, procurando entender as questões de conflitos e problemáticas existentes neste espaço. Para tal o mesmo está subdividido em histórico, características físicas geográficas da sub-região e a cadeia produtiva do Dênde. Apresentamos também os objetivos específicos e gerais, a justificativa do estudo em questão, sua fundamentação teórica, a metodologia de pesquisa a ser empregada, a classificação da pesquisa, o cronograma a ser desenvolvido e nossas referências bibliográficas.

1.1. O BAIXO SUL BAIANO.
    
O Território do Baixo Sul baiano reúne condições de clima e solo favoráveis à cultura do dendê, com áreas litorâneas que se estendem desde o Recôncavo até os Tabuleiros Costeiros do Sul. Porém, com esse potencial o Estado possui uma baixa produtividade em decorrência da existência de grandes áreas de dendê nativo ou espontâneo de baixo rendimento, onde predomina o extrativismo sem mão-de-obra especializada com carência de recursos e assistência técnica, além de outras problemáticas locais. O Dênde com seu potencial alimentício e energético pode se constituir em um empreendimento de alta viabilidade econômica como no caso especifico da produção de bio-combustíveis. Cultivar dendê em sistemas agroflorestais modernos é um projeto de resultados permanentes, a dendeicultura com todo esse potencial, ainda convive com a realidade de baixa produtividade, necessitando de intervenção de programas que estruture e modernize a cadeia produtiva do dendê, auxiliando  o pequeno produtor, buscando a profissionalização do setor.  O Baixo Sul baiano é um paradoxo, possuidor de uma vasta riqueza natural, e gerador de riquezas econômicas é também uma região que apresenta altos índices de pobreza e miséria social, o que nos leva a refletir sobre as causas dessas desigualdades. É uma sub-região da Região Sul, uma das 15 Regiões Econômicas do Governo do Estado da Bahia, de acordo com uma divisão exposta pela SEPLANTEC na publicação “Perfil Regional do Sul da Bahia” (CAR, 1995) que engloba uma área com 11 municípios, sendo eles: Cairu, Camamu, Igrapiúna, Ituberá, Maraú, Nilo Peçanha, Piraí do Norte, Presidente Tancredo Neves, Taperoá, Teolândia e Valença. Também denominada Costa do Dendê situa-se ao longo da rodovia- BA001, na qual se encontra os municípios de Valença, Taperoá, Itubera, Nilo Peçanha, Cairu, Igrapiuna e Camamu. De acordo com os critérios da Coordenação de Desenvolvimento e Ação Regional/ Secretaria de Planejamento (CAR/SEPLAM). Fisicamente a baixada litorânea é um conjunto de paisagens de extraordinária beleza, incluindo remanescentes de Mata Atlântica - Floresta Ombrofila-, restingas, mangues além de áreas com vegetação herbácea de transição. A Mata Atlântica caracteriza-se pela grande porcentagem de espécies na biodiversidade mundial e altas taxas de endemismos. O clima predominante no Baixo Sul apresenta-se como clima tropical, com elevadas temperaturas e precipitações, situada na zona litorânea a leste do Oceano Atlântico. Os maiores índices pluviométricos verificam-se ao longo do litoral caracterizando tipos climáticos distintos como: úmido, úmido a sub-úmido e seco a sub-úmido. A presença de estuários e manguezais caracteriza o Baixo Sul como uma microrregião extremamente fértil e fundamental na produção das cadeias tróficas da fauna marinha associada, por oferecer abrigo para reprodução, criação e alimentação de espécies. Os mangues apresentam ainda grande importância econômica para a manutenção das comunidades pesqueiras do seu entorno, (vêr mapa 1). Os relevos de Mares de Morros e Tabuleiros estendem-se desde Valença até Maraú, dentre os municípios de Valença, Taperoá, Nilo Peçanha e Ituberá, com a forte presença da Floresta Ombrófila Densa, restringindo os remanescentes florestais da localidade. Com presença de Morrarias voltadas para o Interior e de Serras e Planaltos.  Devido ao processo de ocupação e uso dos recursos naturais na subregião em meados do século XVI, no intuito de abastecer o mercado consumidor da cidade de Salvador-BA, provocando um acelerado processo de desmatamento dentre os seguintes fatores: exploração madeireira, extrativismo, ampliação da área cultivada, crise da cacauicultura e incorporação de novas culturas agrícolas. Mesmo com este elevado nível de desmatamento, ao analisar a Mata Atlântica no Baixo Sul observamos que ainda apresenta importantes remanescentes florestais em diferentes estágios de regeneração.



1.2 O DÊNDE

O dendezeiro (Elaeais guineensis Jaquim) é uma palmeira originária da costa ocidental da África (Golfo da Guiné), sendo encontrada em povoamentos subespontâneos desde o Senegal até Angola. O fruto do dendê produz dois tipos de óleo: o óleo de dendê ou de palma (palm oil, como é conhecido no mercado internacional), extraído da parte externa do fruto, o mesocarpo; e o óleo de palmiste (palm kernel oil), extraído da semente, similar ao óleo de coco e de babaçu. O óleo originário desta palmeira, o azeite de dendê, consumido há mais de 5.000 anos, foi introduzido no Brasil, a partir do século XVII, através do tráfico de escravos, e adaptou-se bem ao clima tropical úmido do litoral baiano. O óleo de dendê ou palma ocupa hoje o 2° lugar em produção mundial de óleos e ácidos graxos,representando 18,49% do consumo mundial. Graças ao seu baixo custo de produção, boa qualidade e ampla utilização, o óleo de dendê é um dos mais requeridos como matéria-prima para diferentes segmentos nas indústrias oleoquímicas, farmacêuticas, de sabões e cosméticos. Seu uso principal é na alimentação humana, portanto, é possível afirmarmos que a cultura do dendê é hoje, uma das mais importantes atividades agro-industriais das regiões tropicais úmidas, e poderá, no futuro,desempenhar papel ainda mais importante, por ser uma excelente fonte geradora de empregos no meio rural. Ao mesmo tempo, é considerada uma cultura com forte apelo ecológico, por apresentar baixos níveis de agressão ambiental, adaptar-se a solos pobres, protegendo-o contra a lixiviação e erosão e "imitar" a floresta tropical. A dendeicultura tem ainda, a capacidade de ajudar na restauração do balanço hídrico e climatológico, contribuindo de forma expressiva na reciclagem e "seqüestro de carbono" e na liberação de O2, contribuindo assim no combate da elevação excessiva das temperaturas médias do Planeta. (ver imagem 1)



1.2  DÊNDE E BIODIESEL

Atualmente, o Brasil possui uma nova oportunidade tecnológica e estratégica na utilização de biomassa: a produção de biodiesel. O biodiesel é um biocombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão ou, conforme regulamento, para geração de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil (MCT – Ministério de Ciência eTecnologia). O Baixo Sul da Bahia que possui uma diversidade edafo-climática excepcional para o cultivo do dendezeiro, com disponibilidade de áreas litorâneas que se estendem desde o Recôncavo Baiano até os Tabuleiros Costeiros do Sul da Bahia, poderá atender uma demanda insatisfeita da ordem de 200 mil toneladas de óleo de dendê afim de atender essa nova demanda de mercado para a produção de biodiesel. Além dos aspectos ambiental e ecológico, possibilitando a recomposição do espaço florestal em processo adiantado de degradação, por “florestas de cultivo”; econômico-social, proporcionando aumento da renda regional e criação de novos empregos, e finalmente estratégico, buscando através da agricultura integrada a caminho do desenvolvimento harmônico dos recursos da terra com os valores humanos. A existência de grande disponibilidade de áreas para plantio do dendezeiro permitirá atingir com facilidade uma meta de substituição de 5% do consumo de óleo diesel, face aos atuais 45.000 ha que seriam acrescidos de 307.667 ha, representando um aumento percentual de 683,7% da área cultivada.

 1.4 JUSTIFICATIVA E PROBLEMATIZAÇÃO DA PESQUISA.


A Bahia possui uma diversidade edafo-climática excepcional para o cultivo do dendezeiro, com uma disponibilidade de área da ordem de 854.000 hectares, em áreas litorâneas que se estendem desde o Recôncavo Baiano até os tabuleiros do Sul da Bahia, porém apenas 41.486 hectares estão sendo cultivados segundo dados da SEAGRI/BA (2006). Esta disponibilidade, aliada à existência no país de uma demanda insatisfeita de óleo de dendê, além do aspecto ambiental, possibilita a recomposição do espaço social, proporcionando aumento da renda regional e a criação de novos empregos, buscando através da agricultura integrada o caminho do desenvolvimento. Porém, com todo esse potencial o Estado da Bahia possui uma baixa produtividade em decorrência da existência de grandes áreas de dendê nativo ou espontâneo de baixo rendimento, onde predomina o extrativismo sem mão-de-obra especializada com carência de recursos e assistência técnica. Assim o Baixo Sul se caracteriza como um “paradoxo”: Ser tão rico e ao mesmo tempo, tão pobre e miserável.

Nesse contexto nos questionamos como se dá a relação da população local com a cultura do Dendê e porque essa relação não se reproduz em benefícios sociais e econômicos para essas populações?

Qual a relação direta entre o uso, a posse da terra, os conflitos daí resultantes e a cultura do Dendê haja visto sua exploração centenária na sub-região?

Respostas a essas inquietações e busca a soluções para essas problemáticas é que norteiam nossa pesquisa, afim de que possamos com os estudos da sub-região do Baixo Sul e da cultura do Dênde, contribuir de forma concreta, e que venha em efetivo fornecer subsídios para a elaboração de políticas e ações de desenvolvimento local.

2.      OBJETIVOS GERAIS

Fazer uma análise das lógicas formadoras do espaço na sub-região do Baixo Sul Baiano tendo como influência a cultura do Dênde nos processos de ocupação do território e seu desenvolvimento sócio econômico.

2.1 OBJETIVOS ESPECIFICOS

Traçar um mapa das condições sócio-econômicas da sub-região a partir da exploração da renda da terra com base na Dendeicultura.
Fazer um levantamento das possibilidades econômicas dos pequenos produtores que tem na Dendeicultura uma das formas de sua sobrevivência e como os programas governamentais de auxilio social ou desenvolvimento da agricultura familiar tem ou não contribuído para a melhoria das condições de vida das populações locais.
Produzir um relatório a partir de estudos sobre os mecanismos que regem a cadeia produtiva do Dendê desde o plantio, beneficiamento até a comercialização e os conflitos existentes pelo uso e posse da terra.

 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


As populações que no decorrer da sua história interagem com a natureza e com os costumes repassados de geração em geração, como os indígenas, quilombolas, ribeirinhos, entre outras, procuram dar continuidade as tradições adquiridas dos antepassados, principalmente por meio da oralidade, dado as dificuldades de acesso às tecnologias da informação ou mesmo a educação formal. O território, nesse processo, se constitui em um importante elo de continuidade e de identidade do grupo. Porém, não como um elemento fixo que marca a permanência dos laços no espaço. O território, no mesmo sentido que a tradição, longe de ser um elemento estático e imutável, percebese como um espaço que muda as suas características e suas dimensões, com relações tanto internas como externas que sofrem de um reordenamento diante dos novos desafios.
                                                   
                                                     "O espaço é um verdadeiro campo de forças cuja formação é desigual. Eis a razão pela qual a evolução espacial não se apresenta de igual forma em todos os lugares”. (Santos,1978 p.122).


O espaço contém o território modelado, configurado; o território corresponde aos complexos naturais e às construções/obras feitas pelo homem: estradas, plantações, fábricas, casas, cidades. O território é construído historicamente, cada vez mais, como negação da natureza natural. A materialidade do território é, assim, definida por objetos que têm uma gênese técnica e social, juntamente com um conteúdo técnico e social.

No estudo da dimensão econômica do território, ou do espaço geográfico para Santos, é importante ressaltar o papel das técnicas, com destaque para o conceito de meio técnico-científico-informacional, terceiro grande período técnico na caracterização elaborada por Santos, que o classifica como “a cara geográfica da globalização.” Esse novo meio incide frontalmente no território, introduzindo novos processos, como o aumento brutal da fluidez e da instrumentalização, ainda que flagrantemente seletiva.

A sub-região do Baixo Sul Baiano, dada a suas características históricas, sua construção sócio cultural tem na Dendeicultura um marco de resistência econômica e social das populações que ali habitam. Os programas desenvolvidos pelos organismos governamentais junto aos interesses e necessidades das populações locais de determinado território e seus objetivos desenvolvimentistas, atende muito mais as proposições de mercado e os agentes globalizantes da economia, o que provoca a exclusão do homem dos meios de produção e do compartilhamento das riquezas produzidas. Segundo Milton Santos:

                                         “O espaço por suas características e por seu funcionamento, pelo que ele oferece a alguns e recusa a outros, pela seleção de localização feita entre as atividades e entre os homens, é o resultado de uma práxis coletiva que reproduz as relações sociais, (...) o espaço evolui pelo da sociedade total. (SANTOS, 1978, p. 171).

No Baixo Sul Baiano a Dendeicultura apresenta dois segmentos econômicos fortemente diferenciados que se desenvolveram a partir dos processos de formação do espaço local. O primeiro, constituído pelos chamados "roldões", representando a grande maioria das unidades processadoras do óleo, que são responsáveis por parcela considerável da renda local. São unidades centenárias, só existentes na Bahia e tradicionais fornecedoras de azeite de dendê para as "baianas de acarajé" e pequenos restaurantes espalhados por todo território baiano, especialmente Salvador, Costa do Dendê e Costa do Descobrimento. O segundo segmento está concentrado em quatro empresas de médio e grande porte, que juntas processam a maior parte da matéria prima produzida no Estado e normalmente controlam os preços pagos ao produtor. Em ambos os casos independente da proporção em que atuem há ai a caracterização da sujeição da Renda da Terra (Marx 2008) aos interesses do capital investidor e ou especulativo, bem como o controle dos preços pagos ao produtor pelas empresas capitalistas também vai caracterizar a extração da mais valia a partir da apropriação do trabalho excedente pelo capital, (Martins,1981).

Ainda sobre território, e seu controle ou uso pelo modo de produção e seus agentes hegemônicos, Santos (2008a, p. 231) diz que:
                                                 
                                                  “O território como um todo se torna um dado dessa harmonia forçada entre lugares e agentes neles instalados, em função de uma inteligência maior, situada nos centros motores da informação.”

Nossos estudos se norteiam pelo entendimento a partir dessas construções teóricas de Santos e outros autores, fazendo um paralelo a realidade sócio espacial e econômica da sub-região do Baixo Sul Baiano, na busca de respostas a nossas inquietudes no que se refere aos agentes e processos que influenciaram e influenciam na formação desse espaço.



4. METODOLOGIA

O presente tópico descreve a metodologia científica a ser adotada neste trabalho, de forma a sistematizar a revisão bibliográfica para analisar a cadeia produtiva do Dênde no Baixo Sul Baiano e suas relativizações com a formação do espaço nesta sub-região.


4.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA

                                               Pesquisar significa realizar empreendimentos para descobrir, para conhecer algo, a pesquisa constitui um ato dinâmico de questionamento, indagação e aprofundamento. (Barros e Lehfeld, 2007)

                             
Para Santos a pesquisa cientifica pode ser caracterizada como atividade intelectual intencional que visa responder as necessidades humanas (2007). Na busca de uma melhor metodologia para desenvolvimento da pesquisa que correspondesse ao alcance dos objetivos traçados encontramos então no Método Dialético uma possibilidade de caminho na construção do saber científico, procurando uma linha trajetória a ser percorrida na busca de conhecer e perceber-se na construção desse conhecimento do objeto (fenômeno/fato investigado) que se constrói e (des) constrói nas interações entre o sujeito e o objeto. Nesse modo de conhecer, o homem se constrói enquanto homem na produção de sua vida material. No decorrer da pesquisa e após ela o pensamento é descrever a realidade para poder desenvolver uma reflexão a partir dai de como a mesma se constrói.

Para levantamento dos dados e sua posterior analise e reflexão, executaremos ações a seguir nas seguintes perspectivas:

Perspectiva baseada em uma visão acadêmica, onde se busca identificar e analisar os conceitos teóricos ligados ao tema, com base na literatura disponível e selecionada.

Perspectiva baseada em uma visão Geográfica das questões Agrária / Econômica / Social, onde se busca identificar e analisar os conceitos práticos ligados ao tema, através de dados primários obtidos por entrevistas com especialistas e pessoas ligadas à área do tema em questão, e por observação direta (in loco) das vivências locais e das problemáticas expostas.

Perspectiva baseada no contato direto com membros das populações locais através de entrevistas com conteúdo espontâneo e programado a fim de levantar fatos e informações complementares.


Perspectiva baseada na coleta de dados e imagens através de fotos, vídeos, utilizando-se  de recursos técnicos modernos.
Sinopse do Pré-projeto apresentado à Comissão de Seleção do Curso de Mestrado em Geografia da UFBA para candidatura à vaga na turma de 2015.1. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

A CIÊNCIA FÍSICA

INTRODUÇÃO



É natural que uma ciência capaz de influir de modo tão significativo na vida do ser humano tenha extraordinária influência também na sua maneira de pensar e na sua concepção de vida. Várias pessoas acreditam que a Física pode explicar tudo, e alguns físicos garantem que esta ciência é capaz de provar desde a “existência” de extraterrestres até a vida após a morte. De certa forma, podemos dizer que a Física não explica, mas descreve os fatos ocorridos na natureza.
O que é Física?
Definir Física não é uma tarefa muito fácil e talvez essa dificuldade venha desde os tempos antigos. Física é um termo que tem origem da palavra grega physis, que significa natureza. A Física, ou melhor, a physis de estudiosos como Platão, Aristóteles e também de outros filósofos, tinha como foco principal de estudo a natureza. Porém, hoje temos o pleno conhecimento de que a natureza já não é mais um objeto exclusivo de estudo da Física, pois também se preocupam com esse estudo a Química, a Biologia, a Geologia, etc.
Com o passar do tempo, a Física dedicou-se ao estudo de uma série de fenômenos, enquanto abandonava outros, que passaram a fazer parte do estudo de outras ciências. Assim, é possível que o termo Física tenha se tornado amplo demais para revelar suas atribuições, que, embora sejam importantíssimas, não englobam mais tudo o que se conhece sobre a natureza. Na antiga Grécia, por exemplo, até a Medicina fazia parte dos estudos físicos.
Física, definida genéricamente  é o ramo das ciências que estuda os fenômenos que não alteram a natureza da matéria, enquanto os fenômenos químicos a alterariam. Ou seja  é a ciência que estuda a natureza em seus aspectos mais gerais.  Atualmente, é dificílimo definir qual o campo de atuação da física, pois ela aparece em diferentes campos do conhecimento que, à primeira vista, parecem completamente descorrelacionados.
Como ciência, faz uso do método científico. Baseia-se essencialmente na matemática e na lógica quando da formulação de seus conceitos.

Divisões

Como outras ciências, a Física é dividida de acordo com diversos critérios. Em primeiro lugar há uma divisão fundamental entre física teórica, física experimental e física aplicada. (Os dois primeiros ramos se reúnem sob a denominação pesquisa básica.)

* A física teórica procura definir novas teorias que condensem o conhecimento advindo das experiências; também vai procurar formular as perguntas e os experimentos que permitam expandir o conhecimento.
* A física experimental conduz experimentos capazes de validar ou não teorias científicas, ou mesmo corrigir aspectos defeituosos destas teorias.
* A física aplicada trata do uso das teorias físicas na vida cotidiana.
Uma outra divisão pode ser feita pela magnitude do objeto em análise. A física quântica trata do universo do muito pequeno, dos átomos e das partículas que compõem os átomos; a física clássica trata dos objetos que encontramos no nosso dia-a-dia; e a física relativística trata de situações que envolvem grandes quantidades de matéria e energia.

Mas a divisão mais tradicional é aquela feita de acordo com as propriedades mais estudadas nos fenômenos. Daí temos a Mecânica, quando se estudam objetos a partir de seu movimento ou ausência de movimento, e também as condições que provocam esse movimento; a Termodinâmica, quando se estudam o (calor), o trabalho, as propriedades das substâncias, os processos que as envolvem e as transformações de uma forma de energia em outra; o Electromagnetismo quando se analisam as propriedades elétricas, aquelas que existem em função do fluxo de elétrons nos corpos; a Ondulatória, que estuda a propagação de energia pelo espaço; a Óptica, que estuda os objetos a partir de suas impressões visuais; a Acústica, que estuda os objetos a partir das impressões sonoras; e mais algumas outras divisões menores.

Áreas da Física
em ordem alfabética:
* Acústica
* Astrofísica
* Biofísica
* Ciência planetária
* Cosmologia
* Dinâmica dos fluidos
* Econofísica
* Electromagnetismo
* Eletrônica
* Física atmosférica
* Física atômica
* Física biomédica
* Física computacional
* Física da computação
* Física da matéria condensada
* Física de materiais
* Física de partículas
* Física de Plasmas
* Física matemática
* Física médica
* Física molecular
* Física Nuclear
* Física oceânica
* Física química
* Geofísica
* Mecânica clássica
* Mecânica estatística
* Mecânica quântica
* Óptica
* Relatividade geral
* Relatividade restrita
* Teoria clássica de campos
* Teoria quântica de campos
* Termodinâmica
* Termologia

Filosofia da física
Muito sobre a filosofia que envolve a física pode ser encontrado em Filosofia, Metafísica,Ciência e método científico. Entretanto, existem filosofias peculiares à Física que serão mencionadas aqui.

Uma delas é o Determinismo Científico. Assumido que tudo não passa de partículas e que seu movimento é determinado para todo o tempo quando determina-se a posição e a velocidade da partícula no momento atual, pode-se dizer que todo o futuro já está determinado. O Demônio de Laplace nasce assim, apesar de ter sido arranhado pela Mecânica Quântica quanto a sua definição e pelo Caos quanto a sua implementação.
Extensões desse pensamento centrado no Determinismo Científico adequadamente adaptadas às dificuldades teóricas têm conseqüências filosóficas profundas, por exemplo: se aceitamos que o cérebro comanda todas as ações humanas e se o cérebro é feito apenas de átomos (governados apenas por leis da Física), é preciso perguntar se realmente a pessoa tem livre-arbítrio para controlar seu comportamento. No entanto, há um debate se cabe à Física ou à Metafísica responder a estas questões filosóficas.

Outra é a busca e a crença em uma teoria geral, única, consistente que descreva todos os processos do universo. Tal teoria deveria contemplar a Mecânica Quântica e a Teoria da Relatividade como casos especiais, bem como todas as outras teorias existentes. Também deveria ser baseada apenas em argumentos matemáticos, ou seja, sem nenhuma constante fundamental. Várias teorias já foram consideradas esta teoria fundamental, por exemplo, a Supersimetria. Entretanto, esta é uma questão aberta, e talvez sempre seja. 

Fonte:
http://www.pedagogia.com/pedagopedia/index.php/F%C3%ADsica

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Nas Terras do Bem-Virá

VALE A PENA ASSISTIR, EXCELENTE DOCUMENTÁRIO

NAS TERRAS DO BEM VIRÁ -  DOCUMENTÁRIO

 p/Marcos Barros


O documentário traz uma denúncia das atrocidades e o desrespeito aos Direitos Humanos ocorridos no campo no Brasil em especial no estado do Pará. Uma situação que o nosso país convive por muitos anos. Assassinatos, perseguições, escravização de trabalhadores que lutam pelo direito de um pedaço de terra e também por trabalho digno. Um sonho cada vez mais distante devido ao descaso dos governantes e a truculência dos latifundiários que impõe sobre os mais pobres, através de ameaças, que é alimentado pela impunidade devido o descaso da legislação e de interesses terceiros de quem deveria zelar pelo cumprimento dela.
Em 2003, foi criada a Comissão Nacional Para a Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE), órgão vinculado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, que tem a função de monitorar a execução do Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo. Lançado em março de 2003, o Plano contém 76 ações, cuja responsabilidade de execução é compartilhada por órgãos do Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, entidades da sociedade civil e organismos internacionais, mas que mesmo assim não consegue acabar ou sequer reduzir a ocorrência dos conflitos geradores de tanta violência.
Os trabalhadores são enganados pela falsa promessa de um trabalho digno por fazendeiros inescrupulosos que objetivam o lucro a qualquer custo, desrespeitando assim os Direitos Humanos, achando-se que estão acima da lei ou de qualquer outra forma de responsabilidade civil ou criminal.
Essa abordagem feita pelo documentário, é apenas uma das inúmeras formas de trabalho escravo que temos no Brasil. Trabalhadores bolivianos, colombianos, negros, índios, mulheres, crianças e outros imigrantes são também iludidos com a ideia de trabalho e dinheiro fácil, mas há uma falta de empenho do governo para acabar com esse tipo de trabalho vergonhoso que é constantemente encontrado tanto nas grandes cidades como nos campos.
O documentário faz também um resgate histórico que se remete aos tempos da ditadura militar, a campanha por uma Amazônia desenvolvida e a defesa do meio ambiente e do trabalhador mais pobre, que sucedeu no fracasso da transamazônica e na atual condição das relações no campo. Entre as muitas ocorrências de violência o documentário destaca o Massacre de Eldorado dos Carajás, que ocorreu em 1966, como também o caso da missionária Dorothy Stang, assassinada em 2004, a mando de latifundiários.
O documentário é ponto de partida para uma profunda reflexão sobre as relações que se travam no campo, a questão da Reforma Agrária o respeito  a dignidade humana e a necessidade urgente de medidas que possam vir a cumprir a justiça, acabando com a impunidade e colocando lei numa Terra que mais parece viver uma época de barbárie sem lei.