terça-feira, 26 de junho de 2012

NOVOS GEOGLIFOS FORAM ENCONTRADOS NO ACRE




Pesquisadores descobriram mais 20 geoglifos durante sobrevoo nas margens da BR-317, entre os estados do Acre e Amazonas, o que eleva para mais de 300 a ocorrência dessas formas geométricas no solo da Amazônia Ocidental, localizadas principalmente nas bordas de planaltos nos vales dos afluentes a sudeste do Rio Purus.
Os geoglifos são estruturas arqueológicas com desenhos geométricos de vários formatos (linhas, quadrados, círculos, animais e até formas humanas), existentes em diversas partes do mundo. No Acre, só se tornaram visíveis após a derrubada da floresta. Segundo os estudiosos, os “desenhos” descobertos na Amazônia Ocidental são obras de povos antigos e desconhecidos.
Alguns geoglifos têm idade presumida de até dez mil anos e chegam a medir centenas de metros de diâmetro. No Acre, começaram a ser descobertos em pesquisas arqueológicas no final dos anos 1970.




terça-feira, 15 de maio de 2012

DE LÊNIN Á LACOSTE. OS ARQUÉTIPOS ESPACIAIS DE SUBDESENVOLVIMENTO / AUTOR: ALAIN MUSSET.



POR: MARCOS BARROS



Subdesenvolvimento: uma realidade econômica e social que diferencia as nações em pobres e ricas, ou uma construção ideológica, que tem por fim a hierarquização dos povos, numa expressão metafórica das relações de poder que se estabelece  entre dominantes e dominados?

Segundo Lacoste (1962), trata-se de uma noção mal definida, carregando consigo desde o inicio não uma avaliação, ma sim a hierarquização de países pelo viés de uma comparação formada na evolução igualitária das nações em direção ao padrão comum, mas que dado aos processos de formação de cada povo bem como sua cultura e suas identidades territoriais não se pode tomar como padrão único a evolução econômica, baseada na lógica capitalista da produção e consumo, como sendo medida do grau de desenvolvimento de um povo.
Milton Santos (1979) em seus estudos reconhece a existência do que chama de circuito superior da economia, desenvolvido a partir da globalização das trocas e das técnicas entre diversas nações sejam ricas ou pobres. Tornando assim essa mesma globalização um instrumento da percepção de um mundo dividido em partes desiguais em função do acesso das populações a bens fundamentais ou a recursos diversos.  Assim critérios estatísticos como PIB, insuficiência alimentar, taxa de mortalidade infantil, exportação de matéria prima bruta, taxa de natalidade, etc.  são os critérios adotados para classificação dos países em desenvolvidos ou subdesenvolvidos. Embora outros critérios realmente influenciadores nas condições sócio econômicas dos povos, tais como: desperdício de recursos, colonização de exploração, atrofia das classes médias, desigualdades sociais estúpidas, administração publica nas mãos de elites corrompidas, etc. esses sim são fatores de desagregação econômica de qualquer nação.
Nessa classificação entre pobres e ricos, desenvolvidos e subdesenvolvidos que Amartya Sen (1998), faz sua critica a noção de pobreza, onde a mesma não pode ser vista, apenas pela abordagem contábil dos fatos econômicos, mas vai além, colocando que não só o rendimento obtido nas atividades econômicas das populações pobres devem ser levados em conta, mas também sua capacidade de utiliza-los para obtenção de bens fundamentais, pois cada povo tem suas necessidades próprias na aquisição de tais bens, tomando como base sua construção social e cultural especifica, como o poder de mesmo produzindo riquezas transformar essas riquezas em bem estar para todos.
O autor Alain Musset, mesmo se opondo por sua vez a visão estatística quantitativa do problema, admite que essa orientação política dos discursos, explica por que o território enquanto objeto de análise, desaparece em prol de um espaço teórico ou mesmo abstrato transformando as relações de poder numa escala global. Relações estas que ele procura analisar com base no que ele nomeia de Arquétipos espaciais comuns: Metrópole e Colônia, Centro e Periferia, Norte e Sul. Embora ele mesmo concorde afinal que para escapar desses arquétipos espaciais, a fim de se estudar e criticar a noção de subdesenvolvimento é mais do que nunca necessário territorializar as análises, procurando uma aproximação antropológica se libertando dos espaços teóricos a fim de se chegar as realidades de cada povo.
Como geógrafo me vem à compreensão, de que para entender as transformações dos territórios,  o trabalho em campo, aliado a uma pesquisa interdisciplinar, procurando analise dos fatos numa escala que vá do macro ao micro, e buscando um olhar para as várias ciências sociais, como fonte de conhecimento capaz de contribuir para um melhor entendimento dos objetos em estudo, com certeza, é a melhor forma de dar respostas concretas para o ideologismo subdesenvolvimentista.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

MOTIVAÇÕES HODIERNAS PARA ENSINAR GEOGRAFIA REPRESENTAÇÕES DO ESPAÇO PARA VISUAIS E INVISUAIS. AUTOR: NOGUEIRA, RUTH EMILIA – FLORIANOPOLIS,2009


POR:  MARCOS BARROS

O atual momento da educação está  marcado pelo uso de novas tecnologias, o que torna cada vez mais evidente a necessidade de criação de novas metodologias com o objetivo  de auxiliar nos trabalhos e estudos da Geografia afim de desenvolver a capacidade de uma leitura cartográfica mais dinâmica por parte do alunado, tornando-o capaz de formular ideias e extrair informações do material observado, seja um mapa, uma  fotografia áerea, ou mesmo uma imagem de satélite.Tecnologias novas, como as imagens de  sensoriamento remoto, ou mesmo as fotos aéreas, devem ser ferramentas disponíveis a todas as escolas, afim de se obter um melhor resultado no estudo da paisagem geográfica, tornando alunos e professores críticos, das observações feitas, numa análise das mudanças no ambiente em que vivem, seja elas provocadas pela ação  humana ou mesmo proveniente de fenômenos  naturais.
A autora procura auxiliar na reflexão sobre práticas que podem contribuir para com os educadores, a se aproximarem de novas tecnologias de geoprocessamento bem como levar tais conhecimentos para sala de aula introduzindo os mesmos ao cotidiano dos estudantes. A Geografia por ser uma ciência multidisciplinar, contribui para a divulgação de novas tecnologias, bem como para dinamizar a atuação dos professores no exercício de suas atividades pedagógicas, mas tais tecnologias dependem também da criatividade dos educadores a fim de dar maior estimulo aos seus alunos.
Torna-se assim também missão do professor o auxilio aos estudantes de poder experimentar as mais variadas concepções do mundo, saindo do tradicionalismo inerente das nossas escolas, criando um ambiente capaz de levar o educando a aprender a ver e interpretar aquilo que lhe é disponibilizado. Assim ler e escrever não é só o  objetivo primordial da educação, pois o educador ao mediar o conhecimento obtido através de analise e observação de imagens  de satélites e aerofotogrametria esta colaborando para a formação de individuos capazes de compreender e buscar soluções para os mais variados problemas, sejam ambientais ou de origem sócio espaciais.
È nesse contexto que a autora diz que “O ser humano é visto como um agente social e histórico do ambiente em que vive, sendo então transformador e construtor do espaço em que habita” e a Geografia como ciência social tem como objetivo, o estudo dessas relações do homem com o meio, estudos esses que tem na Cartografia uma poderosa ferramenta de trabalho, aliada as novas tecnologias. Uma experiência bem sucedida é o uso de imagens de satélites para confecções de mapas temáticos, onde os alunos podem levantar a historicidade, a cultura, a sustentabilidade, a biodiversidade ou outros dados de relevante importância sobre os ambientes em que vivem, dando-lhes empoderamento sobre esses espaços. Assim a atividade cartográfica além de lúdica e informacional assume também um papel de formação da cidadania., coletiva e individual dos membros de uma  comunidade. Projetos pedagógicos ou de extensão universitária realizados por todo o país permitem evidenciar o sucesso dessas novas tecnologias na prática escolar.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A REINVENÇÃO DOS TERRITÓRIOS /CARLOS WALTER PORTO



POR MARCOS BARROS:

Como entender o atual momento da América Latina, sem ter uma visão de todo o contexto histórico / social de 500 anos de Imperialismo, Colonização e Exploração, num processo de acumulação onde até o Continente Africano é parte de toda engrenagem que tem no Mercantilismo seu grande predecessor, até o Capitalismo Global como hoje conhecemos no mundo. É com base nessa historicidade e contemporaneidade que Carlos Walter aborda em seu texto como se desenvolveu os processos que redefiniram a Geografia das Américas e Caribe, como se desenvolve o pensamento Imperialista e colonizador, num enfoque das justificativas de paz social e agregação de novos territórios, a fim de desenvolver a lógica da Revolução Industrial e capitalista de produção de mercadorias e abertura de novos mercados para sua comercialização.  
Com a chegada do europeu a América, desencadeia-se toda uma nova concepção de Geografia do mundo e do modo de exploração do novo continente e de suas potencialidades naturais seja na subjugação dos povos aqui existentes, na exploração agrícola ou na retirada de seus recursos minerais. Também ai nasce o pensamento Eurocêntrico, de ser a Europa o centro do mundo moderno e civilizado o que justificava assim a colonização e mesmo a escravização dos demais povos considerados primitivos, sejam na África ou na América. Assim o novo continente nasce e continua rico até hoje, mas na ótica da acumulação que o torna subserviente e dependente das Potências Mundiais, o que se observa claramente se compararmos as monoculturas desenvolvidas durante o período colonial e o Agronegócio hoje explorado em toda a região.
Durante todo período da 1ª modernidade, a hegemônia é marcada pelo domínio imperialista de Portugal e Espanha, sendo essas nações os grandes polos colonizadores e exploradores da África escrava e da America rica, onde os processos de acumulação se dão através da exploração de monoculturas agrícolas como o açúcar, do comércio escravista dos negros africanos ou do saque aos povos nativos americanos, mas a partir do Séc. XVIII ou 2ª modernidade entra em cena uma nova confrontação de forças regidas pelos países do Norte Europeu (França, Inglaterra, Alemanha), gerando uma nova configuração geográfica no mundo, onde a revolução industrial e o capitalismo através do seu modo de produção substitui o mercantilismo, surgindo também os sentimentos nacionalistas e de liberdade, que tem na Independência dos EUA, e na cristalização desses sentimentos com o slogan a "América para os americanos", apenas uma construção teórica que se vê jogada por terra, haja vista que desde a própria declaração de Independência dos EUA as máximas de igualdade, fraternidade, liberdade não visava a ser estendida a todos os povos da America. Nasci daí às divergências ideológicas e raciais bem como as lutas pela territorialidade dos povos que habitam a América, pois uma sociedade é constituída de seu povo e seu território que são indissociáveis na construção das identidades dos espaços.
Os conflitos sociais na America Latina e Caribe são marcados pelas lutas da posse da terra e da descentralização do poder, das mãos de uma minoria rica, dita burguesa tendo do outro lado uma maioria pobre formada por indígenas nativos, afrodescendentes, homens brancos pobres que englobam a massa excluída campesina muitas vezes faminta e carente de condições dignas de vida que se espalham por toda a região. É nesse panorama de injustiças  que nascem movimentos sociais os mais variados e por todas as terras latinas, como se exemplifica o MST (Movimento dos Sem Terra) do Brasil, que luta pela posse da terra e divisão das riquezas, considerado um dos mais importantes de toda a região não só pela sua atuação e número de participantes envolvidos, mas pelo seu histórico de lutas e conquistas.
Mesmo com a luta cada vez maior e do crescente número desses movimentos, bem como a disseminação do ideal comunitário/coletivo, é nítido a dificuldade de enfrentamento ao capital hegemônico e explorador muitas vezes aliado as estruturas do Estado organizado, que deveriam por sua vez administrar e zelar pelo bem estar das populações e dos seus direitos. Mas numa coalizão de forças entre capital explorador e Estado constituído, o que se vê são políticas públicas meramente excludentes e desagregadoras, produzindo mazelas sociais que aumentam o abismo entre ricos e pobres. Politicas estas que não só afetam as populações, mas o meio ambiente como um todo, seja pela exploração desenfreada dos recursos naturais, como na destruição da biosfera através de processos poluidores do solo, das águas continentais e subterrâneas, mares, subsolo, atmosfera, colocando em risco até mesmo o futuro e a sobrevivência dos povos que aqui habitam.
Então numa análise de todo o material exposto pelo autor na sua descrição histórica dos fatos, como nas suas consequências até os dias de hoje é que podemos entender o porque da pobreza e miséria que vive o povo haitiano, a revolução comunista em Cuba, as constantes oscilações entre períodos de ditadura e democracia que se sucedem  no estado brasileiro e em nossos vizinhos, o atraso tecnológico e educacional dos povos latinos como um todo, em contraste com os padrões de vida e riqueza de nossos exploradores sejam eles estrangeiros  ou mesmo membros das elites locais.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

SUSTENTABILIDADE



Planeta só será sustentável com controle do consumo e população 


O consumo excessivo em países ricos e o rápido crescimento populacional nos países mais pobres precisam ser controlados para que a humanidade possa viver de forma sustentável. A conclusão é de um estudo de dois anos de um grupo de especialistas coordenados pela Royal Society (associação britânica de cientistas).
Entre as recomendações dos cientistas estão dar a todas as mulheres o acesso a planejamento familiar, deixar de usar o Produto Interno Bruto (PIB) como um indicativo de saúde econômica e reduzir o desperdício de comida.
O relatório da Royal Society será um dos referenciais para as discussões da Rio+20, cúpula que acontecerá na capital fluminense em junho próximo.
"Este é um período de extrema importância para a população e para o planeta, com mudanças profundas na saúde humana e na natureza", disse John Sulston, presidente do grupo responsável pelo relatório.
"Para onde vamos depende da vontade humana - não é algo predestinado, não é um ato de qualquer coisa fora (do controle) da humanidade, está em nossas mãos".
John Sulston ganhou renome internacional ao liderar a equipe britânica que participou do Human Genome Project, projeto responsável pelo mapeamento do genoma humano. Em 2002, ele foi ganhador, junto com outro cientista, de um prêmio Nobel de Medicina, e hoje é diretor do Institute for Science Ethics and Innovation, na Manchester University, em Manchester.
Discussão retomada
Embora o tamanho da população humana da Terra fosse no passado um importante ponto de discussão em debates sobre o meio ambiente, o assunto saiu da pauta de discussões recentemente.
Em parte, isso aconteceu porque alguns cientistas chegaram à conclusão de que a Terra seria capaz de suportar mais pessoas do que o imaginado. Além disso, países em desenvolvimento passaram a considerar a questão como uma cortina de fumaça criada por nações ocidentais para mascarar o problema do excesso de consumo.
Entretanto, o tema voltou à pauta de discussões após novos estudos terem mostrado que mulheres em países mais pobres, de maneira geral, desejam ter acesso ao planejamento familiar, o que traria benefícios à suas comunidades.
Segundo a projeção "média" da ONU, a população do planeta, atualmente com 7 bilhões de pessoas, atingiria um pico de pouco mais de 10 bilhões no final do século e depois começaria a cair.
"Dos três bilhões extra de pessoas que esperamos ter, a maioria virá dos países menos desenvolvidos", disse Eliya Zulu, diretora execuriva do African Institute for Development Policy, em Nairóbi, no Quênia. "Só na África, a população deve aumentar em 2 bilhões".
"Temos de investir em planejamento familiar nesses países - (desta forma,) damos poder às mulheres, melhoramos a saúde da criança e da mãe e damos maior oportunidade aos países mais pobres de investir em educação".
O relatório recomenda que nações desenvolvidas apoiem o acesso universal ao planejamento familiar - o que, o estudo calcula, custaria US$ 6 bilhões por ano.
Se o índice de fertilidade nos países menos desenvolvidos não cair para os níveis observados no resto do mundo - alerta o documento - a população do planeta em 2100 pode chegar a 22 bilhões, dos quais 17 bilhões seriam africanos.
Ultrapassando Fronteiras
O relatório é da opinião de que a humanidade já ultrapassou as fronteiras planetárias "seguras" em termos de perda de biodiversidade, mudança climática e ciclo do nitrogênio, sob risco de sérios impactos futuros. Segundo a Royal Society, além do planejamento familiar e da educação universal, a prioridade deve ser também retirar da pobreza extrema 1,3 bilhão de pessoas.
E se isso significa um aumento no consumo de alimentos, água e outros recursos, é isso mesmo o que deve ser feito, dizem os autores do relatório. Nesse meio tempo, os mais ricos precisam diminuir a quantidade de recursos materiais que consomem, embora isso talvez não afete o padrão de vida.
Eliminar o desperdício de comida, diminuir a queima de combustíveis fósseis e substituir economias de produtos por serviços são algumas das medidas simples que os cientistas recomendam para reduzir os gastos de recursos naturais sem diminuir a prosperidade de seus cidadãos.
"Uma criança no mundo desenvolvido consome entre 30 e 50 vezes mais água do que as do mundo em desenvolvimento", disse Sulston. "A produção de gás carbônico, um indicador do uso de energia, também pode ser 50 vezes maior".
"Não podemos conceber um mundo que continue sendo tão desigual, ou que se torne ainda mais desigual". Países em desenvolvimento, assim como nações de renda média, começam a sentir o impacto do excesso de consumo observado no Ocidente. Um dos sintomas disso é a obesidade.
PIB
A Royal Society diz que é fundamental abandonar o uso do PIB como único indicador da saúde de uma economia. Em seu lugar, países precisam adotar um medidor que avalie o "capital natural", ou seja, os produtos e serviços que a natureza oferece gratuitamente.
"Temos que ir além do PIB. Ou fazemos isso voluntariamente ou pressionados por um planeta finito", diz Jules Pretty, professor de meio ambiente e sociedade na universidade de Essex.
"O meio ambiente é de certa forma a economia... e você pode discutir gerenciamentos econômicos para melhorar as vidas de pessoas que não prejudique o capital natural, mas sim o melhore", completa.
O encontro do Rio+20 em junho deve gerar um acordo com uma série de "metas de desenvolvimento sustentável", para substituir as atuais metas de desenvolvimento do milênio, que vem ajudando na redução da pobreza e melhoria da saúde e educação em países em desenvolvimento.
Não está claro se as novas metas vão pedir o compromisso de que os países ricos diminuam seus níveis de consumo. Governos podem ainda concordar durante o encontro no Rio a usar outros indicadores econômicos além do PIB.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

PEDAGOGIA LIBERTÁRIA -







A PEDAGOGIA ANARQUISTA COMO FORMA DE MUDANÇAS SOCIAIS.

Com o objetivo primordial de formar indivíduos livres através da autonomia, responsabilidade, solidariedade, e desenvolvendo valores de ordem coletiva, a pedagogia libertária, além de estabelecer novas formas de relações interpessoais, seja um instrumento de luta para a superação das condições de exploração que sustentam o capitalismo. Partindo do pré-suposto de que as bases do capitalismo são a exploração, a desigualdade e a heterogestão. São inúmeras as perspectivas teóricas e práticas da pedagogia libertária que se pode distinguir. No geral, uma das características centrais da proposta pedagógica dos anarquistas é o seu anti-autoritarismo.
A educação anarquista tem, ao lado do anti-autoritarismo, a autogestão como um dos seus principais focos. Mas por não ser a única tendência autogestionária em educação podemos diferi-la das demais: 1 – pela tendência não diretiva, muito próxima, do ponto de vista metodológico e psicológico, da tendência escolanovista e da pedagogia institucional, sendo Marx um dos seus maiores teóricos; 2 – pelas tendências, sustentada teoricamente pelos outros grandes nomes do anarquismo, e bases das experiências clássicas de escolas libertárias.
A pedagogia libertária, ao contrário da tendência não diretiva, não entende a liberdade como um meio de emancipação, mas como um fim, e a autoridade, longe de ser considerada perniciosa e combatida é antes de tudo boa e indispensável, mesmo que seja incongruente com o anti-autoritarismo que a mesma defende. Mas para podermos entender essa incongruência é necessário uma análise das concepções de poder e autoridade e as relações existentes entre saber e poder que os anarquistas defendem em suas propostas educacionais.
Para se compreender a pedagogia libertária, faz-se necessário entendermos um dos seus conceitos chaves: a Liberdade. O conceito de liberdade com o qual nós freqüentemente temos contato é aquele que foi desenvolvido pela filosofia política que culminaria no liberalismo, definido do ponto de vista burguês. Os anarquistas tem  um conceito de liberdade muito diferente do conceito dos liberais, sendo necessário explicitar as diferenças existentes entre as duas concepções para que possamos entender a real dimensão da proposta educativa libertária.
Os iluministas desenvolveram a construção teórica de sustentação de uma ordem social burguesa, pois na época, fazia-se necessário separar o homem em estado natural do civilizado. Para isso, acharam necessário estabelecer um contrato social que regesse as relações dos homens na comunidade, de forma a destituir  o direito natural do homem medieval. Assim, os liberais vão tratar da liberdade como um fenômeno natural, na qual o indivíduo, ao pactuar desta sociedade, deve abrir mão de uma parcela de sua liberdade em nome da segurança e da defesa de interesses que a comunidade lhe proporcionará. Essa renúncia é feita em nome de um gerenciamento coletivo do direito de propriedade que, se dava para garantir o direito da propriedade, pois vivia-se num momento em que era necessária uma consolidação política da propriedade burguesa, em oposição à dos nobres.
Já os anarquistas desenvolveram uma linha de pensamento bastante diferente, oposta a esse conceito de liberdade: a liberdade é a resultante da oposição de duas forças: a força de afirmação, a necessidade, e a força de negação, a espontaneidade. Quanto mais simples um ser vivo qualquer seja, mais será regido pela necessidade; quanto mais complexo, mais influenciado pela espontaneidade, sendo que esta, no seu último grau é a própria liberdade. Essa diferença conceitual, na qual a liberdade é entendida como um produto da sociedade e não como uma lei natural comum a todos os homens, será fundamental para a compreensão das idéias e experiências que os anarquistas desenvolveram em educação.
Assim com esse conceito de liberdade o anarquismo pretende criar uma sociedade justa, solidária e participativa e é por isso que suas idéias pedagógicas tentam ser condizentes com essas máximas. A pedagogia libertária  deve ser compreendida junto a todo um movimento social. A educação existe para reproduzir as  relações sociais e culturais geradas pelo sistema capitalista. Baseando-se nos princípios da  disciplina e autoridade, fazendo com que as pessoas, desde pequenas, se habituem a pensar e atuar  de forma conivente ao sistema estabelecido. Os princípios, que em maior ou menor medida, segue a  educação libertária são:
- Liberdade do indivíduo. Liberdade individual mas coletiva significa levar em conta aos  demais desde a responsabilidade de viver em grupo.
- Contra a autoridade. Ninguém manda em ninguém, tudo se faz por compromissos assumidos e a partir da decisão coletiva, aberta e sincera. 
- Autonomia do individuo, contra as dependências hierarquizadas e assumidas, cada indivíduo tem direitos e obrigações assumidas voluntariamente, responsabilidade coletiva e respeito.
- As pessoas enfrentam seus próprios problemas, criam suas convicções e suas razões.
- O jogo como acesso ao saber. Partindo do jogo é mais fácil desenvolver a solidariedade e o trabalho coletivo, a socialização e o ambiente positivo, alegre e sincero.
- Co-educação de sexos e social. A educação é igual e conjunta, sem discriminação de nenhum tipo por razões de gênero econômico ou sociais.
Marcos Barros.

domingo, 1 de abril de 2012

Brasil é o 10º maior consumidor mundial de energia elétrica

O Brasil é o décimo maior consumidor mundial de energia elétrica, segundo dados da Agência Internacional de energia (AIE), com sede em Paris. Desde 2001, o consumo de eletricidade no país aumentou quase 38%, acima da média mundial, que foi de 30% no período.
Apesar de significativo, o crescimento do consumo de eletricidade no Brasil ficou bem abaixo das taxas registradas pela China e pela Índia entre 2001 e 2009 (último dado disponível). Nesses dois países, o aumento foi, respectivamente, de 153% e de 64%, de acordo com a AIE.
Os Estados Unidos, a China, a União Europeia e a Índia representam mais de 60% do consumo mundial de eletricidade. O crescente aumento do consumo de energia é uma grande preocupação mundial.
Hora do Planeta
O evento Hora do Planeta, iniciativa da organização ambiental WWF, que prevê que as luzes sejam desligadas em várias cidades do mundo durante uma hora para lutar contra o aquecimento global, tem o objetivo de conscientizar a população mundial em relação ao problema. Nas previsões da AIE, a demanda mundial de energia primária (que existe de forma natural na natureza) deverá aumentar em um terço entre 2010 e 2035.
Até essa data, as emissões de CO2, um dos principais gases que provocam o efeito estufa, deverão crescer 20%, afirma a AIE. Em 2010, a procura mundial por energia primária aumentou 5%, um salto "considerável" na avaliação da agência internacional, que alerta para o fato de que isso provoca novos picos de emisões de dióxido de carbono. Apenas a China e a Índia, diz a agência, deverão ser responsáveis pela metade do crescimento da demanda de energia global até 2035.
Em geral, os países emergentes deverão representar 90% do aumento previsto da demanda global de energia até 2035, segundo a AIE. No Brasil, a demanda de energia primária deverá crescer 78% nesse período. "As taxas de crescimento de consumo de energia na Índia, na Indonésia, no Brasil e no Oriente Médio aumentam a um ritmo ainda mais rápido do que na China", ressalta a AIE em um relatório divulgado no final do ano passado.
Fontes renováveis
Apesar de estar no ranking dos dez maiores consumidores de energia, a AIE ressalta que o Brasil é um dos líderes mundiais na produção de energia hidrelétrica e de biocombustíveis, fontes de energia renováveis. De acordo com a agência, 45% da energia total produzida no Brasil é originária de fontes renováveis, enquanto a média nos países ricos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é de apenas 8%.
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de energia hidrelétrica, atrás da China. As fontes de energias renováveis não hidrelétricas (como a solar e a eólica) na geração de eletricidade em nível mundial ainda representam apenas 3% em 2009.
Mas a agência prevê que essa participação deverá aumentar para 15% em 2035 graças ao aumento dos recursos para desenvolver essas outras fontes, principalmente na União Europeia e na China. Também segundo a agência internacional, 1,3 bilhão de pessoas no mundo ainda não dispõe de eletricidade.

terça-feira, 20 de março de 2012

Alumínio: 100% Reciclável

A reciclabilidade é um das propriedades fisicas  mais importantes do alumínio ou de  qualquer outro produto que seja reaproveitado infinitas vezes, sem perder suas qualidades no processo de reciclagem, ao contrário de outros materiais. O exemplo mais comum é o da lata de alumínio para bebidas, cuja sucata transforma-se novamente em lata após a coleta e refusão, sem que haja limites para seu retorno ao ciclo de produção. Esta característica possibilita uma combinação única de vantagens para o alumínio, destacando-se, além da proteção ambiental e economia de energia, o papel multiplicador na cadeia econômica.
A reciclagem de alumínio é feita tanto a partir de sobras do próprio processo de produção, como de sucata gerada por produtos com vida útil esgotada. De fato, a reciclagem tornou-se uma característica intrínseca da produção de alumínio, pois as empresas sempre tiveram a preocupação de reaproveitar retalhos de chapas, perfis e laminados, entre outros materiais gerados durante o processo de fabricação.
Este reaproveitamento de sobras do processo pode ocorrer tanto interna como externamente, por meio de terceiros ou refusão própria. Em qualquer caso representa uma grande economia de energia e matéria-prima, refletindo-se em aumento da produtividade e redução da sucata industrial.
A reciclagem de produtos com vida útil esgotada, por sua vez, depende do tempo gasto entre seu nascimento, consumo e descarte. Isto é chamado de ciclo de vida de um produto, que pode ser de 45 dias, como no caso da lata, até mais de 40 anos, no caso de cabos de alumínio para transmissão de energia elétrica. Em qualquer caso, o alumínio pode ser reciclado infinitas vezes.
Quanto mais curto for o ciclo de vida de um produto de alumínio, mais rápido será o seu retorno à reciclagem. Por isso, os volumes de reciclagem da indústria alcançaram índices expressivos, com a entrada da lata de alumínio no mercado.

domingo, 29 de janeiro de 2012

ACC BIOMAPEAMENTO REGIONAL 2011.2

O QUE É O ACC MAPEAMENTO BIORRREGIONAL

Disciplina Atividade Curricular em Comunidades  (ACC) Mapeamento Biorregional Participativo em comunidades costeiras tradicionais como ferramenta para educação ambiental, oferecida para estudantes de diversos cursos de graduação da Ufba.


Objetivos

Empoderar as comunidades com Instrumentos de diagnóstico e planejamento ambiental, os mapas biorregionais, visando a promover a sustentabilidade das atividades produtivas, nas comunidades, incentivando a conservação ambiental, a redução dos conflitos de uso entre as atividades produtivas existentes e o aumento da participação social em espaços de regulação e fiscalização institucional.






                   





 ACC BIOMAPEAMENTO REGIONAL 2011.2

Realizado nas comunidades Quilombolas do Kaonge, Kalembá, Dendê, Engenho da Ponte e Engenho da Praia na  região  de Santiago do Iguape, município de Cachoeira no Recôncavo Baiano, durante o segundo semestre de 2011, contou com a participação de 10 alunos dos  cursos de graduação em Geografia, Oceanografia, Biologia, Nutrição, Ciências Sociais,  da Ufba sob a coordenação do Prof. Dr. Miguel Alccyoli e das técnicas do Projeto Natalia Feraz e Daniele França. A realização do  mapeamento foi desenvolvida em conjunto com membros de todas as comunidades envolvidas, durante as várias oficinas realizadas em 06 finais de semanas distribuidos  durante todo o decorrer do semestre e que teve seu encerramento no ultimo dia 27.01.2012 com a revisão final dos mapas confeccionados e avaliação conjunta com a comunidade de todo o processo desenvolvido. Para a confecção dos mapas foi feita todo um levantamento da historicidade, cultura, religião, das comunidades locais, bem como a ida a todos os pontos de importância para a comunidade, onde foram fotografados, filmados e georeferenciados para que se tornassem parte do trabalho de mapeamento, tais como antigas ruínas de engenhos, fontes de água, capelas e igrejas, locais sagrados da religião local, entre muitos outros. O trabalho conjunto entre estudantes e comunidade proporcionou uma troca de experiencias e conhecimentos onde todos são beneficiados, não só do ponto de vista do conhecimento técnico cientifico desenvolvido através da pesquisa e da coleta de dados e informações, mas também nas relações sociais onde ambas as partes criam laços de fraternidade e comunhão de ideias. Trabalho realizado fica a certeza da importância do mapeamento para as comunidades como instrumento de desenvolvimento social coletivo, e para a classe acadêmica envolvida  o ganho no desenvolvimento pessoal e profissional de cada um.  Após a ultima oficina de revisão dos mapas e avaliação dos trabalhos foi realizado uma comemoração entre todos com direito a muito samba e churrasco de ostras bem no estilo  baiano.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

UM POUCO DA CULTURA NORDESTINA - uma perola.

Você conhece o "Nordestês"???
NO NORDESTE, FALAMOS ASSIM

 











Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente.
Tem um jeito diferente.
Que a outro não se igualá
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala
Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
Coisa inferior é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro
 Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caixa Prego
Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Botão de rádio é Pitoco
E confusão é Arenga
Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado
O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado
E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto
Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala
Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bombom é Confeito
Rir de alguém é Mangar
Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Enxerir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira
Longe é o Fim do Mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela
E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar
Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado
Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente da casa é Terreiro
Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala
Aqui, valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada
O pão-duro é Amarrado
Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado
Tocar de leve é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar
Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada
Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada
Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
Sandália é Alpercata
A correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote
E o folgado é Folote
É assim que a gente fala
Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda
Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda
Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso
Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha
Não concordo, é Pois Sim
Estou às ordens, Pois Não
Beco do lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!
Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala
A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau
Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega
Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado
Estilingue é Balieira
Prostituta se diz Quenga
Cabra medroso é Molenga
O baba-ovo é Chaleira
Opinar é Dar Pitaco
Axila é Suvaco
Se o cabra for mau, é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala
Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó
Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar
A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
Tic nervoso é Munganga
Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Lombo se diz Espinhaço
Matar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Engembrado
É assim que a gente fala
O afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Quer saber como, diz Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Sujeito leso é pamonha
Manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco
E coisa pouca é Tiquim
Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra é de Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Azar se chama Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha
Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
O cara medroso é Frouxo
E comprimido é Cachete
Olho sujo tem Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala
Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Fica de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Se estiver desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego
Coisa fácil é Fichinha
Dose de cana é Lapada
Empurrar é Dar Peitada
E o banheiro é Casinha
Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina,
É assim que a gente fala.”